Juarez Machado, que morreu aos 85 anos na terça-feira (6), deixou uma trajetória que ultrapassou as artes plásticas e marcou também a história da televisão brasileira. Nos anos 1970, o artista ganhou projeção nacional no Fantástico ao protagonizar apresentações de mímica nas quais interagia com os próprios desenhos.
Com o rosto pintado de branco e sem pronunciar palavras, Juarez misturava pantomima, desenho, caricatura e humor. As apresentações transformaram o catarinense em um dos pioneiros do desenho de humor na televisão brasileira e ficaram entre os trabalhos mais lembrados de sua passagem pela TV.
Juarez morreu em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pelo Instituto Internacional Juarez Machado, instituição criada pelo próprio artista em Joinville (SC) para preservar e divulgar seu legado.
Mímicas fizeram sucesso no Fantástico
A relação de Juarez Machado com o Fantástico começou nos primeiros anos do programa. Ele integrou a equipe ligada à criação da atração e trabalhou também nos bastidores, desenvolvendo cenários e elementos visuais para apresentações musicais.
Foi diante das câmeras, porém, que o artista se tornou conhecido por milhões de brasileiros. Em suas apresentações, Juarez aparecia caracterizado e desenvolvia situações de humor sem utilizar diálogos, interagindo diretamente com linhas, objetos e personagens que desenhava.
O quadro ganhou espaço a partir de 1974 e permaneceu no programa durante os anos seguintes. A combinação de desenho e mímica tornou-se uma das marcas daquele período do Fantástico.
Artista também trabalhou nos bastidores da televisão
Antes e durante a experiência diante das câmeras, Juarez desenvolveu trabalhos como cenógrafo. Ele participou da elaboração de cenários para apresentações de artistas como Elis Regina, Roberto Carlos e Raul Seixas.
O multiartista também esteve envolvido na concepção visual do primeiro especial de Roberto Carlos produzido pela Globo, exibido em dezembro de 1974.
A televisão, no entanto, representou apenas uma parte de uma carreira de mais de seis décadas. Juarez atuou como pintor, escultor, desenhista, caricaturista, ilustrador, designer, cenógrafo, escritor, fotógrafo e ator.
Carreira ganhou projeção internacional
Nascido em Joinville, Santa Catarina, em 16 de março de 1941, Juarez demonstrou interesse pelas artes desde a infância. Ainda jovem, trabalhou em uma gráfica e posteriormente estudou na Escola de Música e Belas Artes do Paraná.
A primeira exposição individual aconteceu em 1964. Depois, o artista se estabeleceu no Rio de Janeiro, onde também trabalhou como chargista e ampliou sua atuação no cenário cultural brasileiro.
Após a fase de maior presença na televisão, Juarez concentrou parte da carreira na pintura. Passou por cidades como Nova York e Londres e, posteriormente, estabeleceu um ateliê em Paris, ampliando a projeção internacional de sua obra.
Em 2014, criou em Joinville o Instituto Internacional Juarez Machado, dedicado à preservação de sua produção e à promoção das artes.
A morte do artista levou Joinville a decretar luto oficial de três dias. O instituto também suspendeu as atividades entre os dias 7 e 9 de outubro em homenagem a Juarez.