As pesquisas divulgadas nos dias que antecederam o primeiro turno de 2022 apontavam Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança sobre Jair Bolsonaro (PL). A ordem dos dois candidatos foi confirmada pelas urnas, mas a distância projetada pelos principais institutos foi maior do que a registrada no resultado oficial.
Lula terminou o primeiro turno de 2022 com 48,43% dos votos válidos, enquanto Bolsonaro alcançou 43,20%. A diferença foi de 5,23 pontos percentuais. Nas últimas pesquisas, porém, a vantagem de Lula variava de 8,6 a 14 pontos.
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Bolsonaro terminou acima das pesquisas
O principal desvio ocorreu na votação de Bolsonaro. No Datafolha divulgado na véspera, o então presidente tinha 36% dos votos válidos, contra 50% de Lula. A diferença era de 14 pontos. Nas urnas, Bolsonaro chegou a 43,20%, enquanto Lula ficou em 48,43%.
Na Quaest, Lula aparecia com 49% e Bolsonaro com 38%, uma distância de 11 pontos. A CNT/MDA apontava 48,3% para Lula e 39,7% para Bolsonaro. Já a AtlasIntel registrava 50,3% para o petista e 41,1% para o candidato do PL.
Em todos os quatro levantamentos, portanto, Bolsonaro terminou a eleição com percentual superior ao indicado pela pesquisa. No caso de Lula, o resultado ficou dentro da margem de erro do Datafolha, da Quaest e da CNT/MDA. Na AtlasIntel, os percentuais dos dois candidatos ficaram fora dos intervalos previstos.
O tamanho do erro variou entre os institutos
O Datafolha tinha margem de erro de dois pontos percentuais e ouviu 12.800 eleitores em 310 municípios. A Quaest também trabalhava com margem de dois pontos e entrevistou 3.600 pessoas em 239 municípios.
A CNT/MDA entrevistou 2.002 pessoas e tinha margem de erro de 2,2 pontos. A AtlasIntel ouviu 4.500 eleitores e utilizou margem de erro de um ponto percentual. Os levantamentos foram realizados em períodos próximos, mas adotaram metodologias e amostras diferentes.
O que aconteceu nas urnas
O resultado oficial mostrou uma disputa mais apertada do que a fotografia das pesquisas. Lula recebeu 57.259.504 votos no primeiro turno, equivalentes a 48,43% dos votos válidos. Bolsonaro teve 51.072.345 votos, ou 43,20%.
Isso não significa que as pesquisas tenham funcionado como uma previsão errada de quem terminaria em primeiro. Os quatro levantamentos indicaram Lula na liderança, e o resultado confirmou essa posição. O problema esteve principalmente na dimensão da vantagem e na subestimação do desempenho de Bolsonaro.
Por que 2022 voltou ao debate em 2026
A lembrança de 2022 ganhou importância na eleição deste ano porque a disputa presidencial também chegou à reta final com uma diferença pequena entre os dois principais candidatos. Os últimos levantamentos antes da votação de 2026 mostraram Lula e Flávio Bolsonaro próximos, com resultados diferentes conforme o instituto e dentro das respectivas margens de erro.
A comparação com 2022, porém, precisa ser feita com cautela. Flávio Bolsonaro não é Jair Bolsonaro, a composição da disputa mudou e as pesquisas atuais foram realizadas em outro contexto eleitoral. O desempenho de um instituto em uma eleição anterior não permite determinar, sozinho, a precisão de um levantamento atual.
O caso de 2022 serve, principalmente, para lembrar que pesquisa eleitoral é uma fotografia do momento em que as entrevistas são realizadas. Margem de erro, metodologia, comportamento do eleitor e mudanças na reta final podem fazer com que a distância indicada pelos levantamentos seja diferente daquela registrada nas urnas.
Quatro anos depois, a principal lição é separar duas perguntas: quem aparece na frente e qual é o tamanho real da diferença. Em 2022, a primeira resposta estava correta; a segunda ficou mais distante do resultado final.