Médica é afastada após mensagem para “não dar alta” a petistas no dia da eleição

Hospital de Goiânia afirma que comentário ocorreu em grupo privado de médicos e abriu apuração; profissional foi denunciada ao Ministério Público e Cremego acompanha o caso
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Uma médica do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, foi afastada da escala de atendimento após a divulgação de mensagens nas quais teria orientado colegas a não conceder alta a pacientes durante o fim de semana das eleições porque “a maioria é petista”.

A profissional foi identificada como Marcella Segato de Sousa Melo, chefe da ginecologia e obstetrícia da unidade. Segundo o hospital, as mensagens foram enviadas em um grupo interno e privado de profissionais médicos e representam manifestações pessoais, sem relação com o posicionamento institucional da maternidade.

O caso passou a ser apurado administrativamente e também chegou ao Ministério Público. O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são analisadas sob sigilo.

LEIA TAMBÉM

Flávio vai a Goiânia e Lula se reúne com aliados nesta terça; veja as agendas

O que dizia a mensagem atribuída à médica?

As mensagens foram enviadas na sexta-feira (2), dois dias antes do primeiro turno das eleições.

Em uma das conversas divulgadas pela imprensa, Marcella teria feito referência aos pacientes internados na unidade e escrito:

“Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista.”

Outras mensagens atribuídas à médica também continham referências políticas e eleitorais.

A repercussão do conteúdo levantou questionamentos sobre a possibilidade de critérios políticos interferirem em decisões médicas relacionadas à liberação de pacientes.

Até o momento, porém, não há comprovação divulgada de que pacientes tenham efetivamente deixado de receber alta por causa de preferência política.

Foto: Reprodução/TV Anhaguera

Hospital diz que conversa ocorreu em grupo privado

Nesta terça-feira (6), o Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara confirmou que as manifestações ocorreram em um grupo interno e privado de profissionais médicos.

A unidade afirmou que as mensagens não representam a administração do hospital nem a instituição responsável pela gestão.

“As manifestações mencionadas na solicitação encaminhada pela imprensa ocorreram em grupo interno e privado de profissionais médicos e constituem manifestações de caráter pessoal de seus participantes.”

A direção ressaltou ainda que decisões envolvendo internação, permanência hospitalar e alta devem seguir exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança.

Segundo o hospital, convicções políticas, ideológicas ou religiosas não podem interferir no atendimento oferecido aos pacientes.

Médica é afastada da escala

Depois que o conteúdo das mensagens se tornou público, Marcella foi afastada da escala de atendimento enquanto o episódio é apurado.

A administração informou que adotará os procedimentos internos necessários para esclarecer as circunstâncias em que as mensagens foram enviadas.

Caso sejam identificadas violações às normas profissionais ou institucionais, o hospital afirmou que poderá adotar novas medidas.

A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia também informou ter tomado providências administrativas após tomar conhecimento do episódio.

O órgão reforçou às equipes a necessidade de garantir atendimento adequado e igualitário a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Marcella Segato de Sousa Melo, chefe da ginecologia e obstetrícia da unidade | Foto: Reprodução

Caso chega ao Ministério Público

A médica também foi denunciada ao Ministério Público após a divulgação das mensagens.

O procedimento deverá apurar as circunstâncias do episódio e verificar se houve alguma consequência concreta para pacientes atendidos na maternidade.

A existência da denúncia não significa que a profissional tenha sido responsabilizada ou condenada.

Entre os pontos que precisam ser esclarecidos está justamente se a mensagem ficou restrita à conversa entre profissionais ou se alguma orientação relacionada ao conteúdo chegou a ser aplicada na rotina hospitalar.

Cremego acompanha denúncia

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás também se manifestou.

O Cremego informou que denúncias relacionadas à conduta ética de médicos recebidas pelo conselho, ou das quais a entidade toma conhecimento, são apuradas sob sigilo.

O órgão afirmou ainda ter solicitado esclarecimentos ao médico responsável técnico pela instituição mencionada no caso.

Eventuais consequências no âmbito profissional dependerão da apuração realizada pelo conselho.

Alta médica deve seguir critérios clínicos

Na manifestação sobre o episódio, o hospital reforçou que a decisão de manter ou liberar um paciente precisa ser baseada exclusivamente em critérios médicos.

A instituição também destacou que oferece atendimento pelo SUS e que os usuários devem receber tratamento isonômico, independentemente de posicionamentos políticos.

Por isso, a investigação interna deverá verificar o contexto das mensagens e se houve algum impacto efetivo no atendimento prestado durante o fim de semana eleitoral.

Até esta terça-feira, não havia informação confirmada de que algum paciente tenha permanecido internado ou sido impedido de votar por causa de posicionamento político.

A apuração administrativa, a análise do Ministério Público e eventuais procedimentos do Cremego deverão definir se houve apenas uma manifestação inadequada no grupo privado ou se alguma conduta médica foi efetivamente afetada.

Carregar Comentários