O cancelamento do último debate presidencial da TV Globo antes do primeiro turno retirou do eleitor uma oportunidade de comparar diretamente propostas e posicionamentos dos candidatos, na avaliação de Luiz Armando, Davidson Cavalcante e Celso Costa Júnior durante o NC News Acontece desta sexta-feira (2).
Os dois analistas políticos e o editor nacional de Política do NC News discutiram a sequência de decisões judiciais e movimentações das campanhas que antecedeu o cancelamento. Lula (PT) já havia decidido não participar do encontro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) alterou regras relacionadas à ausência do presidente, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a participação de Renan Santos (Missão) e Flávio Bolsonaro (PL) anunciou posteriormente que também não compareceria.
LEIA TAMBÉM
Debate teve Lula fora, Renan barrado e liberado, desistência de Flávio e cancelamento da transmissão
Luiz Armando questiona mudanças nas regras
Para Luiz Armando, as intervenções ocorridas poucas horas antes do debate modificaram condições que já haviam sido negociadas entre a emissora e representantes das campanhas.
O analista político defendeu que o acordo estabelecido previamente deveria ter sido preservado e classificou como indevida a interferência nas regras do encontro. A avaliação representa a opinião do comentarista sobre as decisões judiciais.
“Os candidatos, todos os candidatos, anuíram às regras do debate, ou seja, os representantes assinaram um acordo.”
Luiz Armando também avaliou que o principal efeito para o público foi a perda do confronto direto entre os presidenciáveis.
“Quem foi prejudicado foi o eleitor, que não pôde ver ao vivo as propostas, o que o candidato tem para mudar o Brasil, para melhorar o país.”
Davidson critica campanha marcada por conflitos
Davidson Cavalcante ampliou a análise para o cenário da campanha presidencial e afirmou que os conflitos envolvendo candidatos e decisões judiciais têm ocupado espaço que, na visão dele, deveria ser dedicado às propostas.
“É uma eleição vazia, é uma eleição morta, é uma eleição de ataques.”
O analista também demonstrou preocupação com o efeito que disputas judiciais de última hora podem provocar na organização de futuros encontros entre candidatos.
“Esse tipo de interferência em debate vai abrir muitos precedentes. Daqui a pouco ninguém vai querer mais fazer debate, o que é ruim para a sociedade, é ruim para o eleitor.”
A possibilidade de outros debates deixarem de ser realizados é uma projeção de Davidson e não uma consequência confirmada do episódio.
Para ele, os próprios candidatos também têm responsabilidade pela qualidade dos encontros eleitorais e deveriam utilizar esses espaços para explicar o que pretendem fazer caso sejam eleitos.
Celso Costa Júnior destaca impacto para o eleitor
Celso Costa Júnior, editor nacional de Política do NC News, destacou a importância histórica dos debates presidenciais na reta final das eleições e também avaliou que a principal perda foi da população.
“O grande derrotado, infelizmente, o maior prejudicado foi o povo brasileiro.”
Celso afirmou que o debate representaria uma das últimas oportunidades antes do primeiro turno para que os eleitores acompanhassem os candidatos no mesmo ambiente, respondendo perguntas e confrontando propostas.
O editor também chamou atenção para o espaço ocupado pelo Judiciário durante a campanha e defendeu que as instituições preservem os limites de suas atribuições. As críticas feitas durante o programa representam a análise política dos participantes e não uma conclusão do NC News sobre a legalidade das decisões.
Lula e Flávio falaram separadamente pela internet
Sem o debate, Lula e Flávio Bolsonaro buscaram caminhos diferentes para falar ao público na noite de quinta-feira (1º).
Lula participou do Flow Podcast, enquanto Flávio realizou uma transmissão própria. Durante o NC News Acontece, os comentaristas avaliaram que os dois formatos alcançaram públicos distintos.
Um levantamento acompanhado pelo NC News às 22h40 mostrou 1.640.193 espectadores simultâneos no canal do Flow durante a participação de Lula e outros 153.683 no canal do presidente. No mesmo horário, a transmissão de Flávio registrava 534.560 espectadores simultâneos.
Os números representam apenas um recorte daquele momento e não correspondem ao total de visualizações nem à audiência média de cada transmissão.
Decisões mudaram cenário horas antes do programa
O debate estava marcado para a noite de quinta-feira (1º), último dia permitido pela legislação eleitoral para a realização de confrontos no rádio e na televisão antes do primeiro turno.
Ao longo do dia, porém, a configuração do encontro mudou. Lula já havia confirmado que não iria à Globo. O TSE determinou alterações nas regras previstas para candidatos ausentes, enquanto Gilmar Mendes autorizou Renan Santos a participar do programa.
Flávio Bolsonaro anunciou então que não compareceria. Diante da sucessão de mudanças, a Globo decidiu cancelar o debate.
Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos estavam entre os candidatos que poderiam participar do confronto.
Eleitor chega às urnas sem último confronto na TV
A avaliação comum apresentada por Luiz Armando, Davidson Cavalcante e Celso Costa Júnior foi de que a noite terminou sem o espaço de comparação direta que o debate proporcionaria.
Para os comentaristas, independentemente das divergências envolvendo emissora, campanhas e Judiciário, o eleitor deixou de acompanhar um dos principais momentos previstos para a reta final da eleição presidencial.
O primeiro turno das Eleições 2026 acontece neste domingo (4). Luiz Armando e Davidson Cavalcante também participam da cobertura especial do NC News durante o plantão das eleições.