Manaus e outros cinco municípios têm qualidade do ar péssima por causa da fumaça

Poluição provocada por queimadas levou a suspensões de atividades e acendeu alerta para problemas respiratórios; sensores registraram concentrações elevadas de partículas no ar.
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Manaus e outros cinco municípios do Amazonas registraram qualidade do ar considerada péssima na manhã deste domingo (11), em meio à fumaça provocada por queimadas na região. A capital amazonense amanheceu encoberta pela fumaça pelo quarto dia consecutivo, enquanto os índices de poluição atingiram níveis preocupantes em diferentes pontos do estado.

Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), mostraram que 13 dos 15 sensores instalados em Manaus registravam concentrações de partículas acima de 140 microgramas por metro cúbico (µg/m³). No bairro Coroado, na Zona Leste, o índice chegou a 227,8 µg/m³ às 8h.

Em Petrópolis, na Zona Sul da capital, a concentração alcançou 211,7 µg/m³. Já no município de Careiro, na Região Metropolitana de Manaus, a medição chegou a 301,2 µg/m³ às 8h20. Borba registrou 220 µg/m³, enquanto Autazes chegou a 184,3 µg/m³.

Fumaça sufoca Manaus e qualidade do ar atinge níveis perigosos em escala internacional

Fumaça também atinge a Região Metropolitana

A poluição não ficou restrita à capital. Municípios da Região Metropolitana de Manaus também apresentaram índices preocupantes. Em Itacoatiara, a concentração de partículas chegou a 101,9 µg/m³, enquanto em Silves o indicador marcou 76,8 µg/m³. Nessas duas localidades, a qualidade do ar foi classificada como muito ruim.

Os índices variam de acordo com o local e o horário da medição. Por isso, o acompanhamento dos sensores é importante para identificar mudanças na concentração de poluentes e orientar medidas de proteção à população.

Prefeitura suspende eventos ao ar livre

Diante da fumaça, a Prefeitura de Manaus suspendeu preventivamente os eventos ao ar livre promovidos pelo município até esta segunda-feira (12). A medida afeta atividades programadas em espaços públicos durante o fim de semana do Dia das Crianças.

Na sexta-feira (9), a prefeitura já havia suspendido as aulas da rede municipal e atividades presenciais em órgãos da administração municipal. Universidades e instituições de ensino também adotaram medidas para reduzir a exposição de estudantes e trabalhadores à poluição.

Os serviços considerados essenciais, como o atendimento em unidades de saúde, foram mantidos. As decisões buscam diminuir os riscos provocados pela inalação da fumaça enquanto a qualidade do ar permanecer em níveis críticos.

Queimadas e estiagem agravam a situação

A fumaça está relacionada aos incêndios florestais registrados no Amazonas, em um cenário de estiagem e pouca chuva. A vegetação mais seca favorece a propagação do fogo, enquanto as partículas liberadas pelos incêndios podem permanecer suspensas na atmosfera e ser transportadas pelo vento.

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram 3.726 focos de calor no Amazonas em setembro de 2026, quase quatro vezes os 942 registrados no mesmo mês de 2025. Nos primeiros dias de outubro, o estado já contabilizava novos focos de incêndio.

O governo estadual proibiu o uso do fogo em todo o território amazonense por 120 dias, em setembro. O governo federal também enviou aeronaves e reforços para apoiar as ações de combate aos incêndios.

Quais são os riscos da fumaça para a saúde?

A fumaça das queimadas contém partículas que podem penetrar no sistema respiratório e agravar problemas de saúde. Entre os sintomas associados à exposição estão tosse, falta de ar, irritação nos olhos, dor de garganta, dor de cabeça e agravamento de crises de asma.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares exigem atenção especial. A exposição intensa também pode provocar desconforto em pessoas sem doenças preexistentes.

As autoridades de saúde recomendam evitar exercícios físicos ao ar livre durante os períodos de maior poluição, manter os ambientes internos protegidos da fumaça sempre que possível e aumentar a ingestão de água. Máscaras do tipo PFF2 podem ajudar a reduzir a inalação de partículas finas quando utilizadas corretamente.

Em caso de falta de ar, dor no peito ou agravamento de sintomas respiratórios, a orientação é procurar atendimento médico.

Entenda o contexto

A qualidade do ar é avaliada a partir da concentração de poluentes presentes na atmosfera. No caso da fumaça de queimadas, um dos principais indicadores é o material particulado fino, conhecido como MP2,5, formado por partículas pequenas o suficiente para alcançar regiões profundas dos pulmões.

Quanto maior a concentração dessas partículas, maior pode ser o risco à saúde. A classificação considerada péssima indica a necessidade de cuidados redobrados e de medidas para diminuir a exposição, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.

A situação em Manaus e nos municípios vizinhos ocorre em meio a uma sequência de incêndios e à estiagem no Amazonas. A evolução do quadro depende das condições meteorológicas, da intensidade dos focos de fogo e das ações de prevenção e combate às queimadas.

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