Disputa entre Lula e Flávio entra na fase das alianças nos estados, avalia analista

Bernardo Monteiro analisou no NC News Acontece, ao lado do editor nacional de Política Celso Costa Júnior, os desafios das campanhas e a importância dos palanques regionais no segundo turno
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A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entra agora em uma fase marcada pela busca de alianças, fortalecimento dos palanques estaduais e tentativa de conquistar os eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno. A avaliação é do analista político Bernardo Monteiro, durante participação no NC News Acontece desta segunda-feira (5).

Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A diferença foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos, a menor entre primeiro e segundo colocados em um primeiro turno presidencial desde a redemocratização. Para Bernardo, o desempenho das campanhas dentro de cada estado passa a ter peso ainda maior na disputa de 25 de outubro.

Flávio e Lula iniciam segundo turno de olho nos 9,3 milhões de votos de candidatos derrotados

Alianças nos estados entram no centro da disputa

Bernardo afirmou que o primeiro passo das campanhas será identificar onde haverá apoio de governadores, candidatos que disputam segundo turno e outras lideranças regionais. Também será necessário avaliar onde partidos e políticos optarão pela neutralidade.

“O próximo passo agora é as campanhas presidenciais entenderem o tamanho das suas alianças e até onde podem conseguir espaços para a campanha.”

Na análise de Bernardo, Flávio tende a encontrar palanques favoráveis no Sul, enquanto Lula precisa recuperar espaço no Nordeste e diminuir diferenças registradas em estados importantes do Sudeste.

O analista destacou ainda que Flávio conseguiu ampliar a votação da direita em áreas onde Lula historicamente registra desempenho expressivo. Para ele, compreender a configuração política dentro dos estados será uma das tarefas das duas campanhas nesta nova etapa.

 

Mais de 9 milhões de votos entram na disputa

Outro ponto discutido no programa foi o destino dos votos dos candidatos que não chegaram ao segundo turno. Mais de 9,3 milhões de eleitores escolheram outros nomes na disputa presidencial, parcela que agora passa a ser alvo das campanhas de Lula e Flávio.

Bernardo ressaltou que a transferência desses votos não ocorre automaticamente e dependerá das articulações políticas e, principalmente, das decisões individuais dos eleitores.

Para Lula, segundo a avaliação do analista, um dos desafios será recuperar parte do desempenho obtido em eleições anteriores no Nordeste e reduzir a distância para Flávio em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

 

Celso Costa Júnior questiona necessidade de autocrítica

Durante a entrevista, o editor nacional de Política do NC News, Celso Costa Júnior, questionou Bernardo sobre a possibilidade de ter faltado autocrítica à campanha de Lula, principalmente diante da perda de apoio entre parcelas do eleitorado de menor renda.

Bernardo avaliou que houve um erro de cálculo e destacou a diferença entre inflação controlada e preços ainda elevados no cotidiano da população.

“As coisas estão caras, as pessoas sentem isso no bolso. Acho que faltou uma autocrítica do governo, tentar explicar isso para as pessoas.”

Segundo o analista, temas relacionados diretamente ao orçamento das famílias poderiam ter recebido maior espaço na comunicação eleitoral.

“É importante porque fala direto com o eleitor, fala direto com quem está no supermercado, com quem está precisando encher o tanque do seu carro, com quem tem uma empresa para manter.”

Bernardo também avaliou que a estratégia de comunicação adotada no primeiro turno precisará ser revista para que a campanha petista tente reconquistar segmentos do eleitorado que tradicionalmente tiveram maior proximidade com Lula.

 

Cenário no Rio também entrou no debate

A situação da eleição para o Governo do Rio de Janeiro também foi abordada durante o NC News Acontece. Anthony Garotinho (Republicanos) desistiu nesta segunda-feira do recurso apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral contra o indeferimento de sua candidatura.

Garotinho recebeu 274.411 votos. Caso esses votos sejam definitivamente excluídos da base de cálculo dos votos válidos, Douglas Ruas (PL), que terminou a totalização inicial com 49,27%, pode ultrapassar os 50% e ser declarado eleito ainda no primeiro turno.

A mudança, no entanto, depende dos efeitos jurídicos da desistência e de eventual nova totalização pela Justiça Eleitoral.

 

Próximos passos

Lula e Flávio terão até 25 de outubro para buscar novos apoios e reorganizar as estratégias estaduais. A diferença apertada do primeiro turno e os mais de 9 milhões de votos destinados aos demais candidatos colocam alianças, palanques regionais e comunicação com o eleitor no centro da nova etapa da campanha.

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