Eduarda Campopiano (PL) saiu das eleições de 2026 como a deputada estadual mais votada de São Paulo. Aos 23 anos, a vereadora de Praia Grande recebeu 1.956.238 votos e conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) apenas dois anos depois de vencer sua primeira eleição.
A votação correspondeu a 8,39% dos votos válidos para o cargo no estado e colocou Campopiano à frente de nomes tradicionais da política paulista, como Eduardo Suplicy (PT). O resultado também representa a segunda maior votação nominal da história para uma candidatura à Alesp, atrás dos 2.060.786 votos obtidos por Janaina Paschoal em 2018.
Com forte presença nas redes sociais, Campopiano se apresenta como conservadora e antifeminista e utiliza a expressão “maior inimiga das feministas de São Paulo” para se definir. A deputada eleita também se posiciona contra o aborto e as cotas raciais e ganhou projeção por declarações sobre temas relacionados a gênero, povos indígenas e política.
De vereadora a quase 2 milhões de votos em dois anos
Maria Eduarda Campopiano Monteiro nasceu em Campinas, em 22 de julho de 2003. Influenciadora digital, começou a ganhar maior projeção nas redes sociais a partir de 2021, com publicações sobre política e temas comportamentais.
Ela também atuou como comentarista do programa “Linha de Frente”, da Jovem Pan, em 2023.
A primeira disputa eleitoral ocorreu em 2024. Campopiano concorreu a vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, e foi eleita aos 21 anos. Na ocasião, recebeu 3.583 votos e se tornou a parlamentar mais jovem eleita para a Câmara Municipal da cidade.
Dois anos depois, lançou candidatura à Assembleia Legislativa pelo PL e ampliou a votação para 1.956.238 votos. Campopiano passará a exercer o mandato estadual a partir de 2027.

“Maior inimiga das feministas”
Uma das principais marcas da comunicação política de Campopiano é a oposição ao feminismo. A própria parlamentar utiliza publicamente a expressão “maior inimiga das feministas de São Paulo”.
Após a eleição, ao comentar a atuação que pretende ter na Assembleia, Campopiano voltou a falar sobre o confronto político com movimentos feministas.
Entre as propostas às quais declarou oposição está a criminalização da misoginia, tema que tramita no Congresso Nacional.
A deputada eleita também manifesta posições contrárias à legalização do aborto e às cotas raciais. Essas bandeiras ajudaram a consolidar sua presença entre o eleitorado conservador e aparecem frequentemente em suas redes sociais.

Declaração sobre indígenas gerou boletim de ocorrência
Uma das controvérsias envolvendo Campopiano ocorreu depois de uma declaração sobre povos indígenas durante participação em um podcast.
Ao falar sobre a colonização e a catequização dos povos originários, a então vereadora associou indígenas a práticas como canibalismo e sacrifícios humanos.
A declaração provocou reação da artista e ativista indígena Katú Mirim, que registrou boletim de ocorrência contra Campopiano por racismo.
Campopiano afirmou posteriormente que não teve intenção de ofender povos indígenas e sustentou que a declaração havia sido retirada de contexto.
“Glória a Deus que colonizaram, glória a Deus que catequizaram as índias. Glória a Deus que a extrema direita chegou e falou para os índios: ‘galera, fazer sacrifício e comer o braço do irmãozinho não é legal, enterrar criança viva”, disse ela na ocasião.
Embates sobre identidade de gênero
Campopiano também protagonizou confrontos públicos relacionados à identidade de gênero. Depois do primeiro turno de 2026, ela publicou uma mensagem direcionada à deputada federal Erika Hilton (PSOL), uma mulher trans, ao comparar as votações recebidas pelas duas parlamentares.
Campopiano chamou Erika de “homem biológico” e afirmou que a deputada do PSOL não seria a mulher mais votada de São Paulo.
As duas, porém, disputaram cargos diferentes. Campopiano foi eleita deputada estadual com 1.956.238 votos, enquanto Erika Hilton foi reeleita deputada federal com 1.596.472 votos.
O episódio não foi o primeiro embate entre elas. Campopiano já havia criticado Erika após a parlamentar assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.

Atuação em Praia Grande
Durante o mandato de vereadora, Campopiano também apresentou propostas na Câmara Municipal de Praia Grande.
Em 2025, foi autora de um projeto que previa impedir a nomeação ou contratação, para determinados cargos e empregos públicos municipais, de pessoas condenadas por crimes sexuais praticados contra crianças e adolescentes.
Sua passagem pelo Legislativo municipal foi curta. Eleita em 2024, Campopiano deixará a Câmara de Praia Grande para assumir uma das 94 cadeiras da Assembleia Legislativa paulista.
A posse da nova legislatura da Alesp está prevista para 2027. Com 1.956.238 votos, Campopiano chegará à Casa como a parlamentar estadual com a maior votação individual das eleições de 2026 em São Paulo.