Mais de 204 mil eleitores do Rio de Janeiro digitaram o número 13, do PT, para governador no primeiro turno das eleições de 2026 e acabaram anulando o voto. O partido não tinha candidato próprio ao Palácio Guanabara e apoiava Eduardo Paes (PSD), que disputou a eleição com o número 55.
O número aparece em levantamento feito a partir dos Registros Digitais do Voto (RDVs) das urnas utilizadas no estado. Sozinho, o 13 respondeu por aproximadamente 30% dos 675.292 votos nulos registrados para governador. O número mais utilizado para anular foi o “00”.
Os votos no 13 não foram destinados ao PT nem transferidos para Eduardo Paes. Pela regra eleitoral, quando o eleitor digita um número que não corresponde a uma candidatura válida para aquele cargo e confirma a escolha, o voto é contabilizado como nulo.
Entenda a confusão para governo do Rio envolvendo Ruas e Garotinho e como isso afeta Paes
PT apoiava Paes, mas candidato usava número 55
O PT decidiu não apresentar candidatura própria ao governo fluminense e integrou a aliança em torno de Eduardo Paes. Como o ex-prefeito concorreu pelo PSD, o número utilizado na urna para votar nele era 55.
Mesmo assim, 204.366 eleitores digitaram 13 para o cargo de governador. Como não existia uma candidatura registrada com esse número, a urna informou que se tratava de um voto nulo antes da confirmação.
O dado não permite afirmar por que cada eleitor escolheu o número. Entre as possibilidades estão votos anulados de maneira intencional ou eleitores que associaram o apoio do PT a Paes ao número tradicionalmente utilizado pelo partido.
Os Registros Digitais do Voto permitem identificar a sequência de números registrada nas urnas, mas preservam o sigilo do eleitor e não permitem relacionar cada voto a uma pessoa específica.

Rio teve mais de 675 mil votos nulos para governador
A eleição para o governo do Rio registrou 675.292 votos nulos, além de 501.537 votos em branco.
Douglas Ruas (PL) terminou a totalização na primeira posição, com 4.271.199 votos, equivalentes a 49,27%. Eduardo Paes recebeu 3.706.984 votos, ou 42,76%.
Anthony Garotinho (Republicanos) recebeu outros 274.411 votos, equivalentes a 3,17%, mas concorreu com o registro indeferido e sob análise da Justiça Eleitoral. A situação dessa votação mantém o resultado da eleição estadual sob discussão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Os mais de 204 mil votos anulados após a digitação do número 13, por outro lado, não podem ser recuperados ou posteriormente atribuídos a Paes. Eles são votos nulos por escolha registrada na urna e, portanto, ficam fora do cálculo dos votos válidos.
Votos nulos não são transferidos para partidos
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, votos brancos e nulos não entram no cálculo utilizado para definir os candidatos eleitos.
No caso do voto nulo, o eleitor digita uma combinação que não corresponde a uma candidatura válida e confirma a escolha. A urna informa antes da confirmação que aquele voto será anulado.
Isso significa que os 204 mil votos registrados com o número 13 para governador não foram contabilizados para o PT, para Eduardo Paes ou para qualquer outro candidato.
Também não é possível afirmar que todos esses eleitores pretendiam votar em Paes. O levantamento mostra apenas que o número 13 foi digitado e confirmado para o cargo de governador.

Disputa no Rio ainda depende do TSE
A quantidade de votos nulos ganha destaque em meio à indefinição jurídica envolvendo a eleição estadual. Ruas terminou a totalização inicial com 49,27%, abaixo da maioria absoluta necessária para vencer no primeiro turno, e foi encaminhado para um segundo turno contra Paes.
O cenário pode mudar por causa dos 274.411 votos recebidos por Garotinho. O ex-governador desistiu do recurso apresentado ao TSE contra o indeferimento de sua candidatura.
Se esses votos forem definitivamente excluídos da base de votos válidos e houver uma nova totalização, Ruas pode superar 50% e ser declarado eleito no primeiro turno.
A situação dos votos de Garotinho é diferente dos 204 mil votos anulados com o número 13. Os primeiros envolvem uma candidatura que estava sub judice e dependem de uma definição judicial. Já os votos no 13 foram registrados diretamente como nulos e não entram na disputa sobre a totalização.
Até uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral, permanece oficialmente previsto o segundo turno entre Douglas Ruas e Eduardo Paes.