Ilustrador desclassificado por uso de IA volta ao Prêmio Jabuti

Caso reacende discussão sobre inteligência artificial na produção editorial; premiação passou a estabelecer regras específicas para o uso da tecnologia.
Redação NC News
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O ilustrador Vicente Pessôa, que esteve no centro de uma polêmica envolvendo o uso de inteligência artificial no Prêmio Jabuti, voltou a aparecer na premiação, segundo informações publicadas pelo Metrópoles. O caso chama atenção porque Pessôa havia sido desclassificado anteriormente após utilizar o Midjourney na criação das imagens de uma edição de “Frankenstein”, de Mary Shelley.

A controvérsia começou em 2023, quando a obra publicada pelo Clube de Literatura Clássica chegou a ser indicada na categoria Ilustração. Na época, o regulamento não previa especificamente como deveriam ser avaliadas obras produzidas com ferramentas de IA, e a Câmara Brasileira do Livro (CBL) decidiu retirar o trabalho da disputa.

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Caso provocou debate sobre inteligência artificial

A participação de Pessôa gerou discussão sobre até que ponto ferramentas de inteligência artificial podem ser consideradas instrumentos utilizados pelo artista e quando passam a substituir uma atividade de natureza autoral.

No projeto de “Frankenstein”, o Midjourney havia sido utilizado para gerar as imagens. A editora responsável argumentou, na ocasião, que o emprego da tecnologia nunca havia sido escondido e que houve participação humana durante todo o processo de elaboração e seleção das ilustrações.

A CBL sustentou que o regulamento daquele ano não contemplava especificamente a utilização de inteligência artificial. Diante da ausência de uma regra expressa, a curadoria deliberou sobre o caso e retirou a obra da disputa.

Jabuti criou regras específicas para IA

A discussão teve reflexos nas edições seguintes. O Jabuti passou a prever expressamente restrições ao uso de inteligência artificial em tarefas consideradas autorais. Em 2026, a CBL voltou a tratar publicamente do tema durante a apresentação da 68ª edição da premiação.

As regras do Jabuti Acadêmico de 2026, por exemplo, estabelecem que ferramentas de IA não podem ser empregadas em tarefas autorais. A organização também informa que o uso indevido da tecnologia pode provocar a desclassificação de uma obra independentemente da etapa da competição.

A discussão não significa uma proibição absoluta de qualquer ferramenta tecnológica no processo editorial. O ponto central estabelecido pelas regras é a utilização da inteligência artificial em atividades que envolvam criação autoral.

Caso envolvendo Vicente Pessôa colocou o uso de inteligência artificial no centro do debate sobre autoria no Prêmio Jabuti.

Premiação chega à 68ª edição

O Prêmio Jabuti chega à 68ª edição em 2026 com 23 categorias. Os dez semifinalistas de cada categoria foram anunciados nesta terça-feira (29), enquanto os cinco finalistas serão conhecidos em 14 de outubro. A cerimônia que revelará os vencedores está marcada para 27 de outubro, na Sala São Paulo.

Além das categorias tradicionais, a edição deste ano estreou a modalidade “Incentivo à Leitura – Cultura Digital”, voltada a criadores de conteúdo que utilizam plataformas digitais para promover livros e incentivar a leitura.

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