A organização terrorista Al-Qaeda divulgou nesta quinta-feira (8) uma nova ameaça contra aeronaves dos Estados Unidos e de Israel, após o ataque ocorrido em um voo da companhia aérea Flydubai, no fim de setembro. A mensagem foi publicada em uma revista de propaganda do grupo e celebra a ação de um copiloto que tentou assumir o controle de um avião comercial com destino a Tel Aviv.
O comunicado foi divulgado pela Al-Qaeda no Subcontinente Indiano (AQIS), braço da organização que atua no sul da Ásia. Embora tenha elogiado o suspeito, o grupo não reivindicou a autoria do ataque. A publicação representa uma nova manifestação de ameaça contra a aviação internacional, mas não confirma a existência de uma operação em andamento.
LEIA TAMBÉM
Entenda como Boeing da Flydubai resistiu a mergulho extremo e conseguiu pousar em segurança
Al-Qaeda celebra ataque e faz novas ameaças contra aviões
Na publicação divulgada nesta quinta-feira, a Al-Qaeda afirmou que aeronaves associadas a Israel, aos Estados Unidos e a países considerados inimigos pelo grupo continuam sendo alvos de sua atuação terrorista.
A mensagem foi publicada em uma nova edição da revista de propaganda da organização e dedicou um editorial ao episódio envolvendo o voo FZ1073, da Flydubai, ocorrido em 30 de setembro.
Apesar de celebrar a tentativa de ataque, a Al-Qaeda no Subcontinente Indiano não declarou ter planejado ou coordenado a ação. O grupo descreveu o suspeito como alguém inspirado por sua ideologia.
A distinção é importante porque, até o momento, não há confirmação pública de que o copiloto tenha recebido ordens ou apoio operacional da organização terrorista.
Copiloto atacou comandante durante voo para Israel
O episódio que motivou a manifestação da Al-Qaeda ocorreu em 30 de setembro, quando um Boeing 737 da Flydubai fazia a rota entre Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e Tel Aviv, em Israel.
Durante o trajeto, o copiloto Hamam al-Hammami teria atacado o comandante Smit Machchhar dentro da cabine de comando. Relatos divulgados durante a investigação apontam que o agressor utilizou uma arma branca e tentou assumir o controle da aeronave.
Mesmo ferido, o comandante conseguiu abrir a porta da cabine, permitindo que outros ocupantes do avião interviessem. Passageiros, tripulantes e pilotos que viajavam fora de serviço participaram da contenção do suspeito.
O avião sofreu uma descida brusca durante a emergência, mas os controles foram recuperados. A aeronave acabou desviada para Tabuk, na Arábia Saudita, onde realizou um pouso em segurança.
Segundo informações divulgadas pelas autoridades sauditas, o voo transportava 174 passageiros e oito tripulantes. O comandante e o copiloto receberam atendimento médico após a aterrissagem.
Suspeito teria planejado derrubar aeronave em Tel Aviv
As investigações conduzidas por autoridades dos Emirados Árabes Unidos apontam que Hamam al-Hammami pretendia provocar a queda do avião durante a aproximação de Tel Aviv.
De acordo com as informações divulgadas sobre o caso, o objetivo seria atingir a região do Aeroporto Internacional Ben Gurion, principal terminal aéreo de Israel.
Após o pouso de emergência, o copiloto foi detido pelas autoridades sauditas e posteriormente transferido para os Emirados Árabes Unidos, onde o episódio passou a ser investigado.
As informações iniciais indicam que o suspeito teria agido sozinho. Até a divulgação da ameaça da Al-Qaeda, não havia confirmação de vínculo operacional entre o copiloto e a organização.
Copiloto já teria levantado suspeitas de extremismo
Informações publicadas após o incidente indicam que o copiloto já teria despertado preocupações relacionadas a posições extremistas durante sua passagem por outra companhia aérea.
Segundo relatos atribuídos a fontes próximas à investigação, Hamam al-Hammami teria sido afastado de atividades de treinamento de voo na Oman Air por preocupações com suas opiniões radicais.
O suspeito também teria passado por um processo de seleção em outra empresa do setor aéreo antes de ingressar na Flydubai.
Essas informações ampliaram os questionamentos sobre os mecanismos de avaliação de segurança de profissionais autorizados a operar aeronaves comerciais. Ainda não está esclarecido se eventuais alertas anteriores foram compartilhados entre autoridades e companhias aéreas.
Ameaça reacende preocupação com ataques à aviação internacional
A nova declaração da Al-Qaeda ocorre em um contexto de preocupação com a segurança de voos comerciais, especialmente em rotas que envolvem regiões de tensão geopolítica.
A organização terrorista ficou internacionalmente conhecida pelos atentados de 11 de setembro de 2001, quando integrantes do grupo sequestraram aviões comerciais e realizaram ataques contra alvos nos Estados Unidos, incluindo as torres do World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono.
O episódio da Flydubai apresenta uma circunstância diferente: a ameaça teria partido de um profissional que já estava autorizado a ocupar a cabine de comando.
O caso também chama atenção para a necessidade de protocolos capazes de identificar riscos internos, além das medidas tradicionais de proteção contra invasões e sequestros de aeronaves.
Por enquanto, a manifestação da Al-Qaeda deve ser entendida como uma ameaça divulgada em material de propaganda extremista. A investigação sobre o voo FZ1073 continua sendo fundamental para esclarecer a motivação do suspeito e determinar se houve participação de outras pessoas ou organizações.