A disputa pelas duas vagas ao Senado por São Paulo entra em reta decisiva com um empate técnico entre Marina Silva (Rede), André do Prado (PL), Simone Tebet (PSB) e Guilherme Derrite (PP). Pesquisas recentes de Datafolha e Gerp revelam um cenário embolado, com alta taxa de indecisos e forte potencial de mudança até o dia da votação.
Cenário embolado nas pesquisas e voto duplo
No levantamento do Datafolha, registrado sob o protocolo SP-01367/2026, Marina aparece com 16% das intenções de voto estimuladas. Logo atrás surgem André do Prado e Simone Tebet, ambos com 15%, e Guilherme Derrite com 14%. Pelas regras estatísticas, todos estão em empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.
O instituto ouviu 1.610 eleitores entre os dias 28 e 30 de setembro, em entrevistas presenciais. O nível de confiança é de 95%, o que significa que, em 100 pesquisas semelhantes, 95 tenderiam a apresentar resultados dentro da margem de erro. Os números consideram as menções somadas à primeira e à segunda vagas, já que cada eleitor poderá escolher dois nomes para o Senado em 2026.
Entre os demais candidatos testados pelo Datafolha, nenhum rompe a barreira de 2%. Geraldo Rufino (Podemos), Soninha Francine (Cidadania), Marcio Alves (UP), Maíra de Souza (UP) e Guto Schiavetto (Missão) oscilam entre 1% e 2%. Dra. Eliana Ferreira (PSTU), William Teixeira (Agir), Ednelson Cesaretti (PCO), Petter Maahs (PCB) e Weller Gonçalves (PSTU) aparecem com, no máximo, 1%.
Salles (Novo), que anunciou a retirada da candidatura após o registro do levantamento, ainda surge com 2% da preferência. Pela legislação eleitoral, o nome segue incluído na pesquisa enquanto constar como candidato apto na Justiça Eleitoral. Esse percentual tende a migrar para outros concorrentes, sobretudo no campo de centro-direita.
Indecisos em massa e eleitor volátil
A fotografia mais inquietante para as campanhas surge na pesquisa espontânea do Datafolha, quando o entrevistador não apresenta a lista de nomes. Nesse cenário, 53% dos eleitores dizem não saber em quem votar para o Senado ou não conseguem lembrar nenhum candidato. A cifra revela um eleitorado desmobilizado e ainda pouco conectado à disputa legislativa.
Mesmo entre quem já tem algum nome em mente, o quadro é fragmentado. Derrite, Tebet e Marina registram 9%, 8% e 8% das menções espontâneas, respectivamente, enquanto André do Prado soma 5%. Em branco e nulos chegam a 8%, e outras respostas somam 9%. O eleitor médio, portanto, ainda não consolidou um segundo voto nem, em muitos casos, o primeiro.
A pesquisa da Gerp reforça a leitura de que a corrida está aberta. No cenário estimulado em que se somam os dois votos possíveis por eleitor, Derrite lidera com 38% das intenções. Simone Tebet e Marina Silva aparecem empatadas com 29%, e André do Prado vem logo atrás com 28%, também em empate técnico na briga pela segunda cadeira.
O instituto Gerp entrevistou 1.500 eleitores, por telefone, entre 28 e 30 de setembro. A margem de erro é de 2,6 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95,55%. Os demais nomes testados não ultrapassam 2%. Soninha Francine e Geraldo Rufino aparecem com 2% cada. Marcio Alves, Dra. Eliana Ferreira e Maíra de Souza registram 1% na soma dos votos.
Duas vagas, muitos partidos e disputa ideológica
A eleição deste ano renova duas das três cadeiras do Senado por São Paulo, o que torna a escolha mais complexa para o eleitor. Não é possível repetir o mesmo nome duas vezes. A necessidade de combinar dois votos abre espaço para alianças informais entre campanhas e para estratégias cruzadas, em que um candidato busca se apresentar como “segundo voto” de diferentes segmentos.
A lista de concorrentes reflete a fragmentação partidária e ideológica do estado. Marina Silva, pela Rede, tenta firmar um discurso ambientalista e de centro-esquerda. Simone Tebet, no PSB, aposta em uma imagem moderada, com interlocução em diferentes campos. André do Prado, do PL, busca consolidar o eleitorado conservador. Guilherme Derrite, do PP, se apoia no discurso de segurança pública.
Ao redor desse núcleo competitivo, candidatos como Geraldo Rufino, Soninha Francine, nomes ligados à esquerda mais radical, como Dra. Eliana Ferreira, Maíra de Souza, Petter Maahs e Weller Gonçalves, além de siglas menores como Agir, PCO e Missão, tentam se viabilizar como alternativas ou puxadores de votos para seus partidos.
A diversidade de perfis responde também a uma disputa maior: a composição da bancada paulista no Senado e seu peso nas negociações em Brasília. Quem ocupar as duas vagas terá influência direta em temas como reformas econômicas, políticas ambientais, segurança pública e o relacionamento com o governo federal.
Alta indefinição mexe com estratégias de campanha
A soma de 44% de eleitores que “não sabem em quem votar” e 23% que declaram “não votar em nenhum” dos nomes testados na pesquisa Gerp indica um campo vasto ainda em disputa. Essa parcela supera, com folga, a distância entre os quatro principais candidatos, o que torna qualquer projeção eleitoral arriscada neste momento.
As campanhas tendem a reagir com mais exposição de candidatos, intensificação de agendas regionais e investimentos em publicidade, inclusive na tentativa de transformar o segundo voto em ativo decisivo. Numa disputa em que poucos pontos percentuais separam os favoritos, a capacidade de mobilizar apoiadores e fidelizar o eleitor indeciso pode definir o resultado.
A retirada de Salles pelo Novo, embora ainda não refletida integralmente nas pesquisas, pressiona o partido a negociar apoio ou, ao menos, sinalizar uma preferência. O destino desses 2% medidos pelo Datafolha, somados a eventuais simpatizantes que não foram captados, interessa sobretudo a postulantes que disputam o eleitorado liberal e conservador urbano.
Até a abertura das urnas, o quadro tende a permanecer volátil. Novos levantamentos de Datafolha, Gerp e outros institutos devem medir o efeito de debates, alianças e eventuais crises de campanha. Em um ambiente de empate quádruplo e indecisão elevada, qualquer movimento errado pode custar uma vaga, e qualquer acerto de comunicação pode colocar um nome, hoje na margem, no centro da disputa.
Quem lidera hoje as pesquisas para o Senado em SP?
Guilherme Derrite (PP) lidera na pesquisa Gerp com 38% na soma dos dois votos por eleitor, enquanto Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB) e André do Prado (PL) aparecem embolados, entre 28% e 29%; no Datafolha, Marina, Tebet, Derrite e André estão em empate técnico, todos entre 14% e 16%.
Quantas vagas para senador estão em disputa em São Paulo?
Duas vagas ao Senado estão em disputa por São Paulo em 2026, e cada eleitor poderá votar em dois candidatos diferentes, sem repetir o mesmo nome; esse formato obriga as campanhas a buscarem não só o “primeiro voto”, mas também se tornarem a opção de “segundo voto” de vários segmentos do eleitorado paulista.
Por que há tantos eleitores indecisos para o Senado em SP?
Mais de 50% dos eleitores se declaram indecisos na pesquisa espontânea do Datafolha, e 44% “não sabem em quem votar” na Gerp porque a disputa ao Senado recebe menos atenção que a corrida ao Executivo, os nomes ainda são pouco conhecidos fora de nichos e o voto duplo torna a escolha mais complexa para grande parte do eleitorado.