A campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou neste sábado (10) que pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e apresentar uma denúncia à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) contra a Meta, empresa responsável pelo Instagram e pelo Facebook. A equipe acusa a companhia de possíveis interferências na disputa presidencial em benefício do senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno.
Segundo a coordenação da campanha petista, uma sequência de problemas técnicos nas plataformas teria reduzido a visibilidade dos conteúdos do presidente e limitado a utilização de ferramentas de publicidade digital. A equipe afirma que os episódios vêm sendo registrados desde dezembro do ano passado e se intensificaram nos últimos dias.
Entre as ocorrências relatadas está o bloqueio temporário da possibilidade de impulsionar publicações no perfil de Lula no Instagram. De acordo com a campanha, a restrição começou na sexta-feira (9) e permaneceu até a manhã de sábado (10), impedindo a equipe de utilizar anúncios pagos para ampliar o alcance das mensagens eleitorais.
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Campanha aponta diferenças no alcance das publicações
A equipe do presidente também citou interrupções na contagem de visualizações de publicações e dificuldades para localizar perfis ligados a Lula e a outras lideranças da esquerda nas buscas do Instagram.
Outro ponto mencionado foi um levantamento elaborado pela área de inteligência da Secretaria Nacional de Comunicação do PT. Segundo os dados apresentados pela campanha, a página de Flávio Bolsonaro registrou, em média, 2,96 vezes mais engajamento do que a de Lula, apesar de possuir 17,2% menos seguidores. A equipe petista levantou questionamentos sobre o funcionamento do algoritmo da plataforma e seus possíveis efeitos na divulgação das candidaturas.
A coordenação argumenta que a falta de explicações detalhadas sobre os episódios aumenta a preocupação com possíveis impactos na igualdade de condições entre os candidatos. Até o momento, porém, as acusações representam a posição da campanha, e não uma conclusão oficial de que houve interferência eleitoral.
Meta atribui episódios a problemas técnicos
De acordo com o comunicado divulgado pela equipe de Lula, a Meta classificou os episódios como falhas técnicas. A campanha, no entanto, afirma que a empresa não apresentou evidências suficientes para demonstrar a extensão dos problemas nem esclarecer se outros candidatos brasileiros foram afetados de maneira semelhante.
A equipe pretende levar os relatos às autoridades eleitorais e à agência de proteção de dados para que os episódios sejam examinados e as circunstâncias sejam esclarecidas.
O caso ocorre durante a campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. Com a intensificação das atividades eleitorais, o uso das redes sociais e das ferramentas de publicidade digital ganhou importância na comunicação dos candidatos com os eleitores.