Francis Halzen ganha Nobel de Física de 2026 por descoberta de neutrinos cósmicos

Físico de 82 anos é reconhecido por contribuições decisivas ao observatório IceCube, instalado sob o gelo da Antártida
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O físico Francis Halzen, de 82 anos, ganhou nesta terça-feira (6) o Prêmio Nobel de Física de 2026 por suas contribuições decisivas para o Observatório de Neutrinos IceCube e pela descoberta de neutrinos de alta energia de origem astrofísica. O anúncio foi feito pela Real Academia Sueca de Ciências, em Estocolmo.

Nascido na Bélgica e professor da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, Halzen é o principal investigador do IceCube, um gigantesco detector instalado sob o gelo da Antártida. O trabalho permitiu identificar partículas provenientes de fenômenos extremos do Universo e ajudou a abrir uma nova forma de observar o espaço.

O cientista receberá 12 milhões de coroas suecas, valor equivalente a aproximadamente R$ 6,2 milhões. A cerimônia de entrega do Nobel está marcada para 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Nobel.

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O que Francis Halzen descobriu

Os neutrinos são partículas subatômicas extremamente abundantes no Universo, mas muito difíceis de detectar. Eles não possuem carga elétrica e interagem tão pouco com a matéria que trilhões atravessam a Terra e o corpo humano continuamente sem produzir qualquer efeito perceptível.

Em ocasiões extremamente raras, porém, um neutrino interage com a matéria. Essa colisão pode produzir partículas carregadas que, ao atravessarem um meio transparente, geram um pequeno clarão de luz conhecido como radiação Cherenkov.

Detectar esses sinais permite aos cientistas reconstruir informações sobre a energia e a direção de onde veio o neutrino. Foi justamente a possibilidade de encontrar esses raros rastros que levou ao desenvolvimento do IceCube.

Nobel de Física 2026 | Foto: Reprodução

Um quilômetro cúbico de gelo virou observatório

Halzen começou a defender no fim da década de 1980 a utilização do gelo profundo do Polo Sul como um enorme detector natural de neutrinos.

A ideia resultou no IceCube Neutrino Observatory, construído próximo à Estação Amundsen-Scott, no Polo Sul. Em vez de utilizar um telescópio convencional apontado para o céu, o projeto distribuiu milhares de sensores ópticos em profundidades que chegam a cerca de 2,5 quilômetros abaixo da superfície.

Os sensores ocupam aproximadamente um quilômetro cúbico de gelo e registram os pequenos flashes produzidos quando partículas resultantes das interações dos neutrinos atravessam o material.

A construção foi concluída em 2010, e o observatório entrou em operação completa em 2011.

Descoberta abriu uma nova janela para o Universo

Em 2013, pesquisadores do IceCube anunciaram evidências da existência de uma população de neutrinos cósmicos de alta energia, mostrando que essas partículas chegavam à Terra vindas de fora do Sistema Solar.

A descoberta foi importante porque neutrinos conseguem atravessar regiões extremamente densas do Universo praticamente sem sofrer alterações. Isso permite que carreguem informações sobre ambientes que podem ser difíceis de estudar apenas por meio da luz.

Nos anos seguintes, o IceCube avançou na identificação de possíveis fontes desses neutrinos. As observações ajudaram a transformar essas partículas em uma ferramenta para investigar alguns dos fenômenos mais energéticos do cosmos.

Entre os objetos estudados estão galáxias ativas, regiões próximas a buracos negros e outros ambientes capazes de acelerar partículas a energias extremas.

Observatório de Neutrinos IceCube | Foto: Reprodução

Por que os neutrinos são chamados de “partículas fantasmas”

O apelido está relacionado justamente à dificuldade de encontrá-los. Como os neutrinos praticamente não interagem com a matéria, eles podem atravessar planetas inteiros sem serem desviados ou absorvidos.

Essa característica dificulta sua detecção, mas também é uma vantagem para a astronomia. Ao contrário da luz e de outras partículas, um neutrino pode viajar por enormes distâncias carregando informações praticamente intactas sobre o local onde foi produzido.

O IceCube transformou essa dificuldade em uma ferramenta científica: quanto maior o volume observado, maior a possibilidade de registrar uma das raríssimas interações.

Quem é Francis Halzen

Francis Halzen nasceu em 23 de março de 1944, na Bélgica, e construiu grande parte da carreira acadêmica nos Estados Unidos. Ele é professor da Universidade de Wisconsin-Madison e principal investigador do IceCube.

Antes do Nobel, o físico já havia recebido diferentes reconhecimentos internacionais por seu trabalho com astrofísica de partículas. Em 2026, também recebeu a Medalha da American Physical Society por suas contribuições à astrofísica de neutrinos, especialmente pela liderança no IceCube e pelas descobertas envolvendo neutrinos astrofísicos de alta energia.

Com o Nobel de Física, o trabalho iniciado décadas atrás para transformar o gelo antártico em um detector de partículas recebe o principal reconhecimento internacional da ciência.

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