Belém recebe Festival Internacional de Cinemas dos Povos, com 32 filmes gratuitos

O Festival acontecerá no Cine Líbero Luxardo, de 15 a 21 de outubro, com produções nacionais e internacionais, oficinas e participação de Ailton Krenak
Redação NC News
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Belém, no Pará, vai receber um festival internacional de cinema gratuito com 32 filmes que destacam histórias, culturas e experiências de povos indígenas e comunidades tradicionais. Entre os dias 15 e 21 de outubro de 2026, o Cine Líbero Luxardo será palco da sétima edição do Festival Internacional de Cinemas dos Povos (FIFEP), que também celebrará os 40 anos do projeto Vídeo nas Aldeias, uma das principais referências do audiovisual indígena brasileiro.

Além das exibições de curtas, médias e longas-metragens, a programação terá oficinas, masterclasses, debates, sessões especiais e encontros com cineastas. A entrada será gratuita para todas as atividades anunciadas. Entre os convidados estão o escritor e líder indígena Ailton Krenak e o cineasta Vincent Carelli, idealizador do Vídeo nas Aldeias.

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Festival Internacional de Cinemas dos Povos: quando e onde acontece em Belém?

O 7º Festival Internacional de Cinemas dos Povos será realizado de 15 a 21 de outubro, no Cine Líbero Luxardo, localizado na Avenida Gentil Bittencourt, nº 650, no bairro de Nazaré, em Belém.

Durante sete dias, o espaço receberá produções audiovisuais de diferentes territórios do Brasil e do exterior. Os filmes abordam experiências sociais, identidades culturais, modos de vida e formas de preservar a memória coletiva por meio das imagens.

O evento também busca aproximar o público dos profissionais responsáveis pelas obras. Além de assistir aos filmes, os visitantes poderão participar de conversas com realizadores e conhecer os processos de criação das produções apresentadas.

As atividades são gratuitas, mas os horários específicos das sessões e eventuais orientações de acesso devem ser consultados nos canais oficiais do festival.

Festival em Belém terá 32 filmes e duas mostras competitivas

A programação do FIFEP 2026 contará com 32 filmes selecionados para duas mostras competitivas, divididas entre o cinema indígena e o cinema etnográfico.

Desse total, 15 produções disputam o Prêmio Divino Tserewahú de Cinema Indígena, categoria dedicada a obras que valorizam perspectivas, narrativas e processos de criação dos povos originários.

Outros 17 filmes concorrem ao Prêmio Jean Rouch de Cinema Etnográfico, voltado a produções que exploram relações entre culturas, comunidades, territórios e experiências humanas.

As duas categorias permitem ao público conhecer diferentes maneiras de produzir cinema. Enquanto algumas obras são realizadas a partir do cotidiano das próprias comunidades, outras investigam relações sociais e culturais por meio de abordagens documentais e experimentais.

A seleção reúne curtas, médias e longas-metragens, ampliando a diversidade de linguagens e experiências apresentadas durante o festival.

O que é o Vídeo nas Aldeias e por que seus 40 anos serão celebrados?

Um dos principais destaques desta edição é a homenagem aos 40 anos do Vídeo nas Aldeias, projeto criado em 1986 e reconhecido por sua contribuição à formação de cineastas indígenas no Brasil.

A iniciativa surgiu com a proposta de aproximar equipamentos audiovisuais e processos de formação das comunidades indígenas, permitindo que seus integrantes registrassem acontecimentos, tradições, conhecimentos e histórias a partir de suas próprias perspectivas.

Antes da expansão dessas experiências, muitas representações dos povos indígenas no cinema eram produzidas principalmente por pesquisadores, documentaristas e equipes externas às comunidades.

O Vídeo nas Aldeias ajudou a transformar essa relação ao incentivar o protagonismo indígena na produção audiovisual. Com acesso às câmeras e à formação técnica, realizadores originários passaram a participar diretamente das decisões sobre o que filmar, como contar suas histórias e de que maneira compartilhar os registros.

Ao longo das décadas, o projeto contribuiu para a criação de filmes, arquivos audiovisuais e processos de formação que fortalecem a preservação das línguas, das tradições e da memória dos povos indígenas.

Em 2026, a celebração terá como tema “As imagens continuam respirando”, uma referência à permanência dessas produções e à capacidade do cinema de manter vivas histórias transmitidas entre gerações.

Ailton Krenak e Vincent Carelli estão entre os convidados

A homenagem aos 40 anos do Vídeo nas Aldeias reunirá personalidades ligadas à história do cinema indígena e à valorização das culturas dos povos originários.

Entre os convidados anunciados estão Vincent Carelli, responsável pela criação do projeto, e Ailton Krenak, escritor, pensador e liderança indígena reconhecido por sua atuação na defesa dos direitos e das culturas dos povos originários.

Também estão previstos encontros com Divino Tserewahú, cineasta do povo Xavante e uma das referências da produção audiovisual indígena, e Kamikia Pentotxi Trumai Kisedje.

A presença desses convidados deve ampliar os debates sobre o desenvolvimento do cinema indígena no Brasil, a preservação dos acervos audiovisuais e os desafios enfrentados pelos realizadores para produzir e distribuir suas obras.

As atividades também permitirão discutir como o cinema pode funcionar como instrumento de memória, comunicação entre comunidades e expressão de identidades culturais.

Por que o festival mudou de nome?

Conhecido anteriormente como Festival Internacional do Filme Etnográfico do Pará, o evento chega à sétima edição com uma nova identidade: Festival Internacional de Cinemas dos Povos.

A mudança acompanha a ampliação das linguagens e das perspectivas presentes na programação. O festival mantém sua relação com o cinema etnográfico, mas passa a destacar de maneira mais explícita as produções indígenas, comunitárias e realizadas a partir de diferentes territórios.

O uso da palavra “cinemas” no plural reforça a proposta de reconhecer que não existe apenas uma maneira de produzir imagens ou representar experiências culturais.

Na prática, a nova denominação também valoriza o papel dos próprios realizadores e das comunidades na construção das narrativas apresentadas ao público.

Cinema indígena fortalece a memória e a diversidade cultural

Mais do que apresentar filmes, o Festival Internacional de Cinemas dos Povos em Belém pretende ampliar o espaço de circulação de produções que nem sempre encontram lugar nas salas comerciais de cinema.

Para os povos indígenas, o audiovisual pode servir tanto como expressão artística quanto como ferramenta de documentação cultural. Registros de celebrações, conhecimentos tradicionais, histórias familiares e transformações nos territórios ajudam a construir acervos que podem ser compartilhados com novas gerações.

Ao mesmo tempo, o cinema indígena contemporâneo não se limita à preservação de tradições. As produções também podem abordar questões atuais, experiências pessoais, conflitos sociais e novas formas de expressão artística.

Ao reunir filmes, cineastas e espectadores em Belém, o FIFEP cria um espaço para o encontro entre essas diferentes perspectivas e amplia a visibilidade do cinema produzido por povos originários e comunidades tradicionais.

O Festival acontecerá no Cine Líbero Luxardo de 15 a 21 de outubro

Oficinas, debates e masterclasses ampliam programação gratuita

Além das mostras competitivas, o festival terá uma programação formativa com oficinas, masterclasses, homenagens e debates voltados ao cinema e à produção audiovisual.

As atividades buscam aproximar estudantes, pesquisadores, realizadores e o público interessado em conhecer os bastidores das produções.

Os encontros também devem abordar processos criativos, experiências de filmagem e as relações estabelecidas entre cineastas e comunidades durante a realização dos projetos.

Com isso, o evento amplia sua atuação para além das exibições, oferecendo oportunidades de troca de conhecimentos e contato com profissionais do setor audiovisual.

Como participar do Festival Internacional de Cinemas dos Povos em Belém?

Quem estiver em Belém entre os dias 15 e 21 de outubro de 2026 poderá acompanhar gratuitamente as atividades do VII FIFEP, no Cine Líbero Luxardo.

Confira as principais informações:

  • Evento: VII Festival Internacional de Cinemas dos Povos (FIFEP);
  • Data: 15 a 21 de outubro de 2026;
  • Local: Cine Líbero Luxardo, em Belém, no Pará;
  • Endereço: Avenida Gentil Bittencourt, 650, bairro de Nazaré;
  • Entrada: gratuita;
  • Filmes em competição: 32 produções;
  • Atividades: mostras competitivas, sessões especiais, oficinas, masterclasses, debates e homenagens;
  • Informações e programação: festivaldopara.com.br.

A programação completa, incluindo horários e informações sobre as atividades formativas, deve ser acompanhada pelos canais oficiais da organização.

Ao celebrar quatro décadas do Vídeo nas Aldeias, o festival também destaca uma transformação importante na história do audiovisual brasileiro: a passagem dos povos indígenas de personagens frequentemente retratados por terceiros para protagonistas da criação e da circulação de suas próprias imagens.

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