Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL),candidatos à Presidência no segundo turno das eleições de 2026, defendem a continuidade do Bolsa Família, mas apresentam propostas diferentes para o futuro do programa. Enquanto Lula promete ampliar a proteção social, com atenção especial a crianças e adolescentes, Flávio concentra suas medidas na qualificação profissional e na entrada dos beneficiários no mercado formal de trabalho.
O debate envolve aproximadamente 19,28 milhões de beneficiários, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. Em setembro, o governo federal anunciou um reajuste de 15,04% no valor mínimo, que passou de R$ 600 para R$ 691. Flávio criticou a medida, mas afirmou que manteria o novo valor caso fosse eleito.
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Lula promete ampliar proteção social e manter benefícios para crianças
O plano de governo de Lula para 2026 prevê a manutenção, o aperfeiçoamento e a ampliação das políticas de transferência de renda. O documento cita diretamente o Bolsa Família e destaca a continuidade dos benefícios destinados a crianças e adolescentes.
A proposta está associada ao combate à pobreza, à valorização do salário mínimo e à ampliação do acesso à educação, à saúde e ao emprego. Apesar de defender o fortalecimento do programa, o plano não estabelece um novo valor para o benefício durante o próximo mandato.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, em 17 de setembro, Lula afirmou que pretende manter a transferência de renda enquanto houver famílias que dependam dela para garantir suas necessidades básicas.
O presidente também defende que o crescimento econômico e a geração de empregos de qualidade permitam que mais famílias aumentem sua renda e deixem gradualmente o programa.
Reajuste elevou benefício mínimo para R$ 691
O governo anunciou em setembro a elevação do piso do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, com aplicação prevista a partir da folha de pagamentos de outubro.
Segundo a gestão federal, o aumento corresponde à recomposição da inflação acumulada desde 2023, quando o programa foi retomado com o nome Bolsa Família.
A medida foi anunciada a cerca de duas semanas do primeiro turno e provocou críticas de adversários políticos, que questionaram o momento escolhido para a correção. O governo rejeitou as acusações de motivação eleitoral e sustentou que o reajuste buscava preservar o poder de compra das famílias.
O benefício médio, que era de aproximadamente R$ 675, deve alcançar cerca de R$ 777 após a atualização, conforme os valores divulgados pelo governo.
Flávio Bolsonaro promete manutenção e incentivo ao emprego formal
Flávio Bolsonaro também assumiu o compromisso de preservar os programas sociais existentes. Seu plano de governo, porém, não menciona nominalmente o Bolsa Família e apresenta medidas para melhorar a gestão dos benefícios, combater fraudes e facilitar a transição dos participantes para o mercado de trabalho.
Entre as propostas estão a prioridade para beneficiários em cursos de qualificação profissional, programas de primeiro emprego e serviços de intermediação de mão de obra.
O candidato defende que a assistência financeira seja acompanhada de oportunidades para aumentar a renda familiar e reduzir a necessidade de apoio do Estado ao longo do tempo.
Em fevereiro, durante uma conferência promovida pelo BTG Pactual, Flávio afirmou que programas como o Bolsa Família seriam mantidos enquanto as famílias precisassem da assistência pública.
Flávio quer facilitar retorno ao benefício após desemprego
Uma das propostas do candidato do PL é garantir que beneficiários que consigam um emprego formal possam retornar rapidamente ao programa caso fiquem desempregados e continuem atendendo aos critérios de elegibilidade.
O plano prevê o retorno sem fila após o período de seguro-desemprego, com o objetivo declarado de reduzir a insegurança financeira de quem aceita uma oportunidade de trabalho.
Flávio argumenta que algumas famílias temem perder a assistência ao aumentar a renda e, posteriormente, enfrentar dificuldades para recuperá-la caso o emprego não seja mantido.
Em junho, o senador afirmou que o Bolsa Família representa uma fonte de estabilidade para pessoas que já enfrentaram situações de insegurança alimentar. Também contestou a ideia de que beneficiários não desejam trabalhar.
A proposta de retorno facilitado, entretanto, não significa que atualmente todos os beneficiários percam o auxílio ao conseguir emprego. O programa já possui mecanismos de permanência temporária para famílias que registram aumento de renda.
Bolsa Família já tem regra para quem começa a trabalhar
A chamada Regra de Proteção permite que famílias permaneçam temporariamente no Bolsa Família após o aumento da renda, desde que respeitados os critérios previstos na legislação.
O mecanismo busca evitar a interrupção imediata do benefício quando alguém da família consegue emprego ou passa a receber uma remuneração maior.
Assim, a principal diferença da proposta apresentada por Flávio está na promessa de ampliar a segurança para o retorno ao programa em caso de desemprego, além de integrar a assistência a iniciativas de qualificação e contratação.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social citados em levantamento publicado nesta quinta-feira (8), 2,07 milhões de famílias deixaram o Bolsa Família entre janeiro e outubro de 2025 após mudanças na renda ou o encerramento do período previsto pela Regra de Proteção.
Histórico dos programas sociais passou por mudanças desde 2003
O Bolsa Família foi criado em 2003, durante o primeiro mandato de Lula, a partir da unificação de iniciativas de transferência de renda que já existiam, como Bolsa Escola, Bolsa Alimentação, Auxílio Gás e Cartão Alimentação.
Durante os dois primeiros governos petistas, o programa passou de aproximadamente 3,6 milhões de famílias atendidas, em 2003, para 12,8 milhões em 2010.
Em 2021, no governo de Jair Bolsonaro, o Bolsa Família foi substituído pelo Auxílio Brasil. No ano seguinte, o valor mínimo foi elevado de R$ 400 para R$ 600.
Com o retorno de Lula à Presidência em 2023, o programa recuperou o nome Bolsa Família e manteve o piso de R$ 600 até o reajuste anunciado em setembro de 2026.
Quais são as principais diferenças entre as propostas?
Os dois candidatos afirmam que não pretendem encerrar a transferência de renda destinada às famílias de baixa renda. As diferenças estão principalmente nas prioridades apresentadas para a gestão e a evolução do programa.
- Lula: propõe manter, aperfeiçoar e ampliar a proteção social, com destaque para benefícios voltados à infância e à adolescência. Seu plano não apresenta um novo valor para o Bolsa Família.
- Flávio Bolsonaro: promete preservar os programas existentes e o valor reajustado, priorizar qualificação e emprego formal, combater fraudes e facilitar o retorno ao benefício em caso de desemprego.
Ambos também associam a redução da dependência da transferência de renda à ampliação das oportunidades de trabalho, embora apresentem estratégias distintas para alcançar esse objetivo.
Beneficiários do programa também aparecem nas pesquisas eleitorais
O Bolsa Família ocupa espaço na campanha presidencial porque atende milhões de famílias e representa uma parcela importante da renda de seus beneficiários.
Na pesquisa Quaest divulgada em 28 de setembro, Lula registrou 59% das intenções de voto entre beneficiários do programa em um cenário de segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro apareceu com 27%.
Os percentuais correspondem ao segmento pesquisado naquela data e não representam o conjunto de todos os eleitores brasileiros.
Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, as propostas sobre o Bolsa Família seguem entre os temas da disputa. A implementação de eventuais mudanças dependerá das decisões do próximo governo, das regras legais e da disponibilidade de recursos orçamentários.