Prédio incendiado na UFPE será escorado para perícia presencial da Polícia Federal

Reforço estrutural deve permitir a entrada segura dos peritos no imóvel, destruído pelo fogo no Recife; investigação apura as causas do incêndio e os acontecimentos anteriores ao caso.
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O prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) atingido por um incêndio no campus do Recife deverá passar por um serviço de escoramento para permitir que peritos da Polícia Federal (PF) realizem uma perícia presencial. A previsão da reitoria é que o reforço estrutural seja resolvido nos próximos 15 dias, embora ainda não exista uma data confirmada para a conclusão do serviço.

A estrutura permanece isolada devido ao risco de desabamento. O incêndio ocorreu na noite de quarta-feira (7) e destruiu laboratórios e espaços de pesquisa da universidade. A investigação busca identificar a origem das chamas e reconstituir os acontecimentos que antecederam o episódio.

Governo anuncia R$ 40 milhões para repor equipamentos destruídos em incêndio na UFPE

PF já iniciou investigação sobre o incêndio

Enquanto aguarda condições seguras para entrar no prédio, a Polícia Federal utiliza recursos tecnológicos para realizar avaliações preliminares. Um drone e um robô equipado com câmera foram empregados para observar o interior da estrutura sem expor os profissionais ao risco de desabamento.

Segundo o delegado regional executivo da PF em Pernambuco, Rodrigo Bastos, a investigação foi dividida em duas frentes: a identificação da origem do fogo e a apuração da dinâmica dos acontecimentos anteriores ao incêndio.

A corporação também analisa imagens de câmeras de segurança e informações sobre pessoas que estiveram no campus na noite do incidente. Testemunhas já começaram a ser ouvidas, e peritos do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, devem participar da análise presencial.

Reforço estrutural ainda depende de contratação

O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, informou que a universidade negocia um aditamento ao contrato de uma empresa que já presta serviços à instituição para incluir o escoramento do imóvel.

O procedimento é necessário para reduzir os riscos durante a entrada dos peritos e permitir a continuidade dos trabalhos de investigação. Até que a estrutura ofereça condições de segurança, a análise presencial permanece limitada.

Incêndio destruiu laboratórios e pesquisas

O fogo atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), que abrigava laboratórios nas áreas de fármacos, informática e genética, além de pesquisas ligadas ao Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica.

O prejuízo preliminar foi estimado pela reitoria em cerca de R$ 100 milhões, considerando equipamentos, insumos e materiais científicos. A destruição também comprometeu trabalhos acadêmicos e dados acumulados ao longo de aproximadamente 20 anos de pesquisas.

Cerca de 200 estudantes, da graduação ao doutorado, foram afetados pelas perdas. Entre os trabalhos atingidos estão dissertações e teses em andamento. A universidade informou que os prazos acadêmicos serão estendidos e que busca alternativas para permitir a continuidade das pesquisas em outras instituições.

Governo anuncia recursos para reconstrução

Após o incêndio, foram anunciados R$ 68 milhões em recursos federais: R$ 28 milhões destinados à reconstrução do prédio pelo Ministério da Educação (MEC) e R$ 40 milhões para a reposição de equipamentos laboratoriais, por meio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

A previsão é que os novos equipamentos possam ser instalados em outros laboratórios da universidade enquanto a estrutura atingida é reconstruída. O governo também anunciou medidas de apoio aos estudantes e pesquisadores prejudicados pelo incêndio.

Este foi o terceiro incêndio na UFPE em pouco mais de uma semana

O caso ocorreu após outros dois incêndios registrados em instalações da universidade em um intervalo de pouco mais de uma semana. Segundo informações divulgadas pela reitoria, os episódios anteriores tiveram causas identificadas: um foi relacionado a um experimento em laboratório, e o outro, a um curto-circuito em um aparelho de ar-condicionado.

As causas do incêndio de 7 de outubro ainda não foram determinadas. A Polícia Federal também apura mensagens com ameaças que circularam nas redes sociais e em grupos de estudantes antes do episódio. A existência dessas mensagens, porém, não comprova que o fogo tenha sido provocado intencionalmente.

A perícia presencial deverá ajudar a esclarecer como o incêndio começou. Até a conclusão das investigações, não há confirmação oficial sobre a causa do fogo.

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