Romeu Zema (Novo) enfrenta uma crescente pressão interna para abandonar a disputa presidencial e declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL) ainda no primeiro turno. Apesar das articulações nos bastidores e das dificuldades enfrentadas pela campanha, pessoas próximas ao ex-governador de Minas Gerais afirmam que ele pretende permanecer na corrida ao Palácio do Planalto até a votação de 4 de outubro.
Nos últimos dias, aliados e lideranças ligadas ao Novo passaram a discutir com mais intensidade a possibilidade de uma convergência em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro. A avaliação de parte desse grupo é que o movimento poderia fortalecer o campo da direita na reta final da campanha.
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Mateus Simões teria pedido liberação para apoiar Flávio
Um dos episódios que ampliaram as especulações ocorreu em Minas Gerais, principal base política de Zema. Segundo fontes ligadas à campanha de Mateus Simões (PSD) e integrantes do Novo mineiro, o governador e candidato à reeleição teria solicitado a Zema autorização para declarar apoio público a Flávio Bolsonaro ainda no primeiro turno.
De acordo com esses relatos, o pedido foi rejeitado pelo presidenciável. Nos bastidores, aliados de Simões avaliam que a associação ao candidato do PL poderia ajudar sua campanha na tentativa de alcançar uma vaga no segundo turno da disputa pelo governo de Minas.
A movimentação ocorre em um momento em que Simões busca ampliar sua presença entre os eleitores identificados com o campo conservador e bolsonarista no estado.
Apoios a Flávio geram desconforto dentro do Novo
Outra frente de desgaste para Zema envolve lideranças do Novo que já manifestaram apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Entre elas está Marco Antônio Costa, conhecido como Superman, candidato ao Senado pelo partido. Desde o início da campanha, ele tem participado de eventos ao lado de Flávio e defendido a união das forças de direita em torno do candidato do PL.
Nesta segunda-feira (28), após a declaração de apoio do senador Carlos Viana (PSD) a Flávio Bolsonaro, Superman voltou a defender a concentração de apoios no presidenciável.
“Tem o apoio de Flávio Bolsonaro e todos deveriam se unir em torno do candidato do PL para tirar o PT do poder”, afirmou.
Movimentos em outros estados aumentam rumores
As dificuldades enfrentadas por Zema não se restringem a Minas Gerais. Em São Paulo, a desistência de Ricardo Salles da disputa pelo Senado para apoiar André do Val (PL) foi interpretada por integrantes do Novo como mais um sinal de aproximação de setores da direita com a candidatura de Flávio Bolsonaro.
O episódio alimentou avaliações de que parte dos aliados do ex-governador mineiro estaria migrando para projetos políticos alinhados ao PL nesta reta final de campanha.
Zema reafirma candidatura
Apesar das especulações e da pressão interna, Zema tem sinalizado publicamente que pretende permanecer na disputa presidencial.
Nesta segunda-feira (28), durante agenda em cidades do interior de Minas Gerais, o candidato participou de encontros políticos em Ipanema, no Vale do Rio Doce, e voltou a descartar uma saída da corrida eleitoral.
“Vou ficar o tempo todo em campo. Vou levar minha proposta até o final”, declarou.
Até o momento, o Novo não anunciou qualquer mudança na estratégia da campanha presidencial, e interlocutores de Zema sustentam que a candidatura será mantida até o primeiro turno.