A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) discute se o presidenciável deve aproveitar o feriado de 12 de outubro para ir ao Santuário Nacional Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), em meio ao esforço para recuperar apoio de católicos após a polêmica com boatos sobre a padroeira do Brasil. O dilema ocorre enquanto o candidato organiza uma agenda intensa de articulação política para a primeira semana do segundo turno.
Flávio Bolsonaro vai participar de evento em Aparecida no feriado de 12 de outubro?
Por enquanto, a visita de Flávio Bolsonaro ao Santuário Nacional Nossa Senhora Aparecida segue indefinida e divide a própria campanha. Integrantes da equipe reconhecem que a hipótese foi colocada na mesa, mas não há consenso sobre se o deslocamento será incluído oficialmente na agenda do feriado.
No dia 12, o que já está certo é a participação do candidato em uma carreata em São José dos Campos, no interior paulista, cidade que fica a 90 km de Aparecida e é reduto eleitoral do vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth (MDB), aliado de Flávio. A proximidade torna logisticamente viável um desvio até o santuário, mas auxiliares divergem sobre custo-benefício e prioridade dessa parada.
Um interlocutor da campanha avalia que o presidenciável não deve ir ao santuário, apesar das discussões internas. Outro aliado, porém, sustenta que a visita está prevista. Questionado sobre sua agenda no feriado, Flávio afirmou à imprensa que “estaria em Brasília”, o que adiciona mais uma variável à equação.
Desde o primeiro turno, o candidato tem feito gestos ao eleitorado católico, carregando a imagem de Nossa Senhora Aparecida em atos públicos. A campanha atribui a circulação de boatos de que ele destituiria a padroeira a uma ofensiva do adversário: para a equipe de Flávio, “essa notícia falsa foi impulsionada de forma coordenada pelo PT”.
O que está planejado para o feriado de 12 de outubro pela campanha de Flávio Bolsonaro?
No desenho atual, o feriado de 12 de outubro será usado principalmente para mobilização de rua em São Paulo, com a carreata em São José dos Campos no centro da programação. Além da cidade do Vale do Paraíba, aliados trabalham com a possibilidade de outros compromissos no estado ao longo do dia.
A ida a Aparecida é tratada como movimento de alto simbolismo religioso, útil para reforçar a imagem de respeito à padroeira e tentar neutralizar o desgaste causado pelos boatos. Ao mesmo tempo, assessores ponderam que cada hora de agenda no segundo turno é disputada com eventos em redutos eleitorais, gravações de programas e encontros políticos.
Na avaliação da cúpula da campanha, comparecer ou não ao santuário pode produzir efeitos distintos. Uma visita seria exibida como gesto direto aos devotos de Nossa Senhora Aparecida. A ausência, confirmada pelo próprio candidato ao dizer que estará em Brasília, pode ser lida como uma oportunidade perdida de capitalizar a data, o que obriga a campanha a buscar outras ações simbólicas voltadas ao público católico.
Entenda o contexto
A discussão sobre o feriado ganhou peso depois que, na reta final do primeiro turno, circularam mensagens nas redes dizendo que Flávio Bolsonaro tiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. O episódio repercutiu entre católicos e levou a campanha a reagir publicamente, classificando o conteúdo como falso e ligado aos adversários.
Desde então, a equipe tenta reatar pontes com esse segmento religioso, considerado estratégico na disputa polarizada do segundo turno. A data dedicada à santa, feriado nacional de 12 de outubro, é vista como uma vitrine para esse reposicionamento, o que explica o cuidado na montagem da agenda.
Articulação com governadores e partidos
Enquanto define se haverá espaço para Aparecida, Flávio Bolsonaro dedica a primeira semana pós-primeiro turno à costura política em Brasília e nos estados. Nesta terça, ele se reuniu com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito no primeiro turno, e viajou a Goiás para encontrar Ronaldo Caiado (PSD), que também declarou apoio ao presidenciável do PL.
Na quarta, estão previstos eventos com eleitos do partido Novo, quando deve ser formalizado o apoio do governador Romeu Zema (Novo), e com parlamentares e governadores eleitos pelo PL. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), eleita para o Senado, é esperada nesse encontro, convocado pelo presidente da legenda, Valdemar Costa Neto.
Na quinta, ainda em Brasília, a campanha prepara uma reunião com governadores de direita eleitos no primeiro turno. Aliados de Flávio venceram em 10 estados, enquanto o campo adversário elegeu governadores em 5 estados. No mesmo dia, está previsto o anúncio do apoio do Podemos.
A equipe também trabalha para fechar o embarque do Republicanos e da federação formada por PP e União Brasil, que ainda discutem internamente a posição no segundo turno. A expectativa é que esses movimentos se confirmem ao longo da semana.
Flávio disse que pretende ir ao Rio de Janeiro na sexta (9) e no sábado (10), em mais uma frente de mobilização em um dos principais colégios eleitorais do país. A definição final sobre Aparecida deve levar em conta esse cronograma apertado, a disputa por apoios no chamado centrão e o peso simbólico do feriado para a reconquista do eleitorado católico.