A federação partidária formada por PP e União Brasil decidiu, por unanimidade, apoiar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial e leva nesta quarta-feira (7) o senador a um ato público em Brasília para formalizar o gesto, consolidando um novo bloco do Centrão em torno de sua candidatura.
LEIA TAMBÉM
Lula pressiona Flávio sobre fim da escala 6×1: “Qual conta ela deixa de pagar?”
Federação muda de neutralidade para apoio explícito
A decisão foi tomada na terça-feira (6), em reunião das Executivas Nacionais das duas siglas com dirigentes estaduais, deputados e senadores. No primeiro turno, PP e União Brasil haviam mantido neutralidade formal na disputa pelo Planalto.
Líder do PP no Senado, a senadora Tereza Cristina afirmou que a federação “fechou questão” pelo apoio a Flávio, o que, em tese, orienta o posicionamento da bancada. Ela evitou, porém, antecipar se haverá punição a filiados que continuarem ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O apoio dá a Flávio uma base mais robusta no Congresso e no governo, já que PP e União Brasil reúnem ministros, ex-ministros e lideranças com influência direta na pauta legislativa e na composição da Esplanada.

Dissidências internas e risco de tensão
Mesmo com a decisão unânime na cúpula, persistem dissidências. Na Paraíba, o governador eleito Lucas Ribeiro (PP) mantém apoio a Lula e participou recentemente de reunião com o presidente e aliados, em movimento visto dentro do partido como foco potencial de conflito.
Dirigentes de PP e União Brasil avaliam nos bastidores se será necessário impor sanções a quadros que contrariem a linha oficial. Por enquanto, a palavra de ordem é tentar administrar os casos individualmente, para evitar rupturas abertas em estados onde alianças locais envolvem PT e partidos do Centrão.
Governadores do Centro-Oeste e MDB de Goiás se somam ao bloco
A formalização do apoio da federação vem na esteira de movimentos individuais de governadores fora do PL. Na terça, Flávio esteve em Goiânia para receber o apoio do governador reeleito de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), que havia sido seu adversário na corrida presidencial até o último domingo.
O encontro contou também com a presença do governador goiano Daniel Vilela (MDB). Nacionalmente, PSD e MDB mantêm discurso de neutralidade, mas liberaram filiados, abrindo espaço para adesões regionais como a de Caiado e de aliados em Goiás.
Esses gestos reforçam o desenho de um cinturão pró-Flávio no Centro-Oeste e em parte do Sudeste, com impacto na disputa por votos e na futura correlação de forças entre governadores e o Palácio do Planalto.

Republicanos negocia apoio e coloca Câmara no jogo
Após o movimento de PP e União Brasil, o Republicanos é visto como o próximo alvo da articulação do PL para ampliar a aliança no Centrão. O partido elegeu 41 deputados e cinco senadores e controla a presidência da Câmara com Hugo Motta (PB), que trabalha para permanecer no comando na próxima legislatura.
O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), atua como principal interlocutor entre Flávio e o presidente nacional da sigla, Marcos Pereira, em busca de um apoio formal. A relação direta entre o senador e o dirigente partidário é descrita por aliados como distante, o que fez de Tarcísio uma espécie de ponte entre os dois.
Um dos pontos centrais da negociação é justamente a sucessão na Mesa Diretora da Câmara. Com o PL caminhando para ter a maior bancada a partir de 2027, o aval de Flávio será determinante para o futuro de Hugo Motta na presidência da Casa.
Dentro do Republicanos, contudo, também há quadros ligados a Lula. O próprio Motta apoiou a reeleição do presidente e participou de atos de campanha na Paraíba, o que torna o acerto interno mais complexo e pode levar a uma solução que preserve dissidências estaduais, mesmo com eventual decisão nacional pelo apoio ao senador do PL.

PT tenta preservar pontes com o Centrão
No campo petista, a avaliação é de que a adesão de partidos do Centrão a Flávio já era provável após o primeiro turno. Com a oficialização do movimento de PP e União Brasil, a estratégia passa a ser preservar lideranças específicas dessas siglas, mesmo que as cúpulas migrem para o adversário.
O senador Davi Alcolumbre (União Brasil) está no centro dessa movimentação. Ele não participou da reunião da federação na terça, mas manteve agenda em Brasília com representantes do governo. Alcolumbre se encontrou com o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, e com a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT), para discutir a tramitação de projeto que reduz a jornada de trabalho e altera a escala 6×1.
Hugo Motta também figura na lista de nomes que o PT pretende manter próximos, mesmo diante de uma possível adesão nacional do Republicanos a Flávio. A leitura no governo é de que, em um Congresso fragmentado, preservar canais com figuras-chave do Centrão será essencial para qualquer que seja o próximo presidente.
Impacto na disputa e na governabilidade
A entrada oficial de PP e União Brasil no palanque de Flávio Bolsonaro reorganiza o tabuleiro do segundo turno ao concentrar grande parte do Centrão em seu entorno. Esses partidos somam uma das maiores fatias da Câmara e do Senado e detêm influência em ministérios, autarquias e governos estaduais.
Para o PL, o reforço pode significar maior capacidade de mobilização territorial, mais tempo de exposição em estruturas partidárias e um horizonte de governabilidade menos incerto em caso de vitória. Para o PT, a perda de apoios formais fragiliza o poder de barganha em negociações futuras, inclusive na disputa pela presidência da Câmara e do Senado.
O ato público desta quarta em Brasília, com presença de Flávio e das principais lideranças de PP e União Brasil, marca o ponto de partida visível dessa nova configuração de forças. Em paralelo, as cúpulas partidárias seguem em conversas reservadas sobre punições a dissidentes e sobre o desenho de uma eventual coalizão de governo que acomode os novos aliados do Centrão.