A eleição de Eduarda Campopiano (PL) para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) coincidiu com um aumento expressivo nas pesquisas sobre feminismo no Google. Dados divulgados na terça-feira (6) mostram que o interesse pelo assunto cresceu 180% desde o primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4). Entre as principais dúvidas dos brasileiros estavam o significado de feminismo e o que caracteriza uma pessoa antifeminista.
O levantamento do Google Trends, divulgado pelo UOL, apontou que as buscas pelo tema atingiram, na segunda-feira (5), o maior patamar registrado no Brasil desde março de 2023. Considerando os sete dias anteriores à divulgação, o crescimento foi de 110%. A expressão “O que é antifeminista?” apareceu como a segunda pergunta mais pesquisada sobre o assunto, atrás apenas de “O que é feminismo?”.
A repercussão ocorreu após Campopiano, de 23 anos, conquistar 1.956.238 votos e se tornar a deputada estadual mais votada de São Paulo nas eleições de 2026. Durante a campanha, a parlamentar adotou posições conservadoras e fez da oposição ao feminismo uma das principais marcas de seu discurso político. Embora os acontecimentos tenham ocorrido no mesmo período, os dados não permitem afirmar que a eleição tenha sido a única responsável pelo aumento das pesquisas.
Conheça a polêmica Eduarda Campopiano, deputada eleita com quase dois milhões de votos
O que é antifeminismo e por que o termo ganhou destaque?
O antifeminismo é um termo utilizado para descrever posições contrárias ao feminismo, a determinadas correntes do movimento ou a reivindicações associadas a ele.
Não existe uma única forma de antifeminismo. Algumas pessoas rejeitam o movimento como um todo, enquanto outras se opõem a propostas específicas relacionadas a direitos reprodutivos, políticas de gênero e interpretações sobre desigualdade entre homens e mulheres.
O feminismo, por sua vez, reúne diferentes movimentos e correntes de pensamento que defendem, de maneira geral, a igualdade de direitos e oportunidades entre mulheres e homens.
Ao longo da história, movimentos feministas participaram de mobilizações por direitos políticos, acesso à educação, participação no mercado de trabalho e medidas de enfrentamento à violência contra mulheres.
As divergências entre correntes feministas também envolvem temas como aborto, representação política, relações de trabalho e políticas públicas.
No caso de Eduarda Campopiano, a própria deputada eleita se apresenta publicamente como antifeminista e associa sua atuação política à defesa de valores conservadores.
Quais perguntas sobre feminismo foram mais pesquisadas?
Segundo os dados do Google Trends divulgados pelo UOL, as principais perguntas pesquisadas no Brasil desde o primeiro turno das eleições foram:
- 1. O que é feminismo?
- 2. O que é antifeminista?
- 3. O que é ser feminista?
- 4. O que o feminismo conquistou?
- 5. O que o feminismo defende?
- 6. Quem criou o feminismo?
- 7. O feminismo é para todo mundo?
- 8. O que é machismo e feminismo?
- 9. Quando surgiu o feminismo no Brasil?
- 10. Qual a importância do feminismo?
Além dessas perguntas, houve aumento nas buscas pelo significado de outras expressões relacionadas ao debate sobre gênero.
Nas 24 horas analisadas pelo levantamento, a pesquisa por “significado de feminicídio” cresceu 250%.
As buscas por “sororidade significado” avançaram 100%, enquanto “feminismo significado” apresentou aumento de 80%.
Os percentuais indicam crescimento relativo do interesse nas pesquisas, e não a quantidade total de pessoas que realizaram as consultas.
Brasil liderou interesse relativo pelo tema no Google
O levantamento também mostrou que o Brasil ocupou a primeira posição mundial em interesse relativo por feminismo nos períodos de 24 horas e sete dias analisados.
Entre os estados brasileiros, São Paulo apareceu na liderança nos mesmos intervalos.
É importante destacar que o Google Trends não mede diretamente o número absoluto de pesquisas realizadas em cada localidade.
A ferramenta utiliza uma escala proporcional, considerando a participação das buscas por determinado assunto em relação ao total de pesquisas feitas em cada região.
Assim, a liderança brasileira no ranking não significa necessariamente que o país tenha registrado o maior volume bruto de consultas sobre feminismo em todo o mundo.
Eduarda Campopiano recebeu quase 2 milhões de votos
Aos 23 anos, Eduarda Campopiano foi eleita deputada estadual pelo PL com 1.956.238 votos, alcançando a maior votação individual para a Assembleia Legislativa paulista em 2026.
O resultado representa a segunda maior votação nominal da história para uma candidatura à Alesp, atrás dos 2.060.786 votos recebidos por Janaina Paschoal em 2018.
Campopiano iniciou sua trajetória eleitoral em 2024, quando conquistou uma vaga na Câmara Municipal de Praia Grande, no litoral paulista.
Sua projeção política cresceu principalmente nas redes sociais, onde passou a publicar conteúdos sobre temas conservadores, críticas ao feminismo e posicionamentos contrários à legalização do aborto.
A deputada eleita também é aliada política de Lucas Pavanato (PL), eleito deputado federal por São Paulo em 2026.
Deputada promete manter oposição a pautas feministas
Após a eleição, Campopiano afirmou que pretende continuar defendendo suas posições na Assembleia Legislativa de São Paulo.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, declarou que buscará se opor a propostas defendidas por parlamentares e movimentos feministas.
Entre os exemplos mencionados pela deputada eleita está a proposta de criminalização da misoginia, discutida no Congresso Nacional.
Campopiano também afirmou que sua candidatura teve caráter ideológico e que pretende intensificar a atuação no campo das disputas culturais.
A parlamentar defende posições contrárias ao aborto e afirma que pretende apoiar iniciativas voltadas a gestantes.
Essas posições são contestadas por representantes de movimentos feministas, que defendem diferentes políticas públicas relacionadas à igualdade de gênero, aos direitos das mulheres e à proteção contra a violência.
O que os números mostram sobre o debate?
O aumento das pesquisas revela que expressões relacionadas ao feminismo despertaram maior interesse dos brasileiros no período imediatamente posterior às eleições.
O comportamento pode estar relacionado à repercussão de discursos políticos, entrevistas, publicações nas redes sociais e discussões sobre o resultado eleitoral.
Entretanto, o Google Trends não identifica as motivações individuais de quem realizou as buscas.
Por isso, não é possível determinar, apenas com esses dados, se os usuários pesquisaram os termos por concordarem com determinadas posições, por discordarem delas ou simplesmente por desejarem compreender os conceitos.
O levantamento também não permite concluir que houve aumento ou diminuição no apoio ao feminismo no país.
O que os números demonstram é uma elevação significativa da procura por informações sobre o assunto durante um período de intensa repercussão política.
Campopiano assumirá mandato em 2027
A nova legislatura da Assembleia Legislativa de São Paulo terá início em 2027, quando os deputados estaduais eleitos em outubro de 2026 assumirão seus mandatos.
Campopiano ocupará uma das 94 cadeiras da Casa e chegará ao Legislativo estadual como a candidata mais votada da eleição paulista.
A atuação da parlamentar deverá permitir observar como suas posições de campanha serão traduzidas em projetos, votações e debates legislativos.
Enquanto isso, os dados de pesquisa mostram que a repercussão de sua eleição também ampliou a procura por explicações sobre conceitos frequentemente utilizados nas discussões políticas brasileiras.