Uma nova jornada de protestos estudantis ganhou força nesta terça-feira (6) na França e afetou até 1.800 escolas de ensino médio, segundo a Union Syndicale Lycéenne (USL), entidade que representa estudantes. O número inclui instituições bloqueadas, atingidas pelas manifestações ou fechadas preventivamente pelas autoridades.
O movimento começou na região de Paris em meados de setembro e se transformou em uma mobilização nacional. Os estudantes reivindicam mais professores e funcionários, redução da superlotação das salas de aula, melhorias na infraestrutura e mais recursos para a educação pública.
A dimensão exata da paralisação varia conforme a fonte. O número de 1.800 estabelecimentos foi divulgado pelo sindicato estudantil e inclui diferentes níveis de interrupção das atividades, não significando necessariamente que todas essas escolas tenham sido completamente fechadas.
Protestos chegam a diferentes cidades francesas
As manifestações desta terça alcançaram cidades como Paris, Nantes, Marselha e Lyon. Fora da capital francesa, o Ministério do Interior contabilizava 86 mil participantes nas manifestações até o meio-dia, antes do início do principal ato previsto para Paris.
A mobilização ocorre depois de semanas de bloqueios em escolas e da adesão de estudantes universitários. A expansão do movimento aumentou a pressão sobre o governo francês para apresentar respostas às reivindicações relacionadas às condições de ensino.
Estudantes reclamam da falta de professores
Entre as principais queixas estão a ausência de professores, a falta de funcionários, as turmas consideradas superlotadas e as condições precárias encontradas em algumas instituições.
O movimento ganhou projeção nacional depois que estudantes de uma escola de Créteil, nos arredores de Paris, se juntaram a professores para cobrar mais recursos e pessoal. Vídeos dos atos circularam pelas redes sociais e estimularam mobilizações semelhantes em outras regiões do país.
Confrontos aumentam tensão
As manifestações também têm sido marcadas por episódios de violência. Escolas foram incendiadas, houve depredações e estudantes entraram em confronto com policiais em diferentes cidades desde o início da mobilização.
Milhares de pessoas já foram detidas ao longo das semanas de protestos, sendo grande parte delas menores de idade. Também há registros de feridos entre manifestantes e integrantes das forças de segurança.
Um dos episódios mais graves ocorreu com um adolescente de 15 anos, que perdeu uma das mãos após entrar em contato com uma granada lançada durante uma ação policial. O caso ampliou as críticas sobre a atuação das forças de segurança e integra o contexto de denúncias que vêm sendo apuradas pelas autoridades francesas.
Governo francês enfrenta pressão
O governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu tenta conter a escalada da mobilização enquanto enfrenta críticas sobre a situação da educação pública e as medidas de ajuste das contas do país.
As manifestações estudantis ocorrem paralelamente a protestos de servidores públicos contra cortes de gastos. Professores e outras categorias também reivindicam melhores condições de trabalho e mais contratações.
O governo anunciou medidas para tentar responder às reclamações, incluindo ações voltadas ao preenchimento de vagas de professores e melhorias em prédios escolares. As iniciativas, porém, ainda não foram suficientes para encerrar a mobilização.
Movimento entra em nova fase
A adesão registrada nesta terça-feira mostra que o movimento estudantil permanece ativo após quase três semanas de protestos. Sindicatos também passaram a apoiar as manifestações, ampliando a pressão sobre o governo.
Os próximos dias devem indicar se as medidas anunciadas pelas autoridades serão suficientes para reduzir os bloqueios ou se novas jornadas nacionais de mobilização serão convocadas.