Com golaços e cara de time pronto para brigar por título, a seleção feminina do Brasil venceu a Argentina por 3 a 1 neste sábado, no Beira-Rio, em Porto Alegre, no primeiro amistoso da Data Fifa de outubro que mira a preparação para o Mundial de 2027.
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Mesmo sem o técnico Arthur Elias à beira do campo, suspenso após expulsão contra os Estados Unidos, o Brasil controlou o clássico desde o início sob o comando do auxiliar Rodrigo Iglesias. A partida começou às 16h30 e teve transmissão ao vivo de TV aberta e fechada.
O time entrou em campo com Lorena; Isa Haas, Mariza e Tayla; Bruninha, Duda Sampaio, Angelina e Raíssa Bahia; Geyse, Tainá Maranhão e Priscila. A proposta foi agressiva, com marcação alta e laterais bem avançadas, em linha com a guinada ofensiva da equipe desde a troca de comando.
O placar foi aberto em grande estilo: após jogada de ataque, a atacante Luany pegou a sobra na intermediária e acertou um chute forte de fora da área, sem chance para a goleira argentina. Pouco depois, Geyse ampliou com uma bicicleta dentro da área, completando cruzamento da direita.
O terceiro gol saiu ainda no primeiro tempo. Luany apareceu de novo, desta vez como garçom, e encontrou Angelina infiltrando pelo meio. A meio-campista bateu de primeira e marcou, fechando a etapa inicial em 3 a 0 para o Brasil.
Na etapa final, a Argentina, dirigida por Germán Portanova, tentou reagir e contou com o brilho de jogadoras que atuam no futebol brasileiro, como Maricel Pereyra, do São Paulo, e Catalina Del Trecco, do Bragantino. Pereyra descontou em lance dentro da área, dando números finais ao clássico.
O duelo ficou ainda mais favorável às brasileiras quando a argentina Vargas foi expulsa após revisão do árbitro de vídeo. A árbitra mexicana Erica Monserrat González Nevárez consultou o monitor na beira do campo e mostrou o cartão vermelho, deixando a equipe visitante com uma jogadora a menos.
Testes, suspensões e briga por vaga no Mundial
O amistoso integra a preparação da seleção para o Mundial de 2027, que será disputado no Brasil, e faz parte de uma sequência de testes planejada por Arthur Elias para definir a lista final. O treinador cumpre suspensão, assim como três jogadoras expulsas no duelo com os Estados Unidos em Fortaleza: a zagueira Tarciane e as atacantes Kerolin e Bia Zaneratto.
Convocadas mesmo suspensas, elas ficam como opção apenas para o segundo amistoso diante da Argentina. A estratégia da comissão é usar os dois jogos para experimentar variações táticas, dar minutos a todas e ampliar a concorrência por posição a menos de nove meses do início do torneio.
Algumas apostas apareceram em funções diferentes. Tamara Bolt, por exemplo, foi levada como lateral mesmo sendo ponta de origem, e Maiara, que já atuou como volante, passou a ser observada na lista de ataque. A ideia é ganhar alternativas de desenho tático sem perder intensidade ofensiva.
Desde a apresentação em Porto Alegre, a delegação trabalhou em ritmo forte, com treinos no CT do Grêmio, no Sesc Protásio Alves e, na véspera, no próprio Beira-Rio. A preparação incluiu sessões táticas fechadas e foco em pressão pós-perda e saída de bola curta desde a defesa.
Entenda o contexto
O clássico deste sábado é o primeiro de dois amistosos da Data Fifa de outubro entre Brasil e Argentina. O segundo encontro está marcado para terça-feira, às 20h30, na Arena Pernambuco, em Recife, quando Arthur Elias poderá voltar ao banco e utilizar o grupo completo.
Historicamente, o duelo é amplamente favorável às brasileiras. Em 21 confrontos, são 18 vitórias do Brasil, um empate e duas derrotas, com 73 gols marcados e 14 sofridos, de acordo com dados oficiais da entidade internacional que organiza o futebol.
A Argentina chega em momento de crescente no cenário sul-americano e com vaga assegurada no Mundial, mas ainda busca encurtar a distância em relação às rivais. Do outro lado, a seleção brasileira tenta transformar a superioridade regional em protagonismo definitivo no cenário global, agora com a chance de disputar o torneio em casa.
União, casa cheia e protagonismo feminino na comissão
Dentro do vestiário, a palavra de ordem é união, mesmo com a disputa acirrada por vagas. Destaque do ataque e autora de um dos golaços do sábado, Geyse fez questão de reforçar o clima interno ao falar sobre a concorrência direta com Priscila.
“Independentemente de eu e Priscila disputarmos a posição, a união dentro do vestiário é mais importante. Se ela jogar, eu vou estar feliz. Creio que, se eu jogar, ela também vai estar feliz. O mais importante para a gente conseguir o que realmente quer é ser campeão”, afirmou a atacante.
A volta de Priscila a Porto Alegre também mexeu com a emoção. “Voltar com a Seleção e ainda ser em Porto Alegre, um lugar onde comecei o meu futebol, onde dei os meus primeiros passos, é muito especial. Voltar ao Beira-Rio vai ser incrível também, com certeza vai bater uma nostalgia”, disse a atacante antes da bola rolar.
Na comissão técnica, a presença feminina ganhou ainda mais peso com a convocação de Jéssica de Lima, treinadora do Grêmio, para atuar como auxiliar nesta Data Fifa, em alinhamento às normas internacionais que exigem espaço para mulheres nas comissões.
“Foram três anos aqui, convivendo e vivendo esse ambiente de Seleção Brasileira, tanto com a Sub-20 quanto participando de algumas convocações da principal. Então, para mim, é literalmente me sentir em casa”, contou Jéssica, que reencontra em Porto Alegre atletas que ajudou a lapidar na base.
Às vésperas do segundo amistoso contra a Argentina, o recado da lateral Bruninha resume o momento do time, que mostra futebol mais vertical e protagonista. “As pessoas têm que estar mais animadas com esse Brasil”, disse a jogadora, confiante de que a atuação no Beira-Rio é apenas o começo do que a Seleção pretende entregar até o Mundial.