O primeiro turno das Eleições 2026 deixou diferenças expressivas na relação entre as despesas declaradas pelas campanhas presidenciais e o número de votos conquistados. Considerando os dados disponíveis até esta segunda-feira (5), o chamado “custo por voto” variou de R$ 0,02 a R$ 63,70 entre os 12 candidatos.
O cálculo divide as despesas declaradas pela campanha pelo total de votos obtidos nas urnas. Os valores, porém, não representam dinheiro pago diretamente por cada voto e não medem, isoladamente, a eficiência política de uma campanha. Além disso, as prestações de contas ainda podem ser atualizadas.
Entre os nomes com maior votação, Augusto Cury (Avante) registrou R$ 0,16 em despesas para cada voto recebido. Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), classificados para o segundo turno, apresentaram números próximos: R$ 1,20 e R$ 1,22, respectivamente.
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Quanto cada candidato gastou por voto
Rui Costa Pimenta (PCO) apresentou a menor relação matemática entre despesas declaradas e votação. Com R$ 250,49 em gastos informados e 15.024 votos, o resultado foi de aproximadamente R$ 0,02 por voto.
Augusto Cury aparece na sequência. O candidato declarou R$ 545.490,91 em despesas e recebeu 3.448.569 votos, equivalente a cerca de R$ 0,16 por voto.
Renan Santos (Missão) declarou despesas de R$ 1.286.828,37 e recebeu 2.675.887 votos. A relação ficou em R$ 0,48 por voto.
Edmilson Costa (PCB) registrou R$ 23.624,22 em despesas para 22.693 votos, chegando a R$ 1,04 por voto.
Flávio e Lula têm números próximos
Os dois candidatos classificados para o segundo turno apresentaram uma relação semelhante entre gastos declarados e votos recebidos.
Flávio Bolsonaro declarou R$ 67.388.405,50 em despesas e obteve 56.104.503 votos. O cálculo resulta em aproximadamente R$ 1,20 por voto.
Lula declarou R$ 65.643.682,77 em despesas e recebeu 53.879.538 votos, chegando a aproximadamente R$ 1,22 por voto.
Os números utilizados no levantamento refletem a prestação de contas disponível neste momento e podem sofrer alterações conforme novas despesas sejam informadas à Justiça Eleitoral.
Zema registra R$ 15,86 por voto
Entre os candidatos com votação mais expressiva, Romeu Zema (Novo) apresentou uma das maiores relações entre despesas e votos.
A campanha declarou R$ 5.177.626,55 em despesas. Zema recebeu 326.488 votos, o que corresponde a aproximadamente R$ 15,86 por voto.
Ronaldo Caiado (PSD), por sua vez, declarou R$ 22.007.405,50 em despesas e recebeu 2.605.148 votos. A relação ficou em R$ 8,45 por voto.
Samara (UP) registrou R$ 5,30 por voto, enquanto Hertz Dias (PSTU) chegou a R$ 24,37 e Clariana Barão (DC), a R$ 24,94.
Wilson Grassi registra maior valor por voto
O maior resultado da divisão entre despesas e votação aparece na campanha de Wilson Grassi (Democrata).
O candidato declarou R$ 1.075.399,66 em despesas e recebeu 16.881 votos. Na divisão, o valor chega a aproximadamente R$ 63,70 por voto.
O número elevado está relacionado principalmente à combinação entre uma despesa superior a R$ 1 milhão e uma votação pequena em comparação aos demais concorrentes.
Veja o custo por voto dos 12 candidatos
Rui Costa Pimenta (PCO): R$ 0,02 por voto — 15.024 votos e R$ 250,49 em despesas.
Augusto Cury (Avante): R$ 0,16 por voto — 3.448.569 votos e R$ 545.490,91 em despesas.
Renan Santos (Missão): R$ 0,48 por voto — 2.675.887 votos e R$ 1.286.828,37 em despesas.
Edmilson Costa (PCB): R$ 1,04 por voto — 22.693 votos e R$ 23.624,22 em despesas.
Flávio Bolsonaro (PL): R$ 1,20 por voto — 56.104.503 votos e R$ 67.388.405,50 em despesas.
Lula (PT): R$ 1,22 por voto — 53.879.538 votos e R$ 65.643.682,77 em despesas.
Samara (UP): R$ 5,30 por voto — 122.911 votos e R$ 651.453,76 em despesas.
Ronaldo Caiado (PSD): R$ 8,45 por voto — 2.605.148 votos e R$ 22.007.405,50 em despesas.
Romeu Zema (Novo): R$ 15,86 por voto — 326.488 votos e R$ 5.177.626,55 em despesas.
Hertz Dias (PSTU): R$ 24,37 por voto — 43.103 votos e R$ 1.050.232,71 em despesas.
Clariana Barão (DC): R$ 24,94 por voto — 40.043 votos e R$ 998.569,68 em despesas.
Wilson Grassi (Democrata): R$ 63,70 por voto — 16.881 votos e R$ 1.075.399,66 em despesas.
Prestação de contas ainda pode mudar
Os números representam um retrato da prestação de contas disponível após o primeiro turno e ainda não constituem os valores definitivos das campanhas.
Candidatos e partidos continuam sujeitos aos prazos da Justiça Eleitoral para informar receitas e despesas. Por isso, uma atualização dos gastos pode modificar também o cálculo do custo por voto.
A comparação deve ser interpretada apenas como a divisão matemática entre despesas declaradas e votação. Campanhas possuem estratégias, fontes de financiamento, estruturas e alcance distintos, fatores que não são medidos por esse indicador.