As ações do Banco do Brasil (BBAS3) dispararam cerca de 13% na manhã desta segunda-feira (5), primeiro pregão após o primeiro turno das Eleições 2026. O movimento acompanha uma forte valorização dos ativos brasileiros depois de Flávio Bolsonaro (PL) terminar a votação à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Por volta das 10h34, os papéis do banco público avançavam 12,73%, negociados a R$ 26,74. A reação ocorre em uma sessão de euforia na Bolsa, queda do dólar e forte recuo das taxas de juros futuros.
Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Os dois voltarão às urnas em 25 de outubro para definir a Presidência da República.
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Banco do Brasil sobe cerca de 13%
O Banco do Brasil aparece entre os ativos que mais reagem ao novo cenário eleitoral nesta segunda-feira.
A valorização ocorre porque investidores passaram a recalcular as expectativas para a política econômica a partir de 2027 após o resultado das urnas contrariar a maior parte das pesquisas divulgadas na reta final da campanha.
Parte do mercado associa uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro a uma política fiscal mais restritiva. Essa avaliação, porém, representa uma expectativa dos investidores e dependerá das propostas econômicas apresentadas pelo candidato durante o segundo turno.
O JPMorgan, por exemplo, passou a considerar Flávio favorito para a etapa decisiva e projetou uma forte reprecificação dos ativos brasileiros no curto prazo. O banco ressaltou, contudo, que movimentos adicionais dependerão principalmente de sinalizações sobre ajuste fiscal e da composição de uma eventual equipe econômica.

Bolsa também dispara após resultado das eleições
A alta do Banco do Brasil faz parte de um movimento muito mais amplo no mercado brasileiro.
Às 10h21, o Ibovespa avançava 8,01%, aos 207.466 pontos, renovando máximas históricas. O índice ganhou mais de 15 mil pontos em relação ao fechamento anterior.
A reação já havia começado no exterior antes da abertura da B3. O EWZ, principal fundo negociado nos Estados Unidos que acompanha ações brasileiras, chegou a registrar valorização superior a 10%.
ADRs de grandes companhias brasileiras também dispararam. Petrobras, Itaú e Vale estavam entre os ativos que apresentaram forte valorização nas negociações realizadas no exterior.
Dólar cai abaixo de R$ 5 e juros futuros despencam
A reação também aparece no câmbio.
Às 9h09, o dólar à vista recuava 4,44%, negociado a R$ 4,985. O dólar futuro para novembro caía 4,38%, aos R$ 5,023.
No mercado de juros, as taxas dos contratos de DI também registraram quedas expressivas. Os contratos mais longos chegaram a recuar perto de 100 pontos-base.
O conjunto de movimentos mostra uma reprecificação rápida dos ativos brasileiros após a surpresa eleitoral: Bolsa em forte alta, real valorizado e redução dos prêmios cobrados no mercado de juros.

Por que BBAS3 reage tanto à eleição?
Empresas controladas pelo governo costumam apresentar maior sensibilidade às mudanças de cenário político porque investidores tentam antecipar como a próxima administração poderá conduzir essas companhias.
No caso do Banco do Brasil, entram nessa conta expectativas relacionadas à política de crédito, rentabilidade, distribuição de dividendos, governança e eventual utilização do banco na execução de políticas públicas.
Isso ajuda a explicar por que BBAS3 aparece entre os ativos diretamente impactados pela mudança das expectativas para a corrida presidencial.
A alta desta segunda-feira, entretanto, representa uma reação inicial do mercado e não garante que o movimento será mantido nas próximas sessões.
Flávio superou Lula no primeiro turno
Flávio recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos. Lula terminou com 53.876.617 votos, ou 45,16%.
A vantagem ficou em aproximadamente 2,2 milhões de votos.
O resultado contrariou a maior parte dos levantamentos divulgados nos últimos dias antes da eleição, que indicavam Lula numericamente à frente.
Essa diferença entre as pesquisas e as urnas ampliou a intensidade da reação do mercado nesta segunda-feira, já que investidores precisaram incorporar rapidamente um cenário eleitoral diferente daquele que vinha sendo considerado nos preços dos ativos.
Segundo turno mantém BBAS3 no radar
A disputa presidencial, porém, permanece aberta.
Flávio e Lula terão mais três semanas de campanha antes do segundo turno de 25 de outubro. Nesse período, pesquisas eleitorais, alianças políticas e principalmente sinalizações econômicas dos candidatos poderão provocar novas oscilações nas ações do Banco do Brasil.
Investidores também deverão acompanhar propostas relacionadas ao controle das despesas públicas, trajetória da dívida, reformas econômicas e gestão das empresas controladas pela União.
Por isso, apesar da disparada de aproximadamente 13% nesta segunda-feira, o comportamento de BBAS3 até o segundo turno deverá continuar diretamente ligado às expectativas do mercado sobre o cenário político e econômico para 2027.