A Polícia Civil de São Paulo afirmou que não há evidências da atuação de um assassino em série na capital paulista, apesar da descoberta de corpos em sacos plásticos, cobertores e tecidos em diferentes regiões da cidade. A declaração foi feita pela delegada Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), na quarta-feira (7), após especulações sobre uma possível ligação entre os crimes ganharem repercussão nas redes sociais.
Ao menos nove mortes com características de execução foram registradas em aproximadamente 30 dias. Segundo a polícia, as investigações apontam circunstâncias distintas, e a semelhança na forma como os cadáveres foram encontrados não é suficiente para indicar a atuação de um único criminoso.
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Delegada afirma que não há evidências de assassino em série
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Ivalda Aleixo contestou os rumores de que uma mesma pessoa estaria por trás dos homicídios investigados pelo DHPP.
“Não existe nenhuma evidência de que um serial killer está agindo em São Paulo”, afirmou a delegada.
Segundo ela, as especulações surgiram porque parte das vítimas foi encontrada dentro de sacos plásticos ou envolvida em tecidos, o que levou usuários das redes sociais a associar os episódios.
“Esse tipo de acondicionamento infelizmente é recorrente para transportar e ocultar cadáveres. Mas, isoladamente, não constitui a assinatura de um criminoso”, explicou.
A delegada ressaltou que a utilização de materiais semelhantes não comprova a existência de um padrão de atuação criminosa. Para estabelecer uma conexão entre homicídios, os investigadores precisam considerar outros elementos, como o perfil das vítimas, a motivação, a dinâmica dos crimes e as provas coletadas.
Corpos foram encontrados em diferentes regiões da capital
Os registros ocorreram principalmente ao longo de setembro e no início de outubro. As ocorrências estão distribuídas por diferentes pontos da cidade, sem concentração em uma única região.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, quatro casos foram registrados na zona leste, três na zona sul, um na zona norte e outro na zona oeste. Não havia registros desse conjunto de ocorrências na região central.
Entre os episódios investigados está o de um corpo encontrado amarrado e ensacado em 5 de setembro, no Jabaquara, zona sul. O cadáver foi localizado por trabalhadores da limpeza urbana.
Em 10 de setembro, outros corpos foram encontrados nos bairros Vila Chuca e Colônia, ambos na zona leste, em locais separados por poucos quilômetros.
No dia 19 do mesmo mês, um cadáver esquartejado foi localizado no Jaçanã, na zona norte. Já em 2 de outubro, o corpo de um homem foi encontrado dentro de um saco plástico no Parque Ecológico do Tietê, também na zona leste.
Apesar das semelhanças visuais, a polícia afirma que os episódios apresentam elementos diferentes e não há, até o momento, provas que permitam atribuí-los ao mesmo autor.
Polícia investiga vinganças e possíveis ações do tribunal do crime
Entre as hipóteses consideradas pelos investigadores estão vinganças, conflitos relacionados ao crime organizado e episódios de justiçamento.
O chamado tribunal do crime é uma prática atribuída a organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), em que integrantes de facções impõem punições clandestinas a pessoas acusadas de descumprir regras estabelecidas pelo grupo.
A possibilidade de participação de integrantes de facções é investigada em determinadas ocorrências, mas não foi estabelecida como explicação para todas as mortes.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), os casos são analisados individualmente, com inquéritos próprios e diligências para identificar os responsáveis.
Em parte das investigações, a polícia já trabalha com suspeitos e possíveis motivações. As autoridades também procuram esclarecer a identidade de vítimas que ainda não haviam sido identificadas.
Secretaria explica por que sacos plásticos não indicam conexão
A Secretaria da Segurança Pública reforçou que a maneira como um corpo é transportado ou abandonado não constitui, isoladamente, evidência de que diferentes mortes tenham sido cometidas pela mesma pessoa.
“O uso de sacos plásticos ou tecido em alguns casos, isoladamente, não indica ligação entre os crimes e pode estar relacionado à movimentação ou ocultação dos corpos”, informou a pasta.
Segundo a polícia, a ocultação de cadáveres é uma prática encontrada em diferentes tipos de homicídio. Por isso, é necessário examinar as circunstâncias de cada ocorrência antes de estabelecer qualquer relação.
Os investigadores também identificaram diferenças entre os perfis das vítimas, os locais onde os corpos foram abandonados e as possíveis motivações.
Número de ocorrências varia conforme o levantamento
As informações divulgadas apresentam diferenças na quantidade de casos contabilizados. A reportagem que reúne os registros mais recentes menciona nove mortes em aproximadamente 30 dias, enquanto a SSP-SP informou que ao menos oito ocorrências estavam sob investigação individualizada pelo DHPP.
A diferença está relacionada aos recortes utilizados nas apurações e aos casos incluídos em cada levantamento. Não significa, por si só, que as autoridades tenham identificado novas vítimas de um mesmo criminoso.
Em um dos balanços oficiais, sete das oito vítimas já haviam sido identificadas. Outro levantamento mais amplo apontou oito vítimas identificadas entre nove ocorrências.
As investigações continuam para esclarecer a autoria e as circunstâncias de cada morte.
Rumores nas redes sociais ampliaram repercussão dos casos
A sequência de descobertas chamou atenção nas redes sociais, onde publicações passaram a reunir fotografias, datas e características dos cadáveres para sugerir a existência de um assassino em série.
As autoridades afirmam, porém, que essas associações não são sustentadas pelas provas disponíveis até agora.
A Polícia Civil mantém as investigações em andamento e não descarta a análise de novos elementos que possam surgir durante os inquéritos. Até o momento, a principal conclusão é que não existem evidências técnicas para atribuir as mortes a um único criminoso.