Petrobras supera R$ 700 bilhões em valor de mercado após nova descoberta no Amapá

Estatal atingiu maior valor de mercado de sua história após anunciar novo intervalo com petróleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas
Redação NC News
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A Petrobras atingiu pela primeira vez valor de mercado superior a R$ 700 bilhões. A estatal encerrou o pregão de sexta-feira (2) avaliada em R$ 700,08 bilhões na B3, estabelecendo um novo recorde histórico para a companhia.

O marco ocorreu no mesmo dia em que a Petrobras anunciou uma nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas da costa do Amapá. Somente naquela sessão, a companhia acrescentou R$ 20,9 bilhões ao valor de mercado, enquanto as ações preferenciais subiram 2,81% e as ordinárias avançaram 3,25%.

A nova descoberta ocorreu no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. A Petrobras encontrou mais um intervalo portador de petróleo durante a continuidade da perfuração na região, onde uma primeira descoberta já havia sido anunciada em agosto.

Petrobras faz nova descoberta de petróleo em águas ultraprofundas na costa do Amapá

Petrobras adicionou R$ 20,9 bilhões em um único pregão

A valorização levou a Petrobras de volta a uma sequência de recordes registrada ao longo de 2026. Antes de ultrapassar R$ 700 bilhões, a estatal havia alcançado R$ 692,35 bilhões em valor de mercado em 15 de setembro.

A própria companhia relacionou o movimento de sexta-feira ao anúncio da descoberta no Amapá. O avanço ocorreu apesar da estabilidade da cotação internacional do petróleo Brent naquela sessão.

A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o mercado também vem reconhecendo o crescimento da produção da companhia.

“O mercado tem reconhecido e precificado o incremento da nossa produção de petróleo.”

Nova descoberta ocorreu no poço Morpho

O poço Morpho, oficialmente identificado como 1-BRSA-1405-APS, está localizado em lâmina d’água de 2.886 metros. A nova descoberta foi identificada por meio de perfis elétricos, indícios encontrados em rochas e amostras de fluidos coletadas durante a operação.

A Petrobras informou que os novos dados serão submetidos a análises laboratoriais e integrados às informações já obtidas durante a perfuração. Em relação à descoberta anunciada em agosto, a companhia afirma que os estudos realizados até agora confirmam a boa qualidade do petróleo encontrado.

A identificação de petróleo, entretanto, ainda não significa que haverá produção comercial na área. A companhia precisa avançar nos estudos para determinar o volume dos recursos, as características das formações e a viabilidade técnica e econômica de um eventual projeto.

Foz do Amazonas pode abrir nova fronteira petrolífera

A Bacia da Foz do Amazonas integra a Margem Equatorial, faixa que se estende pela costa das regiões Norte e Nordeste e é considerada pela Petrobras uma nova fronteira para exploração de petróleo e gás no país.

Um estudo da Empresa de Pesquisa Energética estima que o volume potencial total recuperável da Bacia da Foz do Amazonas pode chegar a 10 bilhões de barris de óleo equivalente. A estimativa se refere ao potencial da bacia e não ao volume já confirmado no poço Morpho.

A exploração da região também é alvo de disputas ambientais. Em setembro, o Ministério Público Federal voltou a pedir à Justiça a suspensão da licença para atividades no bloco FZA-M-59, citando preocupações ambientais e questionamentos relacionados à consulta de povos indígenas e comunidades tradicionais.

Próximos passos

A Petrobras continuará a avaliação das formações encontradas no poço Morpho. As amostras coletadas serão analisadas para ampliar o conhecimento sobre o sistema petrolífero e ajudar a dimensionar o potencial da descoberta.

A estatal também prepara uma nova etapa da campanha exploratória na costa do Amapá. Como o NC News já mostrou, três novos poços estão previstos no bloco FZA-M-59, o que deverá fornecer mais informações sobre a extensão dos recursos existentes na região.

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