Brasil esgota cota e China impõe sobretaxa de 55% sobre carne bovina

A medida começa em 1º de outubro e se soma à tarifa de importação de 12%; governo busca alternativas para reduzir impacto sobre exportações.
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O Brasil esgotou a cota anual de exportação de carne bovina para a China, e os embarques que ultrapassarem o limite passarão a sofrer uma sobretaxa de 55%. A cobrança começa em 1º de outubro e será aplicada pelo restante de 2026. A cota brasileira foi atingida nesta terça-feira (29), segundo o Ministério do Comércio da China. Além da sobretaxa, continua valendo a tarifa de importação de 12% sobre a carne que entra no mercado chinês.

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A sobretaxa começa a valer em outubro

O limite estabelecido pela China para o Brasil em 2026 é de cerca de 1,1 milhão de toneladas. Depois que esse volume foi alcançado, novas cargas ficam sujeitas à tarifa adicional de 55% prevista pela salvaguarda chinesa.

A regra não atinge apenas o Brasil. A China adotou a salvaguarda para diferentes fornecedores de carne bovina como parte de uma política de proteção da indústria nacional diante do aumento das importações.

China é o principal mercado da carne brasileira

A restrição ganha peso para o Brasil porque o mercado chinês tem enorme participação nas exportações do setor. Em 2025, a China respondeu por 48% do volume total de carne bovina exportado pelo país, com 1,68 milhão de toneladas e receita de US$ 8,9 bilhões.

Com a sobretaxa, frigoríficos já adotaram medidas para reduzir o impacto, incluindo férias coletivas e paralisações temporárias em algumas unidades. O efeito esperado é uma diminuição do ritmo de produção voltado ao mercado chinês.

Brasil e China possuem histórico positivo em setores estratégicos | Foto: Reprodução

Governo tenta ampliar espaço para exportação

O governo brasileiro também tenta encontrar alternativas para os embarques. Uma das negociações envolve o uso de parte da cota que ainda restaria ao Uruguai, mas a autorização final depende das autoridades chinesas.

Ao mesmo tempo, o Brasil busca ampliar as vendas para outros destinos. Estados Unidos, Coreia do Sul e Indonésia aparecem entre os mercados considerados importantes para compensar parte do espaço perdido na China.

Salvaguarda deve continuar até 2028

A medida chinesa tem previsão de vigência até 2028, o que aumenta a pressão para que o setor brasileiro encontre novos compradores e reduza a dependência de um único mercado.

Para os próximos meses, a questão central será descobrir quanto das exportações que deixarem de seguir para a China poderá ser redirecionado para outros países e qual será o impacto dessa mudança sobre frigoríficos, pecuaristas e o mercado interno brasileiro.

 

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