A abstenção e o chamado voto útil podem ter peso no comportamento do eleitor brasileiro neste primeiro turno das Eleições 2026. A avaliação é do cientista político Tiago Valenciano, que aponta mudanças demográficas, desmotivação entre os jovens e insatisfação com a política como fatores que podem influenciar o comparecimento às urnas neste domingo (4).
Segundo Valenciano, a abstenção tem apresentado crescimento nas últimas eleições e pode manter essa trajetória em 2026. Para ele, um dos elementos que ajudam a explicar esse movimento é o envelhecimento da população brasileira.
O especialista também chama atenção para as decisões tomadas na reta final da eleição. Ele avalia que eleitores podem recorrer ao voto útil diante da expectativa de levar determinado candidato ao segundo turno ou, no sentido contrário, de tentar encerrar uma disputa já no primeiro turno.
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Envelhecimento pode influenciar abstenção
Ao analisar o comportamento eleitoral, Valenciano relaciona parte do avanço da abstenção às mudanças na pirâmide etária brasileira.
“A população brasileira tem envelhecido. A população está ficando mais velha e, quando ela fica mais velha, necessariamente ela não tem mais a obrigatoriedade de votar.”
No Brasil, o voto é facultativo para pessoas com 70 anos ou mais. Na avaliação do cientista político, fatores externos também podem influenciar a decisão desse grupo de comparecer ou não às urnas.
Valenciano cita as condições meteorológicas como exemplo, especialmente em regiões atingidas por chuva neste domingo.
“O idoso, num dia de chuva, que é o que tem acontecido muito aqui na região Sul-Sudeste do Brasil, nessas duas regiões em especial, o eleitor acaba desistindo de votar e prefere ficar em casa porque ele não tem mais aquela obrigatoriedade do voto.”
Desmotivação dos jovens também entra na análise
O cientista político também aponta o comportamento dos eleitores mais jovens como outro elemento que pode ajudar a explicar a abstenção.
Segundo ele, mesmo entre aqueles que tiram o título de eleitor, pode haver menor motivação para participar da votação.
“O próprio jovem, hoje mesmo tirando seu título de eleitor, não se sente tão motivado a votar, acumulado com o fato de que as pessoas estão descontentes com o rumo da política do Brasil, independentemente da esfera governamental, seja municipal, estadual ou nacional.”
Para Valenciano, esse conjunto de fatores pode levar parte do eleitorado a decidir não comparecer às urnas.
Voto útil pode aparecer na reta final
Além da abstenção, Valenciano destaca o voto útil como um comportamento que pode ganhar espaço entre a véspera e o próprio dia da eleição.
Nesse tipo de decisão, o eleitor considera o cenário da disputa ao definir o voto, inclusive pensando na composição de um eventual segundo turno.
“A gente pode ter também, por final das contas, nesse comportamento eleitoral do eleitor brasileiro, de sábado para domingo, uma tendência de um voto útil, ou seja, se o eleitor quer colocar ou não um determinado candidato no segundo turno ou tem, pelo menos, a expectativa na sua cabeça, que a eleição acaba nesse domingo.”
O especialista ressalta que se trata de uma possibilidade relacionada ao comportamento do eleitor, e não de uma indicação sobre qual candidato poderia ser beneficiado.
“Esse é um fator também que pode pesar bastante no resultado eleitoral que a gente vai ver hoje no final do dia.”
Senado também pode ser afetado pelo voto útil
Valenciano avalia que o movimento não está restrito à eleição presidencial e pode aparecer também nas disputas pelo Senado.
“Essa tendência do voto útil também pode acontecer nas eleições para o Senado.”
Neste ano, cada eleitor pode registrar dois votos para senador, já que dois terços das cadeiras da Casa estão em disputa.
Para o cientista político, a composição definida nas urnas terá impacto sobre o funcionamento do Senado a partir do próximo ano.
“É uma eleição que a gente esquece bastante de acompanhar, mas é uma eleição que deve mudar muito os rumos da Câmara Alta do Brasil a partir de 2027.”
A dimensão efetiva da abstenção e do comparecimento só poderá ser conhecida após o encerramento da votação e a consolidação dos dados oficiais pela Justiça Eleitoral.