Após receber 294 votos, “Gay de Direita” rompe com campo conservador e declara apoio a Lula

João Pedro Sastre, candidato a deputado federal pelo MDB em São Paulo, pediu desculpas à comunidade LGBTQIA+ e afirmou que votará no petista contra Flávio Bolsonaro no segundo turno.
Redação NC News
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João Pedro Sastre (MDB), conhecido nas redes sociais como “Gay de Direita”, declarou apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial após receber apenas 294 votos na disputa para deputado federal por São Paulo.

O influenciador de 24 anos, que durante a campanha se apresentava como integrante da direita e chegou a declarar apoio a Flávio Bolsonaro (PL), publicou um vídeo após o resultado das urnas no qual criticou a falta de apoio que afirma ter recebido do campo político que defendia.

Sastre também pediu desculpas à comunidade LGBTQIA+ e afirmou que as mensagens de solidariedade recebidas depois da eleição vieram principalmente de jovens LGBT identificados com a esquerda. As declarações representam uma mudança em relação ao posicionamento adotado por ele durante a campanha.

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“Gay de Direita” recebeu 294 votos em São Paulo

João Pedro Sastre concorreu a deputado federal pelo MDB, com o número 1557. A candidatura estava deferida pela Justiça Eleitoral e permaneceu disponível nas urnas no primeiro turno, realizado no domingo (4).

Ao final da apuração, Sastre contabilizou 294 votos e não conseguiu uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Após o resultado, ele classificou a votação como “inexpressiva” e passou a questionar publicamente o espaço destinado a pessoas LGBTQIA+ dentro da direita.

Sastre afirmou que não recebeu mensagens de apoio de integrantes do campo político com o qual se identificava e disse que foi procurado por jovens LGBT ligados à esquerda.

Sastre pede desculpas e anuncia voto em Lula

No vídeo publicado após a eleição, o influenciador reconheceu que havia sido alertado anteriormente sobre as dificuldades de encontrar apoio político dentro da direita por ser homossexual.

“Para todos aqueles que torceram contra e falaram que a direita não apoia e não vota em LGBT, vocês têm razão”, declarou.

Sastre também pediu desculpas por não ter ouvido pessoas que fizeram esse alerta antes da eleição e afirmou que pretende apoiar Lula no segundo turno contra Flávio Bolsonaro.

A declaração é individual e não representa posicionamento oficial do MDB. O partido reúne diferentes correntes políticas e suas lideranças podem adotar posições distintas na disputa presidencial.

Durante a campanha, Sastre apoiou Flávio Bolsonaro

A mudança chama atenção porque Sastre havia demonstrado forte apoio a Flávio Bolsonaro durante a pré-campanha.

Em julho, o influenciador reclamou nas redes sociais depois de não conseguir entrar em um encontro no Guarujá, no litoral paulista, onde Flávio estava presente.

Na ocasião, Sastre se definiu como um “fiel escudeiro” do então presidenciável. Flávio respondeu publicamente e afirmou que não se tratava de um evento organizado por sua equipe, além de pedir desculpas pelo episódio.

Depois da explicação, Sastre voltou a declarar apoio ao senador e afirmou que a situação havia sido um equívoco.

Candidato já havia reclamado do MDB

A relação de Sastre com a própria candidatura também passou por turbulências. Em agosto, ele chegou a anunciar que abandonaria a disputa para deputado federal e acusou o MDB de boicotar seu projeto político.

O influenciador reclamou dos recursos disponibilizados para a campanha e afirmou ter sido vítima de homofobia dentro da legenda. Dados eleitorais mostram que sua candidatura recebeu aproximadamente R$ 100 mil do fundo eleitoral.

Apesar do anúncio de desistência, o registro permaneceu deferido e o nome de Sastre continuou disponível para votação em outubro.

Antes do MDB, ele também teve passagens pelo PP e disputou uma vaga de vereador em 2024. Em 2020, concorreu ao mesmo cargo pelo PT.

Agora, depois dos 294 votos obtidos em 2026, Sastre afirma que pretende se afastar da vida política e muda de posição na disputa presidencial ao anunciar voto em Lula no segundo turno.

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