Lipedema pode atingir 12,3% das mulheres; conheça os principais sintomas

Estimativa vem de estudo brasileiro com 253 mulheres; condição crônica provoca acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nas pernas, e pode causar dor, inchaço e sensibilidade
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O lipedema, doença crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de tecido adiposo principalmente nos membros inferiores, pode atingir 12,3% das mulheres adultas brasileiras. A estimativa chama atenção para uma condição que ainda é frequentemente confundida com obesidade, linfedema e outras alterações na distribuição de gordura.

O percentual vem de um estudo brasileiro realizado com 253 mulheres por meio de um questionário de rastreamento on-line previamente validado. Entre as participantes, 12,3% apresentaram sintomas compatíveis com alta probabilidade de diagnóstico de lipedema.

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O que é o lipedema?

O lipedema provoca uma distribuição desproporcional e geralmente simétrica de gordura, afetando principalmente quadris, glúteos, coxas e pernas. Além da alteração corporal, a condição pode ser acompanhada por dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso, inchaço e facilidade para o surgimento de hematomas.

A doença ocorre quase exclusivamente em mulheres e pode se manifestar ou apresentar mudanças em períodos associados a alterações hormonais, como puberdade, gravidez e menopausa.

Pesquisa aponta prevalência de 12,3%

O levantamento brasileiro buscou estimar a prevalência do lipedema e identificar fatores de saúde relacionados à condição. Das 253 mulheres que responderam ao questionário, 12,3%, com margem de quatro pontos percentuais para mais ou para menos em um intervalo de confiança de 95%, apresentaram sintomas compatíveis com alta probabilidade diagnóstica.

O estudo também identificou correlação entre uma alta probabilidade de lipedema e condições como ansiedade, depressão, hipertensão e anemia. A existência dessa associação, porém, não significa necessariamente que o lipedema seja a causa dessas condições.

A estimativa de prevalência de 12,3% também foi incorporada ao Consenso Brasileiro de Lipedema, elaborado por especialistas.

Estimativa não equivale a diagnóstico clínico

Apesar do percentual expressivo, há uma ressalva importante. O levantamento foi realizado por meio de um questionário de rastreamento e não por exames clínicos presenciais em todas as participantes.

Isso significa que os 12,3% representam mulheres com sintomas sugestivos e alta probabilidade de diagnóstico. A prevalência real da doença na população brasileira ainda apresenta incertezas e depende de novos estudos epidemiológicos.

Lipedema pode ser confundido com obesidade

Uma das dificuldades está justamente no reconhecimento da doença. O lipedema pode ser confundido com obesidade, linfedema e outras condições, o que contribui para diagnósticos tardios.

Embora uma pessoa possa apresentar obesidade e lipedema simultaneamente, as condições não são equivalentes. No lipedema, a distribuição do tecido adiposo tende a ser desproporcional e simétrica e pode estar acompanhada de sintomas como dor e sensibilidade.

Diagnóstico é principalmente clínico

Não existe atualmente um único exame laboratorial ou marcador capaz de confirmar isoladamente o lipedema. O diagnóstico é baseado principalmente na avaliação clínica, no histórico da paciente e no exame físico, além da exclusão de outras condições que possam provocar sintomas semelhantes.

O Consenso Brasileiro de Lipedema considera a doença complexa e aponta a necessidade de abordagem multiprofissional.

Tratamento busca controlar os sintomas

O tratamento é definido de acordo com as características e necessidades de cada paciente. Medidas conservadoras podem envolver atividade física, acompanhamento nutricional e terapia compressiva, entre outras estratégias indicadas por profissionais de saúde.

O objetivo é controlar sintomas, preservar a mobilidade e melhorar a qualidade de vida. Procedimentos cirúrgicos podem ser considerados em situações específicas após avaliação médica, mas não representam a primeira opção para todas as pacientes.

Mulheres que apresentem aumento desproporcional do volume das pernas associado a dor, sensibilidade, inchaço ou aparecimento frequente de hematomas devem procurar avaliação profissional para investigar a causa dos sintomas.

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