O ex-goleiro Danrlei, ídolo do Grêmio, é o único grande nome do futebol que sai das urnas com mandato garantido nas eleições gerais deste domingo. Na contramão do colega, ídolos como Edmundo, Vanderlei Luxemburgo, Luís Fabiano e Marcelinho Carioca fracassam na tentativa de converter fama em votos.
Da arquibancada para a urna, com resultados desiguais
A votação, concluída entre a madrugada e a manhã desta segunda-feira, consolida um retrato nítido: o eleitor não se deixa levar apenas pela idolatria esportiva. Em meio a campanhas centradas em imagem e memória afetiva, a maioria dos ex-jogadores ligados ao futebol não alcança os quocientes exigidos para se eleger.
Danrlei, deputado federal desde o início da década passada, renova o mandato pelo Rio Grande do Sul com 105 mil votos. Na apuração oficial, a Justiça Eleitoral registra que “Danrlei recebeu 105 mil votos e garantiu mais um mandato”, coroando uma trajetória política construída ao longo de vários pleitos consecutivos.
No Rio de Janeiro, o contraste é evidente. Edmundo, ex-atacante e ídolo de Vasco e Palmeiras, tenta uma vaga de deputado federal pelo PSDB e fica longe da cadeira em Brasília. De acordo com o resultado final, “Edmundo recebeu 35.725 votos, tendo 0,40% dos votos. Com esses números, o ex-atleta não conseguiu se eleger”. O número expressivo para um estreante não se converte em mandato num cenário extremamente competitivo.
Luxemburgo estreia na política e esbarra no Senado
No Tocantins, Vanderlei Luxemburgo testa pela primeira vez seu capital de técnico multicampeão em uma disputa para o Senado. O cálculo dos votos mostra que “Vanderlei Luxemburgo recebeu 67.987 votos e terminou a disputa em 7º lugar”. A votação, equivalente a 4,11% dos votos válidos, fica muito abaixo do necessário para uma das duas vagas em jogo.
No Distrito Federal, antigos protagonistas de clássicos nacionais também não conseguem avançar. Washington Coração Valente, candidato a deputado federal pelo MDB, soma 7.503 votos e fica fora da Câmara. Marcelinho Carioca, ídolo corintiano que tenta uma cadeira na Câmara Legislativa pelo Republicanos, termina distante do grupo de eleitos. O boletim de urna registra que “Marcelinho Carioca recebeu 2.494 votos e não conseguiu se eleger”, o que representa 0,15% dos votos válidos para o cargo.
Em São Paulo, o ex-atacante Luís Fabiano, um dos maiores artilheiros da história recente do clube do Morumbi, concorre a deputado federal pelo MDB e também encontra barreiras. Ao fim da apuração, a Justiça Eleitoral informa que “Luís Fabiano terminou a eleição com pouco mais de 9 mil votos e não conseguiu se eleger”. O desempenho, de 9.611 votos, confirma o peso limitado da memória nos estádios diante de bases políticas frágeis.
Ondas regionais e a força da trajetória política
Outros ex-atletas e personagens do futebol espalhados pelo país reforçam o mesmo desenho. No Rio Grande do Sul, Cleo Hickmann, ex-meia-atacante com passagens por grandes clubes do país, tenta vaga de deputado federal pelo PDT e obtém apenas 412 votos, resultado simbólico se comparado aos grandes puxadores de legenda.
Na Bahia, Marcone Amaral, ex-jogador e ex-prefeito de Itajuípe, tenta transformar o capital regional em mandato estadual pelo PSD. Ele soma 8.159 votos, insuficientes para retornar à Assembleia Legislativa, onde já atuou como suplente em período recente.
No Paraná, a presença feminina ligada ao futebol enfrenta obstáculos adicionais. Dani Pato, ex-jogadora profissional e atualmente vereadora, disputa vaga de deputada estadual pelo MDB com bandeira voltada ao esporte e à inclusão. As urnas entregam 4.154 votos, número que expõe o desafio de ampliar a projeção além do eleitorado local.
Em São Paulo, Sérgio, ex-goleiro campeão da Libertadores de 1999 pelo Palmeiras, tenta vaga na Assembleia Legislativa pelo Solidariedade. Ele recebe 9.565 votos, desempenho respeitável, mas distante da faixa de corte num estado com forte concentração de figuras políticas tradicionais.
Derrotas de dirigentes reforçam recado das urnas
Mesmo nomes ligados aos bastidores dos clubes, acostumados à articulação política interna, esbarram na falta de tração nas urnas. No Rio de Janeiro, Eduardo Bandeira de Mello, ex-presidente do Flamengo, busca renovar mandato como deputado federal e não consegue. Marcos Braz, dirigente do clube rubro-negro, também tenta vaga e fica pelo caminho, apesar da exposição recente em campeonatos nacionais e continentais.
Esse conjunto de resultados indica que a estratégia de partidos de usar celebridades dos gramados como atalho para votos enfrenta limites claros. Sem redes partidárias sólidas, tempo de militância e capilaridade em bairros e municípios, a visibilidade conquistada em finais e títulos não se converte automaticamente em capital político.
Em Brasília, a reeleição de Danrlei reforça a tese de que continuidade e trabalho de base pesam mais do que o brilho isolado da carreira esportiva. O ex-goleiro cruza a marca de 100 mil votos e consolida uma trajetória que começou longe dos holofotes de campanhas midiáticas baseadas apenas na fama.
Esporte na política perde fôlego direto
A nova composição de Câmaras e assembleias reduz de forma sensível a presença de ex-atletas do futebol nos parlamentos. Na prática, propostas diretamente ligadas à formação de base, incentivo a clubes pequenos e proteção social a atletas aposentados perdem porta-vozes com legitimidade popular imediata.
Partidos já iniciam, nos bastidores, uma avaliação autocrítica sobre a aposta em nomes midiáticos. A leitura preliminar é que outra eleição com esse volume de ex-jogadores candidatos exigirá, antes, investimento em qualificação política, construção de agendas claras e inserção comunitária real, e não apenas aparições em redes sociais ou resgate de gols históricos.
Para os derrotados deste domingo, o caminho mais provável passa por duas frentes: retomar a atuação em clubes, mídia esportiva ou gestão privada e, em paralelo, amadurecer eventual novo projeto eleitoral. A experiência de 2026 tende a funcionar como laboratório para quem insistir na transição dos gramados para o plenário.
A médio prazo, a ausência de ídolos recentes do futebol na cena legislativa pode abrir espaço para novos perfis na representação do esporte, vindos de movimentos de base, atletas de outras modalidades ou gestores especializados em políticas públicas. As urnas mandam um recado direto: carisma ajuda, mas só vence quem aprende a jogar o campeonato da política com estratégia, organização e raiz no território.
Quais ex-jogadores ligados ao futebol foram eleitos em 2026?
Somente Danrlei, ex-goleiro e ídolo do Grêmio, foi eleito entre os principais nomes do futebol nas eleições de 2026, garantindo a renovação de seu mandato como deputado federal pelo Rio Grande do Sul, com 105.000 votos, enquanto Edmundo, Vanderlei Luxemburgo, Luís Fabiano, Marcelinho Carioca e outros ficaram de fora.
Por que a maioria dos ex-jogadores famosos não conseguiu se eleger?
A maioria dos ex-jogadores famosos não conseguiu se eleger porque notoriedade esportiva e memória afetiva não substituem base eleitoral, articulação partidária e presença constante em comunidades, fatores decisivos em eleições proporcionais e majoritárias, o que explica por que apenas Danrlei, com longa trajetória política, manteve o mandato neste pleito.