Governo do Amazonas pediu ajuda contra queimadas, mas dispensou reforço federal, diz ministério

Ministério do Meio Ambiente afirma que estado desistiu do envio de brigadistas após chuvas; bombeiros alegam que outro pedido, de aeronaves, não foi atendido.
Redação NC News
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O governo do Amazonas solicitou apoio federal para combater incêndios florestais, mas dispensou o reforço antes que as equipes fossem enviadas ao estado. A informação foi divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que afirmou ter recebido o pedido em 23 de setembro e sido comunicado da desistência uma semana depois.

A manifestação do governo federal ocorreu após o comandante do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, coronel Orleilso Muniz, afirmar que a União havia negado apoio aéreo para enfrentar as queimadas. A divergência envolve solicitações encaminhadas a órgãos diferentes, enquanto a fumaça dos incêndios continua comprometendo a qualidade do ar em Manaus.

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Ministério afirma que Amazonas desistiu do reforço

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o pedido de apoio chegou ao Centro Integrado Multiagência de Coordenação Operacional Federal (Ciman Federal), coordenado pelo Ibama, em 23 de setembro.

Após a solicitação, foram acionados combatentes do Projeto de Resposta em Ações Integradas para Atuação em Situações de Desastres (Respad) e uma aeronave do Projeto de Gerenciamento de Aeronaves para Situações de Urgência e Socorro (Pegasus).

Entretanto, em 30 de setembro, o governo estadual informou que a ajuda dos brigadistas não seria mais necessária, alegando que as chuvas haviam contribuído para controlar os focos de incêndio.

“O Governo do Amazonas comunicou que não seria mais necessário o apoio do Respad, dispensando a atuação da equipe federal antes de seu deslocamento para o campo”, informou o ministério em nota oficial.

Bombeiros afirmam que pedido de aeronaves foi negado

A versão apresentada pelo Ministério do Meio Ambiente contrasta com as declarações do comandante dos bombeiros amazonenses.

Na sexta-feira (9), o coronel Orleilso Muniz afirmou à Rede Amazônica que a corporação havia solicitado apoio aéreo ao governo federal, mas recebeu uma resposta negativa.

“Nós já tivemos um retorno negativo, de que não seria possível apoiar”, declarou o comandante.

Os documentos apresentados pelos bombeiros mostram que uma solicitação foi encaminhada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública em 18 de setembro.

O pedido incluía quatro aeronaves para combater incêndios, uma aeronave para transporte de equipes e equipamentos, além de recursos para aquisição ou aluguel de veículos.

Em resposta datada de 1º de outubro, o Ministério da Justiça informou que não dispunha dos equipamentos solicitados para doação naquele momento e indicou alternativas para obtenção de recursos.

Portanto, os documentos tratam de uma solicitação diferente daquela mencionada pelo Ministério do Meio Ambiente. A desistência do reforço de brigadistas não significa que todos os pedidos de apoio feitos pelo Amazonas tenham sido atendidos.

Governo federal anuncia seis aeronaves e 290 brigadistas

Em meio ao agravamento dos incêndios, o Ministério do Meio Ambiente anunciou o reforço das operações federais no Amazonas com seis aeronaves e 290 profissionais.

O apoio previsto inclui quatro aviões Air Tractor, utilizados no lançamento de água, e dois helicópteros para auxiliar as equipes em áreas de difícil acesso.

Segundo o ministério, desde o início da temporada de incêndios florestais, o Ibama extinguiu 229 incêndios no estado e continuava atuando em outros 20 focos ativos.

As primeiras aeronaves enviadas pela União chegaram a Manaus neste sábado (10), em meio à intensificação das ações contra as queimadas.

Ministério cita R$ 45 milhões destinados ao Amazonas

O governo federal também informou que o estado recebeu apoio por meio do projeto ProAmazon, financiado pelo Fundo Amazônia.

De acordo com o MMA, foram destinados R$ 45 milhões para fortalecer a estrutura do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas e ampliar as ações de prevenção e combate aos incêndios florestais.

Os pagamentos ocorreram em janeiro de 2025 e março de 2026.

A pasta afirmou ainda que orientou o governo estadual a solicitar recursos adicionais pelo Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil. Até a divulgação da nota, esse pedido não havia sido formalizado, segundo o ministério.

Fumaça das queimadas compromete qualidade do ar em Manaus

Enquanto os governos discutem as solicitações de apoio, a população amazonense enfrenta os efeitos da fumaça provocada pelos incêndios.

Manaus amanheceu encoberta por uma densa camada de poluição pelo terceiro dia consecutivo neste sábado (10). O monitoramento ambiental registrou concentrações elevadas de partículas finas, consideradas prejudiciais à saúde.

Em setembro, o Amazonas contabilizou 3.726 focos de calor, quase quatro vezes o número registrado no mesmo mês de 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A situação levou à suspensão de atividades escolares e à emissão de alertas à população, especialmente para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

As autoridades recomendam evitar atividades físicas ao ar livre durante os períodos de maior concentração de fumaça e reduzir a exposição aos poluentes.

Divergência sobre pedidos de ajuda ainda exige esclarecimentos

As informações divulgadas mostram que houve diferentes solicitações de apoio federal para enfrentar os incêndios no Amazonas.

O Ministério do Meio Ambiente sustenta que o governo estadual dispensou uma equipe de brigadistas em setembro. Já os bombeiros apontam que outro pedido, encaminhado ao Ministério da Justiça, não foi atendido nas condições solicitadas.

Apesar da divergência, as operações de combate ao fogo continuam. O desafio é garantir que os reforços anunciados sejam efetivamente mobilizados e que a população receba proteção diante do agravamento da crise ambiental.

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