O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) comunicou ao Governo do Estado uma recomendação para que o Maracanã seja disponibilizado ao Vasco na partida contra o Boca Juniors, marcada para 20 de outubro, às 21h30, pela semifinal da Copa Sul-Americana. O órgão também apontou possível descumprimento do contrato de concessão diante das negativas para que o clube utilize o estádio.
A recomendação foi expedida pelo Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (GAEDEST/MPRJ) à Fla-Flu Serviços S.A., concessionária responsável pela administração do Maracanã. A empresa terá 48 horas, contadas a partir do recebimento do documento, para apresentar uma resposta fundamentada.
A manifestação do MP adiciona um novo capítulo a uma disputa que envolve Vasco, Flamengo, Fluminense, a administração do estádio e a Justiça. O clube cruz-maltino tenta garantir o Maracanã para receber o Boca em um dos jogos mais importantes de sua temporada.

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Por que o Vasco quer jogar no Maracanã?
O Vasco busca o Maracanã principalmente por causa das exigências para a semifinal da Copa Sul-Americana. São Januário, casa do clube, não atende inicialmente à capacidade mínima de 30 mil lugares prevista para esta fase da competição continental.
O clube chegou a trabalhar para conseguir uma autorização excepcional para utilizar São Januário, mas o Maracanã passou a ser o principal foco da disputa. A questão ganhou também um componente de segurança pública, citado pelo Ministério Público em sua recomendação.
Segundo o MPRJ, uma manifestação técnica da Polícia Militar recomendou que Vasco x Boca seja realizado no Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, por razões de segurança pública.
Fla-Flu já havia negado pedido do Vasco
Antes da intervenção do Ministério Público, o Vasco tentou conseguir diretamente com a Fla-Flu Serviços autorização para mandar a partida no Maracanã. A solicitação não avançou.
A administração do estádio sustenta que as negativas recentes ao Vasco estão relacionadas principalmente às condições e à preservação do gramado diante do calendário de partidas.
O Vasco, por sua vez, contesta a justificativa. Na discussão levada ao Ministério Público, foi citado que o Maracanã já recebeu, em nove ocasiões ao longo de 2026, duas partidas em intervalos de 48 horas.
Caso também foi parar na Justiça
Sem acordo para utilizar o estádio, o Vasco recorreu à Justiça. O processo, porém, encontrou um primeiro obstáculo porque uma ação apresentada anteriormente por um torcedor já discutia a mesma questão.
Em 2 de outubro, a Justiça determinou a suspensão do processo movido pelo clube para evitar a possibilidade de decisões conflitantes entre as duas ações.
Posteriormente, a Justiça também negou uma liminar que permitiria imediatamente a realização de Vasco x Boca no Maracanã. A juíza Adriana Marques dos Santos Laia Franco considerou que existe divergência técnica entre os documentos apresentados pelas partes, principalmente sobre as condições do gramado, e que seria necessária uma análise especializada antes de uma decisão definitiva.
A magistrada ressaltou que a negativa da liminar não significa que o Vasco não tenha direito a utilizar o estádio, mas que os elementos disponíveis naquele momento não eram suficientes para conceder a medida de urgência.
O que muda com a recomendação do Ministério Público?
A recomendação do Ministério Público não equivale a uma decisão judicial e, portanto, não significa que o Vasco já tenha o Maracanã garantido para enfrentar o Boca Juniors.
O documento, no entanto, aumenta a pressão institucional sobre a concessionária. Além de recomendar que o estádio seja disponibilizado para a semifinal, o MPRJ comunicou formalmente o Governo do Estado, responsável pelo equipamento público concedido à iniciativa privada.
O Ministério Público também apontou a possibilidade de descumprimento das obrigações previstas no contrato de concessão em razão das negativas de utilização do estádio pelo Vasco.
Caso a recomendação não seja acolhida, o órgão informou que poderá adotar outras medidas extrajudiciais ou judiciais, incluindo o ajuizamento de ação civil pública e a comunicação ao poder concedente para apuração de eventual descumprimento contratual.
MP cobra critérios iguais para uso do estádio
A discussão do Ministério Público não está limitada ao confronto contra o Boca. O órgão também quer que a concessionária estabeleça critérios objetivos, transparentes e isonômicos para analisar pedidos de utilização do Maracanã.
Entre os pontos discutidos estão intervalo mínimo entre partidas, situações que justificariam uma recusa, prioridades entre jogos e outros eventos e documentação técnica necessária para liberar o estádio.
A intenção é que os parâmetros sejam aplicados também aos clubes que não integram a concessionária, evitando decisões sem critérios previamente estabelecidos.
Vasco desiste de levar jogo para fora do Rio
Enquanto aguardava uma definição, o Vasco chegou a consultar alternativas fora do estado. Entre as possibilidades avaliadas estavam o Mané Garrincha, em Brasília, e a Arena da Amazônia, em Manaus.
Após a manifestação do Ministério Público, porém, a direção da SAF decidiu manter a partida no Rio de Janeiro e apresentou uma nova petição à Justiça nesta terça-feira (6), pedindo urgência na análise do caso.
O clube argumenta que precisa de uma definição com antecedência para organizar a operação do jogo, o planejamento de segurança e a comercialização dos ingressos.
O que acontece agora?
A Fla-Flu Serviços deverá responder à recomendação do Ministério Público dentro do prazo de 48 horas. Paralelamente, o recurso envolvendo a utilização do Maracanã continua em discussão no Judiciário.
O Vasco também aguarda uma manifestação judicial após informar que pretende manter a semifinal no Rio de Janeiro.
Assim, apesar da recomendação favorável do Ministério Público, o Maracanã ainda não está oficialmente confirmado como palco de Vasco x Boca Juniors. A resposta da concessionária e os próximos movimentos na Justiça serão determinantes para definir onde será disputada a partida de volta da semifinal da Sul-Americana.