O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reconheceu falhas na campanha à reeleição e afirmou ter feito, em 2026, sua campanha “menos organizada” desde a primeira vez em que disputou a Presidência, em 1989. A avaliação ocorre após o petista terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL).
Lula e aliados passaram os primeiros dias depois da votação fazendo um balanço da estratégia adotada até domingo (4). A campanha já discute mudanças na coordenação, na comunicação e na mobilização nos estados para tentar ampliar a votação do presidente no segundo turno.
Flávio terminou o primeiro turno com 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos. Lula recebeu 53.876.617, ou 45,16%. A diferença ficou em pouco mais de 2,2 milhões de votos.
Lula revê estratégia e avalia mudanças no QG para tentar reação no 2º turno
Lula reconhece problemas na campanha
A avaliação do presidente coincide com críticas que já vinham sendo feitas por integrantes do PT e aliados durante o primeiro turno.
Entre os problemas identificados estavam dificuldades na produção e distribuição de materiais de campanha nos estados. Em setembro, o presidente nacional do PT e coordenador da campanha, Edinho Silva, já havia reconhecido publicamente um “erro de planejamento” nessa área.
Depois do resultado das urnas, integrantes da própria campanha também apontaram falhas na estratégia de comunicação e defenderam maior participação de lideranças regionais na mobilização eleitoral.
Campanha prepara mudanças para o segundo turno
Lula se reuniu com dirigentes partidários, ministros e aliados para discutir os próximos passos da disputa. Entre as prioridades estão aumentar a mobilização no Nordeste, reduzir a diferença em estados como São Paulo e Minas Gerais e buscar eleitores que não compareceram ao primeiro turno.
A abstenção chegou a aproximadamente 33,4 milhões de eleitores, equivalente a 21% do eleitorado. Outros cerca de 6 milhões votaram em branco ou anularam o voto.
A campanha também pretende ampliar a presença de Lula nas redes sociais e retomar viagens por estados considerados estratégicos.
Lula promete participar de debates
Outra mudança deve ocorrer na participação em debates. Lula não compareceu aos confrontos entre os candidatos durante o primeiro turno, mas afirmou aos aliados que pretende enfrentar Flávio Bolsonaro nos debates da etapa decisiva.
“Agora sim é importante ter debate na televisão. Agora é tête-à-tête”, afirmou o presidente durante uma reunião com aliados.
O petista também havia reconhecido, logo após a apuração, que esperava vencer a eleição já no primeiro turno. Depois do resultado, classificou a nova etapa como uma “nova campanha”.
Segundo turno será em 25 de outubro
Lula e Flávio Bolsonaro terão menos de três semanas entre os dois turnos para reorganizar as estratégias e disputar os votos dos eleitores que escolheram outros candidatos.
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão será retomada em 9 de outubro.
A votação do segundo turno está marcada para 25 de outubro. Até lá, as duas campanhas devem intensificar viagens, atos políticos, negociações por apoios e a disputa por eleitores que não votaram em nenhum dos dois candidatos no primeiro turno.