André Janones cria grupo com 1 milhão no WhatsApp e mobiliza Lula

Janones expande grupo no WhatsApp e fortalece apoio digital a Lula em campanha decisiva.
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André Janones (Rede-MG) assumiu por conta própria a linha de frente da militância digital pró-Lula após o presidente terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL) e, em poucos dias, transformou o grupo de WhatsApp “Exército do Lula” de um canal com 50 mil participantes em uma tropa virtual com mais de 1 milhão de integrantes espalhados pelo Brasil.

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O canal, criado originalmente para troca de ideias, virou quartel-general da mobilização nas redes sociais. Janones envia áudios em sequência com instruções, pede que cada membro convide pelo menos mais três pessoas e planeja dedicar os próximos dias a fazer o grupo chegar a algo entre 2 milhões e 3 milhões de participantes.

“Não vou mais ficar esperando a campanha, temos três semanas para virar a eleição. Todos me ouvem, nada acontece”, disse o deputado federal, reeleito por Minas Gerais.

A ideia é coordenar ações simultâneas em diferentes plataformas, com a mesma mensagem sendo replicada por milhares de perfis ao mesmo tempo.

Com o “Exército do Lula”, Janones tenta reproduzir, no campo lulista, a engrenagem de distribuição de conteúdo que ele atribui à direita. Ele fala em “comunicação unificada”, em que militantes, influenciadores e políticos publiquem sobre o mesmo tema no mesmo momento, concentrando o debate público.

“Comunicação unificada é algo que não tivemos nesses quatro anos de governo. É para o país inteiro falar só sobre esse assunto”, afirma.

Influenciadores, políticos e conselho digital em formação

Para acelerar o crescimento do grupo, Janones convocou influenciadores, formadores de opinião e políticos com grandes audiências a divulgarem o canal em seus perfis e a fazerem publicações em colaboração com ele no Instagram, recurso que duplica o alcance ao aparecer tanto no perfil do aliado quanto no dele.

Com cerca de 3 milhões de seguidores no Instagram, 1 milhão no X e 1,5 milhão no TikTok, o deputado aposta no próprio alcance para puxar a coordenação. Diante da escalada do “Exército do Lula”, ele estuda criar um conselho com parlamentares e quadros que considera “bons de redes” para ajudar a gerir missões e conteúdos.

Entre os nomes citados por ele estão Ana Elisa Santos Silva (PT-MG), Pedro Campos (PSB-PE), João Campos (PSB), Gleisi Hoffmann (PT), Lindbergh Farias (PT-RJ), Renato Freitas (PT-PR), Guilherme Cortez (PSOL-SP) e Luna Zarattini (PT-SP. A ideia é que esse grupo pense a estratégia do canal e aponte temas prioritários a serem empurrados pela militância.

Ana Elisa se tornou destaque no combate digital à Flávio | Foto: Reprodução

Entenda o contexto

A ofensiva digital surge depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fechar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro e ver o adversário concentrar o chamado voto útil no campo da direita. Desde a campanha, Janones vinha alertando aliados de que o desempenho do candidato do PL nas redes indicava risco real de ultrapassagem.

Os avisos, segundo ele, foram recebidos com resistência dentro da própria militância. Agora, com o resultado em mãos e apenas três semanas até o segundo turno, o deputado usa o capital que acumulou como estrategista digital para tentar reverter a vantagem do bolsonarismo na internet.

Vídeos “caseiros” e Lula mais humano no centro da estratégia

Além de organizar a tropa de apoiadores, Janones mira na vitrine principal da campanha: a imagem de Lula nas redes. Ele considera que a comunicação atual do presidente é fria e pouco conectada ao cotidiano do eleitor.

“A maneira como o presidente se comunica nas redes sociais é ultrapassada, analógica. Não é só distribuir conteúdo, é falar a linguagem das redes”, critica.

O deputado defende uma virada brusca de estilo, com vídeos curtos, filmados em celular, que mostrem o presidente em situações comuns. Na lista de cenas desejadas estão Lula visitando casas de beneficiários de programas sociais, tomando café no fim da tarde, se arrumando para reuniões e conversando sem mediação com moradores de bairros populares.

“Precisa de uma mudança drástica, mostrar o Lula humano, parar de chegar de helicóptero na Vila Euclides e passar a ser o Lula nordestino, sentar na calçada junto com a pessoa e dialogar com ela. Mas não precisa de produção cinematográfica”, afirma.

Na avaliação de Janones, se essa mudança não acontecer rapidamente, a forma como o presidente se apresenta online pode custar a reeleição. Por outro lado, se der certo, a campanha ganha uma comunicação mais orgânica, focada na identificação afetiva com o eleitor e impulsionada por uma militância digital volumosa e coordenada.

Disputa nas redes deve se intensificar até o segundo turno

A explosão do “Exército do Lula” em poucos dias, de 50 mil para mais de 1 milhão de membros, indica disposição de engajamento entre apoiadores e sinaliza uma escalada da guerra de narrativas nas próximas semanas. Do lado governista, a aposta é que a nova tropa virtual ajude a disputar espaço com páginas e influenciadores bolsonaristas, hoje mais consolidados nas redes.

Enquanto os aliados de Lula passam a contar com um canal centralizado para difundir orientações e conteúdos, setores tradicionais da comunicação política tendem a perder protagonismo para essa dinâmica mais descentralizada e veloz, baseada em vídeos simples e linguagem direta. O desempenho dessa estratégia, agora, será medido voto a voto até o segundo turno.

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