Lula aposta em pacote social para ganhar fôlego na reta final contra Flávio Bolsonaro

Lula investe em políticas sociais para conquistar apoio de mulheres e evangélicos na fase decisiva da eleição presidencial.
Redação NC News
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A seis dias do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega à reta final da campanha à reeleição com uma sequência de medidas voltadas à renda, à saúde e à proteção financeira das famílias. O governo reajustou o Bolsa Família, abriu uma nova tentativa para incorporar as chamadas canetas emagrecedoras ao SUS e editou uma medida provisória que determina o fim das bets no país.

Os anúncios ganham peso político porque ocorrem em meio a uma disputa apertada com Flávio Bolsonaro (PL). Na pesquisa Quaest divulgada em 21 de setembro, Lula apareceu com 37% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio com 33%. Foram entrevistados 2.004 eleitores entre 17 e 20 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-06004/2026.

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Bolsa Família vira principal peça da agenda social

A medida de impacto mais imediato é o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, anunciado em 17 de setembro. O piso do programa passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio sobe de R$ 675 para cerca de R$ 777. Os novos valores começam a valer na folha de outubro.

O governo afirma que o aumento corresponde à reposição da inflação acumulada pelo INPC desde 2023 e que a legislação do programa permite a atualização. Segundo o Ministério do Planejamento, o impacto adicional será de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de aproximadamente R$ 22 bilhões em 2027.

O momento do anúncio, a 17 dias do primeiro turno, tornou a medida alvo da oposição. Flávio Bolsonaro classificou o reajuste como um “ato de desespero”. O governo rejeita a acusação de uso eleitoral e sustenta que a mudança é uma recomposição do poder de compra das famílias atendidas pelo programa.

O reajuste também provocou questionamentos na Justiça Eleitoral. Uma ação apresentada pelo candidato Renan Santos (Missão) pediu a suspensão do aumento, mas o processo foi extinto pelo ministro André Mendonça sem análise sobre a legalidade da correção. A decisão, portanto, não estabeleceu se o reajuste é permitido ou proibido pela legislação eleitoral.

Canetas emagrecedoras entram na agenda do SUS

Outra frente aberta pelo governo envolve os medicamentos da classe GLP-1, conhecidos como canetas emagrecedoras. Lula e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciaram a intenção de disponibilizar esse tipo de tratamento pelo Sistema Único de Saúde para pacientes com obesidade que atendam aos critérios médicos definidos pela rede pública.

A oferta, porém, ainda não começou de forma ampla. Em 24 de setembro, o Ministério da Saúde protocolou na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) um novo pedido para avaliar a inclusão desses medicamentos no sistema público.

A Conitec terá de analisar evidências de eficácia, segurança, custo e impacto orçamentário antes de uma decisão. O governo também trabalha na elaboração dos protocolos que deverão estabelecer quais pacientes poderão receber os medicamentos e em quais condições.

O Ministério da Saúde argumenta que o cenário mudou com o aumento da concorrência e a redução de preços desses medicamentos. A pasta também acompanha estudos realizados com pacientes do SUS para avaliar os efeitos do tratamento da obesidade em situações como doenças cardiovasculares e preparação para cirurgia bariátrica.

Fim das bets amplia pacote de proteção às famílias

A terceira frente ganhou força na sexta-feira (25), quando Lula assinou a Medida Provisória 1.394/2026, que determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no Brasil. A regra alcança apostas esportivas e jogos de cassino on-line.

A MP já produz efeitos, mas precisa ser analisada pelo Congresso Nacional para continuar válida. As plataformas autorizadas entraram em um período de transição: novos aportes foram interrompidos, os usuários têm prazo para retirar recursos e os sites e aplicativos deverão sair do ar em outubro, conforme o cronograma estabelecido pelo governo.

Lula tem associado a decisão principalmente ao endividamento das famílias e aos efeitos do vício em jogos. O Ministério da Saúde também passou a tratar o crescimento das apostas como uma questão de saúde pública.

A ofensiva contra as bets ganhou espaço na própria campanha presidencial. O tema passou a aparecer em discursos e publicações de Lula, enquanto empresas do setor, clubes de futebol e adversários políticos questionam os impactos econômicos e jurídicos da decisão.

Medidas chegam em momento de disputa apertada

A concentração dos anúncios ocorre em uma fase na qual Lula e Flávio Bolsonaro tentam ampliar seus respectivos eleitorados antes da votação de 4 de outubro. Diferentes pesquisas mostram os dois candidatos concentrando a maior parcela das intenções de voto, mas os percentuais variam de acordo com o instituto.

Na Quaest divulgada em 21 de setembro, Lula registrou 37% no primeiro turno, contra 33% de Flávio. Augusto Cury (Avante) apareceu com 6%, Ronaldo Caiado (PSD) com 4%, Renan Santos (Missão) com 3% e Romeu Zema (Novo) com 1%.

No cenário de segundo turno testado pela mesma pesquisa, Flávio marcou 42% e Lula 41%, diferença dentro da margem de erro. O resultado caracteriza empate técnico e não permite apontar um vencedor da eventual disputa.

Flávio intensifica busca pelo voto útil

Enquanto Lula amplia a exposição das medidas do governo, a campanha de Flávio Bolsonaro tenta atrair eleitores que hoje declaram voto em outras candidaturas. A ofensiva pelo chamado voto útil tem como alvo principalmente apoiadores de Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema.

As campanhas adversárias acompanham esse movimento. A estratégia busca concentrar votos no candidato do PL ainda no primeiro turno, enquanto os demais concorrentes tentam preservar seus próprios espaços na disputa.

A campanha de Lula também trabalha para atrair eleitores de candidatos com percentuais menores. Com isso, a reta final passa a combinar duas frentes: de um lado, a divulgação das medidas adotadas pelo governo; de outro, a tentativa das duas principais campanhas de ampliar seus percentuais antes da abertura das urnas.

Debate da Globo será último grande encontro antes da votação

O próximo evento de grande exposição nacional será o debate da TV Globo, marcado para quinta-feira, 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno. Flávio Bolsonaro avalia participar, enquanto Lula ainda não havia confirmado oficialmente sua presença até esta segunda-feira (28).

A agenda de Lula nos dias anteriores ao primeiro turno deverá manter em evidência o reajuste do Bolsa Família, a política de combate às bets e outras medidas sociais do governo. Flávio, por sua vez, segue concentrando parte da campanha nas críticas à gestão petista e na tentativa de atrair votos de outras candidaturas.

Com a votação marcada para 4 de outubro, o efeito eleitoral das medidas anunciadas pelo governo ainda não pode ser determinado. As próximas pesquisas poderão mostrar se houve mudança nas intenções de voto depois da sequência de anúncios feita por Lula na segunda metade de setembro.

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