Pacote de gastos de Lula em ano eleitoral chega a R$ 215 bi, em 2022 Bolsonaro desembolsou R$ 41,2 bi

Estudo realizado para a XP soma gastos, crédito subsidiado e renúncias de receita; governo diz que as medidas protegem a renda das famílias, e a oposição fala em eleitoralismo
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, nas últimas semanas, um conjunto de medidas que mobilizam cerca de R$ 215 bilhões, segundo realizado para a XP pelo pesquisador Marcos Mendes, do Insper. O valor reúne gastos públicos, crédito subsidiado, fundos e renúncias de receita, e recoloca em debate o que aconteceu em 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro (PL) aprovou a chamada PEC Kamikaze.

A pergunta que divide governo e oposição é a mesma de quatro anos atrás: até que ponto um governo usa a máquina pública para melhorar a vida da população e até que ponto tenta influenciar a eleição?

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Entenda o que aconteceu

Entre as medidas anunciadas ou em discussão estão:

  • reajuste do Bolsa Família, de R$ 600 para R$ 691;
  • subsídios e renúncias de até R$ 7 bilhões para baixar o preço dos combustíveis;
  • R$ 500 milhões para ampliar descontos do Minha Casa, Minha Vida;
  • R$ 4 bilhões para financiar veículos pelo programa Move Brasil;
  • R$ 4 bilhões para o Desenrola Adimplentes;
  • até R$ 4,6 bilhões para incorporar canetas emagrecedoras ao SUS.

Quanto custa o novo Bolsa Família

O reajuste do benefício teria custo adicional estimado em R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027. A diferença entre os dois anos mostra que a conta maior fica para o próximo governo, seja quem for o vencedor da eleição.

O que muda nos combustíveis

As ações para reduzir o preço nas bombas podem gerar impacto próximo de R$ 7 bilhões por mês. Desse total, cerca de R$ 5 bilhões são subsídios ao diesel e aproximadamente R$ 2 bilhões são renúncias tributárias sobre gasolina e etanol.

O que Bolsonaro fez em 2022

Naquele ano eleitoral, o Congresso aprovou a PEC Kamikaze, que abriu espaço para cerca de R$ 41,2 bilhões em despesas fora das regras fiscais da época. O principal destaque foi a ampliação do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 por mês. O pacote também criou benefícios para caminhoneiros e taxistas e cortou impostos federais sobre combustíveis para tentar segurar a inflação. A oposição de então acusou o governo de usar dinheiro público para melhorar seu desempenho nas urnas.

O tamanho do pacote muda a comparação?

Os programas têm naturezas diferentes. Em 2022, o foco estava na transferência de renda e no alívio dos combustíveis, em meio a uma inflação alta. Em 2026, o governo combina benefício social, subsídio, crédito, habitação popular e gasto em saúde.

No papel, a distância é grande: R$ 41,2 bilhões da PEC Kamikaze contra R$ 215 bilhões estimados pelo Insper. O valor de 2026 inclui crédito subsidiado, fundos e renúncias, e não apenas despesa direta, o que exige cuidado na comparação.

O que dizem governo e oposição

O Palácio do Planalto afirma que as iniciativas estimulam a economia, ampliam a proteção social e melhoram a renda das famílias. Partidos de oposição afirmam que o governo intensificou os anúncios às vésperas da campanha e acusam o presidente de usar a estrutura do Estado para se manter no poder. Trata-se de acusação política, e não de conclusão de órgão de fiscalização.

Entenda o contexto

Governos de diferentes partidos já foram acusados por adversários de acelerar gastos e lançar programas populares em anos de eleição, e o debate sobre o limite entre política pública e uso eleitoral acompanha a democracia brasileira há décadas. O tema tende a ganhar peso até o primeiro turno, porque os gastos públicos voltaram ao centro da disputa presidencial e devem seguir como um dos principais assuntos da campanha de 2026.

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