José Andrés Martínez, volante venezuelano de 31 anos, se despediu do Corinthians nesta semana após rescindir contrato em meio a uma lesão grave no joelho esquerdo e a um longo atraso na renovação do passaporte, que o manteve na Venezuela e fora da reapresentação do elenco alvinegro.
Por que José Andrés Martínez deixou o Corinthians?
A saída de José Andrés Martínez do Corinthians resulta da combinação entre a ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, sofrida durante as férias, e os problemas burocráticos para renovar o passaporte venezuelano, que já vinham atrasando seu retorno ao Brasil desde o início da temporada.
O volante se lesionou no período de descanso, passou por cirurgia de reconstrução do ligamento em São Paulo e tem previsão de recuperação entre oito e dez meses, o que o deixaria praticamente fora de toda a temporada. Sem perspectiva de uso imediato e diante do imbróglio documental, clube e jogador optaram por rescindir.
Para evitar disputa na Justiça, o Corinthians assumiu os custos da cirurgia e se comprometeu a pagar 30% do salário de Martínez até o fim do ano. Em contrapartida, ficou definido que o atleta será multado em 40% do salário quando voltar a atuar pelo clube, caso um possível retorno venha a ser negociado no futuro.
A rescisão ocorre em um momento delicado para o time, que vive instabilidade no Campeonato Brasileiro e mudanças recentes no comando técnico. A perda de um volante experiente, com 70 jogos e dois gols pelo clube, abre um novo buraco no meio-campo e obriga a diretoria a buscar reposição em meio à crise de resultados.
Martínez nega sumiço e culpa caos político na Venezuela
Antes da rescisão, a permanência de Martínez na Venezuela e a ausência na reapresentação irritaram parte da cúpula alvinegra e o então técnico Dorival Júnior, que chegou a cobrar o jogador publicamente. O venezuelano, porém, afirma que nunca desapareceu e atribui o atraso à situação política do país.
Em nota divulgada nas redes sociais, ele explicou que a ruptura recente no governo venezuelano afetou o funcionamento de serviços básicos, incluindo a emissão de documentos: “Isso, é claro, dificulta o acesso a serviços básicos prestados pelos órgãos da Venezuela, o que vem atrasando a possibilidade de renovação de meu passaporte”, escreveu.
O volante ressaltou que o passaporte é indispensável para manter o visto de trabalho no Brasil e para viagens internacionais por clube e seleção. Segundo ele, comissão técnica e diretoria do Corinthians “têm total ciência” dos passos que vinha tomando para tentar regularizar a situação.
Martínez também se defendeu das críticas quanto ao compromisso com o clube: “Sou um empregado do Corinthians, clube que defendo com toda a minha raça e amor, time pelo qual eu subo aos gramados mesmo quando as dores me afastariam dele.”
Despedida emocionada e relação com a torcida
A despedida oficial veio em um vídeo publicado nas redes sociais nesta semana, com imagens da torcida e de sua passagem pelo clube. No texto, o jogador reforçou o vínculo com o Corinthians e com a Fiel: “Obrigado por tudo, Corinthians! A Fiel torcida: nunca duvidem da minha dedicação e do meu amor por essas cores. Vai Corinthians.”
Ele lamentou não ter iniciado a temporada com o elenco e disse sentir falta do ambiente em Itaquera. Em mensagem anterior, quando ainda buscava resolver a questão do passaporte, já havia manifestado o desejo de voltar a jogar pelo clube: “Estaria muito mais feliz se tivesse iniciado a temporada junto aos meus companheiros, treinando, defendendo essas cores e ajudando o Timão a conquistar vitórias e títulos.”
Ao todo, Martínez deixa o Corinthians com 70 jogos disputados, dois gols marcados e dois títulos conquistados: a Copa do Brasil e o Campeonato Paulista da temporada passada.
Como a crise na Venezuela afetou o retorno de José Andrés Martínez ao Corinthians?
A crise política na Venezuela foi determinante para atrasar o retorno de José Andrés Martínez ao Corinthians, segundo o próprio jogador, ao dificultar a renovação do passaporte necessária para sua permanência no futebol brasileiro.
O volante relatou que a “ruptura inesperada” no governo venezuelano desorganizou serviços básicos prestados pelos órgãos oficiais, entre eles o setor responsável pela emissão de passaportes. Sem o documento válido, ele não poderia viajar ao Brasil nem manter regular seu visto de trabalho.
Na prática, o entrave burocrático prolongou sua permanência no país de origem, impediu que participasse da reapresentação com o elenco e alimentou a insatisfação interna no Corinthians, inclusive do técnico Dorival Júnior. Em meio à ausência, o treinador destacou que o jogador “precisará buscar uma recuperação dentro do próprio grupo para ter uma melhor condição”, cobrando a presença física do atleta no dia a dia do clube.
O episódio expõe a vulnerabilidade de atletas estrangeiros que atuam em países politicamente estáveis, mas dependem de documentos emitidos em nações em crise. No caso de Martínez, o contexto político acabou interferindo diretamente em sua carreira, em seu contrato de trabalho e, agora, em sua saída do futebol brasileiro.
Como está a recuperação de José Andrés Martínez após a lesão no joelho?
José Andrés Martínez está em recuperação de uma cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, com previsão de volta aos gramados entre oito e dez meses.
O procedimento foi realizado em São Paulo, custeado pelo Corinthians como parte do acordo para rescisão amigável. O clube também forneceu um cronograma de treinos específicos para o período pós-operatório, embora admita dificuldade para monitorar à distância a execução exata da rotina indicada.
Neste momento, o volante cumpre as etapas iniciais de fisioterapia e fortalecimento, necessárias antes de qualquer trabalho com bola. A gravidade da lesão praticamente o tira da temporada e deixa indefinida a sequência da carreira em alto nível, ao menos até o fim do ciclo de recuperação.
Entenda o contexto
A rescisão de Martínez acontece em um Corinthians pressionado por resultados ruins no Campeonato Brasileiro e em meio à troca de comando técnico. Em campo, o time soma uma sequência de derrotas e vê o meio-campo, setor em que o venezuelano se destacou, perder mais uma peça importante.
Fora de campo, o caso expôs o setor jurídico e de gestão contratual do clube, que precisou costurar um acordo para evitar litígios trabalhistas envolvendo um atleta estrangeiro afetado por questões políticas em seu país. O modelo adotado – clube banca a cirurgia, paga parte do salário até o fim do ano e aplica multa futura de 40% – tenta equilibrar o respaldo ao jogador com a defesa dos cofres alvinegros.
Para frente, o Corinthians terá de se reorganizar sem Martínez e ir ao mercado atrás de um substituto, enquanto o próprio volante tenta concluir a recuperação, resolver a situação documental na Venezuela e definir os próximos passos da carreira, que, por ora, segue em aberto.