Gripen E brasileiro faz voo inaugural e avança para testes finais

O voo inaugural do Gripen E brasileiro representa um avanço significativo na produção nacional de caças para a FAB.
Redação NC News
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O primeiro caça Gripen E produzido pela Embraer no Brasil fez nesta quarta-feira (7) seu voo inaugural na unidade de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, e abriu a fase final de testes antes da entrega à Força Aérea Brasileira (FAB), consolidando a fábrica brasileira como polo de produção, integração e ensaios do modelo.

Voo testa sistemas e abre etapa de aceitação

Pilotada por um piloto de testes da Saab, a aeronave decolou para checar o funcionamento dos principais sistemas e validar o desempenho em voo. Segundo as empresas envolvidas, o caça respondeu como previsto e gerou dados que vão alimentar a campanha de ensaios de produção e aceitação, prévia à certificação de aeronavegabilidade e à entrega operacional à FAB.

O jato é o primeiro de 15 Gripen E previstos para serem montados no país, dentro do contrato em vigor que prevê 36 aeronaves para a Força Aérea, sendo 28 Gripen E monoposto e 8 Gripen F biposto. A montagem final deste primeiro caça foi concluída pela Embraer, e a aeronave havia sido apresentada oficialmente em 25 de março.

Após a conclusão dos testes de aceitação, o novo Gripen E deve ser transferido para a Base Aérea de Anápolis, em Goiás, onde será incorporado ao Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), unidade responsável pela operação do modelo.

Transferência de tecnologia e indústria de defesa

A linha de Gavião Peixoto é hoje a única fora da Suécia dedicada à produção do Gripen. O site passou a concentrar atividades de fabricação, integração e testes após um processo de mais de uma década de cooperação e transferência de tecnologia entre Saab, Embraer e FAB, que levou engenheiros, técnicos e especialistas brasileiros a participar de etapas de desenvolvimento, engenharia, integração e ensaios junto à fabricante sueca.

Esse esforço resultou na instalação no Brasil de capacidade industrial para projetar, montar e testar caças de alta tecnologia. Do total de 36 aeronaves contratadas pela FAB, 10 já foram entregues e operam em Anápolis, enquanto as demais avançam nas fases de produção e integração, parte delas em território brasileiro.

Para a Embraer, o programa amplia o papel da empresa na defesa, além do portfólio de aviões de transporte e vigilância, e fortalece sua posição como integradora de sistemas complexos. Para a Saab, a parceria abre uma base industrial robusta na América Latina e aumenta a competitividade do Gripen em futuras campanhas internacionais.

“Marco histórico” para a soberania e a indústria

O presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Junior, classificou o voo como um divisor de águas para o setor aeroespacial brasileiro. “Este voo do primeiro Gripen E produzido pela Embraer no Brasil é um marco histórico para a indústria aeroespacial e de defesa do país. Ele consolida o sucesso de uma estratégia de longo prazo que combinou a visão da Força Aérea Brasileira, a expertise da Saab e as capacidades de engenharia e manufatura da Embraer”, afirmou.

Ele destacou ainda o impacto do programa sobre a Base Industrial de Defesa. “Mais do que uma conquista do Programa Gripen, este marco fortalece a Base Industrial de Defesa do país e deixa um legado duradouro de conhecimento, inovação e capacidade industrial, contribuindo para a soberania nacional e a competitividade do Brasil nas próximas décadas em programas globais de alta complexidade”, disse Bosco da Costa Junior.

Marcus Wandt, chefe da área de negócios Aeronautics da Saab, ressaltou o avanço da produção local. “Este voo inaugural demonstra que a produção do Gripen no Brasil atingiu um novo nível de maturidade. Tenho orgulho da nossa estreita cooperação com a Embraer no programa Gripen, que estabelece uma base sólida para o futuro desenvolvimento do Gripen no Brasil”, afirmou.

Entenda o contexto

O contrato em vigor entre o governo brasileiro e a Saab prevê o desenvolvimento e a produção de 36 caças Gripen para a FAB, com forte ênfase em transferência de tecnologia. O acordo inclui o envio de profissionais brasileiros para atuar lado a lado com equipes suecas e a instalação, em Gavião Peixoto, de infraestrutura para fabricar, integrar e testar as aeronaves.

Até agora, 10 caças já foram entregues e estão em operação, enquanto outras unidades seguem em diferentes estágios de produção no Brasil e na Suécia. A montagem de 15 aeronaves em território nacional é apontada pelas empresas e pela FAB como passo chave para consolidar competências locais em engenharia, manufatura avançada e integração de sistemas de defesa.

Esse movimento fortalece a Base Industrial de Defesa brasileira, gera empregos qualificados e reduz a dependência externa em tecnologia sensível, ao mesmo tempo em que amplia a capacidade do país de participar de programas globais como parceiro e integrador, e não apenas como comprador.

Programa pode ganhar mais 20 aeronaves

A cooperação entre Embraer e Saab tende a se expandir. Em 21 de julho, as duas empresas assinaram um memorando de entendimentos para aprofundar negociações de novos contratos ligados ao Gripen, incluindo a possibilidade de produzir mais 20 aeronaves em Gavião Peixoto, além das 36 já previstas para a FAB.

A intenção é utilizar a capacidade instalada no Brasil tanto para futuras encomendas nacionais quanto para disputar contratos internacionais, com a linha da Embraer complementando a fábrica da Saab na Suécia. Em um cenário de aumento da demanda pelo caça, a unidade brasileira pode se tornar um eixo relevante da produção global do Gripen e ampliar o peso do país na cadeia internacional de defesa e tecnologia.

 

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