Lula e Flávio miram 17 milhões de votos em disputa no Nordeste

Região teve cerca de 9 milhões de votos em candidatos eliminados ou fora da conta dos finalistas e aproximadamente 8 milhões de ausentes; estratégias para o segundo turno seguem caminhos diferentes Luiz
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Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) colocaram o Nordeste entre as regiões prioritárias para o segundo turno da eleição presidencial. Além dos eleitores que escolheram candidatos eliminados, as campanhas tentam mobilizar milhões de pessoas que não compareceram às urnas no primeiro turno.

No cenário nacional, mais de 9,3 milhões de votos válidos foram destinados aos dez candidatos que ficaram fora do segundo turno. A abstenção foi ainda maior: cerca de 33,4 milhões de eleitores não votaram. No Nordeste, aproximadamente 8 milhões de pessoas deixaram de comparecer às urnas, segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo.

A movimentação ocorre após uma disputa apertada no primeiro turno. Flávio recebeu 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos válidos, enquanto Lula somou 53.876.617, ou 45,16%. A diferença nacional foi de pouco mais de 2,2 milhões de votos.

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Lula venceu Flávio nos nove estados nordestinos no primeiro turno. O petista recebeu cerca de 21,5 milhões de votos na região, equivalentes a 63,77% dos válidos. Flávio somou aproximadamente 10,4 milhões, ou 30,85%.

A vantagem regional de Lula ficou em cerca de 11,1 milhões de votos. O desempenho foi importante para compensar parte da vantagem obtida por Flávio em outras regiões do país.

Para o segundo turno, a estratégia petista é ampliar essa diferença. A campanha pretende reforçar a mobilização nos estados nordestinos e tentar levar às urnas eleitores que tradicionalmente integram segmentos nos quais Lula possui maior presença eleitoral.

Flávio trabalha em sentido diferente: não precisa necessariamente superar Lula no Nordeste para obter ganhos políticos na região. A campanha busca reduzir a diferença registrada no primeiro turno enquanto tenta preservar o desempenho obtido em outras partes do país.

Lula sempre teve forte apoio no Nordeste | Foto: Reprodução

Oito milhões de nordestinos não foram votar

A abstenção aparece como um dos principais espaços para crescimento das duas candidaturas. Cerca de 8 milhões de eleitores nordestinos não compareceram às urnas no primeiro turno.

O contingente chama atenção principalmente quando comparado à diferença nacional entre Flávio e Lula, de aproximadamente 2,2 milhões de votos.

Isso não significa, porém, que os ausentes formarão automaticamente uma reserva eleitoral para qualquer candidato. Parte pode novamente deixar de votar, enquanto os que comparecerem no segundo turno podem escolher Flávio, Lula ou votar branco ou nulo.

A campanha de Lula decidiu colocar esse eleitorado entre suas prioridades. Após o primeiro turno, o presidente questionou publicamente os motivos da ausência de tantos brasileiros.

“Tem uma coisa que nós temos que trabalhar: são 30 milhões de pessoas que não foram votar. O que aconteceu com essas pessoas? Eles perderam o sentido de responsabilidade? Eles não foram convencidos? Eles não gostam dos candidatos?”

Além da mobilização nos estados, aliados petistas discutem ferramentas para identificar áreas com maior abstenção e direcionar ações da campanha.

Flávio tenta crescer onde Lula é mais forte

Do lado de Flávio, a estratégia passa por aproveitar o desempenho obtido pela direita no primeiro turno e ampliar alianças políticas na região.

O candidato do PL recebeu mais de 10 milhões de votos no Nordeste. Alagoas foi o estado onde mais se aproximou de Lula proporcionalmente: Flávio teve 40,45% dos válidos, enquanto o petista alcançou 54,73%.

No Piauí ocorreu a maior distância percentual. Lula recebeu 70,99% dos votos válidos, contra 24,09% de Flávio.

A campanha do PL pretende utilizar parlamentares, prefeitos e outras lideranças regionais para ampliar sua presença. A estratégia nacional de Flávio também inclui a incorporação de apoios de partidos e candidatos que ficaram fora do segundo turno.

Mirando voto nordestino, Flávio anunciou Alfredo Gaspar como vice e intensifica agenda na região | Foto: Reprodução

Votos dos derrotados também entram na disputa

Outra frente importante são os mais de 9,3 milhões de votos recebidos nacionalmente pelos candidatos eliminados.

Augusto Cury (Avante) terminou em terceiro lugar, com 3.448.551 votos, ou 2,89% dos válidos. Renan Santos (Missão) ficou em quarto, com 2.675.878 votos, equivalentes a 2,24%.

Ronaldo Caiado (PSD) recebeu 2.605.128 votos, ou 2,18%, e posteriormente declarou apoio a Flávio.

Apesar das articulações entre os candidatos e partidos, uma declaração de apoio não significa transferência automática dos votos. Cada eleitor poderá fazer uma nova escolha no segundo turno.

Cury e Renan, por exemplo, não haviam anunciado apoio a nenhum dos dois finalistas no período imediatamente posterior ao primeiro turno.

Bahia concentra maior votação de Lula na região

A Bahia foi o principal reduto eleitoral de Lula em números absolutos no Nordeste. O presidente recebeu aproximadamente 5,66 milhões de votos no estado, enquanto Flávio obteve cerca de 2,44 milhões.

A diferença superior a 3,2 milhões de votos ajuda a explicar por que o estado deve receber atenção especial durante a reta final.

Lula também reorganizou sua campanha para reforçar a presença regional. Governadores aliados, entre eles Jerônimo Rodrigues, da Bahia, Elmano de Freitas, do Ceará, e Rafael Fonteles, do Piauí, devem participar da mobilização.

Flávio, por sua vez, busca reduzir a vantagem petista no Nordeste enquanto tenta consolidar apoios políticos obtidos depois do primeiro turno.

Próximos passos

As estratégias serão colocadas à prova até 25 de outubro, data do segundo turno.

Com apenas 1,87 ponto percentual separando Flávio e Lula no primeiro turno, as duas campanhas passaram a olhar simultaneamente para três grupos: eleitores dos candidatos eliminados, brasileiros que não compareceram às urnas e pessoas que votaram branco ou nulo.

No Nordeste, a disputa ganha peso adicional pelo tamanho do eleitorado e pela vantagem construída por Lula na região. Flávio tenta diminuir essa distância, enquanto o petista busca ampliar a margem e aumentar o comparecimento de eleitores.

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