Vorcaro disse que precisava ‘frear Joesley’ para evitar ‘guerra’ durante negociação com BRB

Mensagens revelam esforços para conter Joesley Batista em disputa bilionária envolvendo BRB e Banco Master.
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Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro revelam que o então dono do Banco Master discutiu formas de reagir a uma movimentação atribuída ao empresário Joesley Batista durante as negociações para a operação de R$ 12 bilhões envolvendo o Master e o Banco de Brasília (BRB). Em uma das conversas, de maio de 2025, Vorcaro afirmou ao advogado Walfrido Warde que precisava “frear” Joesley para evitar uma “guerra”.

Os diálogos ocorreram enquanto o Banco Central analisava a operação entre as duas instituições financeiras. Segundo o conteúdo divulgado, Vorcaro acreditava que Joesley e Wesley Batista atuavam para dificultar o negócio. A J&F contesta essa versão e afirma que nunca teve interesse em adquirir o Banco Master nem em interferir nas negociações com o BRB.

As mensagens também mostram discussões sobre interlocução política e sobre a necessidade, na avaliação de Vorcaro, de preservar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de possíveis desgastes. A existência dessas conversas não demonstra que Lula tenha participado das estratégias discutidas ou tomado medidas para favorecer o Master.

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Vorcaro fala em “guerra” envolvendo Joesley

Em 13 de maio de 2025, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, relatou a Vorcaro uma movimentação atribuída a Joesley e Wesley Batista. Segundo a conversa divulgada, os empresários teriam procurado o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e manifestado preocupação com a operação envolvendo Master e BRB.

Dois dias depois, Vorcaro conversou sobre o assunto com Walfrido Warde e demonstrou preocupação com a possibilidade de o embate se intensificar.

“Tenho que frear esse Joesley senão vai entrar numa guerra. [A] maior que já houve na história.”

Warde perguntou como poderia ajudar. Vorcaro respondeu que precisava pensar em uma estratégia porque acreditava que Joesley iria “pra cima”.

O advogado sugeriu que o banqueiro procurasse o empresário para conversar diretamente.

Joesley é um empresário brasileiro, reconhecido por seus sucessos e suas polêmicas | Foto: Reprodução

Mensagens mencionam estratégia e proteção a Lula

As conversas também mostram Vorcaro e Warde discutindo os possíveis efeitos políticos da disputa.

Em um dos diálogos, Vorcaro escreveu que era necessário “blindar PR”, expressão interpretada no contexto das mensagens como referência ao presidente da República.

Vorcaro havia se reunido com Lula no Palácio do Planalto em dezembro de 2024. Outras mensagens apreendidas pela Polícia Federal já revelaram tentativas de interlocução do banqueiro e de pessoas próximas a ele com integrantes do governo e da base aliada.

Não há, porém, evidência nas mensagens divulgadas de que Lula tenha adotado alguma medida para favorecer o Banco Master na operação com o BRB. O Palácio do Planalto também já contestou relatos sobre o grau de proximidade entre Vorcaro e o presidente.

Após a conversa sobre Joesley, Vorcaro e Warde realizaram duas chamadas de voz, com duração de 1 minuto e 57 segundos e 1 minuto e 2 segundos.

Em outra mensagem, Warde afirmou que tinha uma informação que deveria ser discutida pessoalmente.

“Tenho uma coisa aqui muito importante pra falar com vc pra alvejarmos os inimigos. Oportunidade única. Pessoalmente na segunda. Você vai amar.”

Vorcaro respondeu:

“Ok. Vamos.”

O conteúdo das ligações não está disponível nas mensagens de texto divulgadas.

Caso Master tem apresentado novos personagens e cada vez mais poderosos | Foto: Reprodução

J&F nega ofensiva contra negócio com BRB

A J&F, holding controlada pela família Batista, negou ter atuado para impedir a negociação entre Master e BRB.

Segundo a empresa, o grupo avaliou ativos que haviam sido oferecidos pelo Banco Master em 2025, mas desistiu de avançar depois que assessores jurídicos concluíram que eles não tinham o valor esperado pelos vendedores.

A companhia também afirmou que nunca teve interesse em comprar o Banco Master e negou envolvimento na operação com o banco público do Distrito Federal.

As informações divulgadas apontam ainda que uma das negociações envolvendo as partes dizia respeito à Kovr Participações, seguradora ligada a Vorcaro. A eventual aquisição de ativos, entretanto, não foi concluída.

Mensagens anteriores citam irmãos Batista e governo

Joesley e Wesley Batista já haviam aparecido em outras conversas encontradas no celular de Vorcaro.

Em julho de 2024, Fernando Mascarenhas Filho, então diretor comercial do Master, comentou com o banqueiro sobre a percepção de que a instituição tinha proximidade com o governo federal, comparando a situação à relação atribuída aos irmãos Batista.

“Única coisa que falaram que somos próximos do governo, igual irmãos Batista são. O que é verdade rsrs.”

Vorcaro respondeu:

“kkkk. Isso aí é mkt pra nós. Manda pro Lula e pra base aliada.”

Esse diálogo já integra o conjunto de mensagens analisadas nas investigações sobre a rede de contatos mantida pelo banqueiro. A existência das conversas, isoladamente, não comprova que autoridades mencionadas tenham participado de irregularidades.

Operações entre Master e BRB estão sob investigação

As relações entre o Banco Master e o BRB se tornaram uma das principais frentes das investigações da Polícia Federal.

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes relacionadas à cessão de carteiras de crédito em operações que chegaram a aproximadamente R$ 12 bilhões. O conteúdo do celular de Vorcaro passou a ser uma das fontes utilizadas pelos investigadores para reconstruir contatos e decisões tomadas durante o período.

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro de 2025. Desde então, mensagens, reuniões e negociações mantidas por Vorcaro com empresários, políticos, advogados e executivos do sistema financeiro passaram a ser analisadas no contexto das diferentes apurações.

As novas conversas acrescentam elementos sobre a disputa empresarial que ocorria enquanto a operação com o BRB era discutida, mas não comprovam, por si só, que Joesley Batista tenha tentado interferir no processo ou que autoridades políticas tenham atuado para beneficiar qualquer um dos grupos envolvidos.

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