Mensagens revelam esquema de aliciamento e abuso sexual de crianças no Rio

Polícia Civil indiciou quatro pessoas, incluindo um professor universitário; investigação aponta vítimas de 10 a 16 anos e mais de 8 mil arquivos apreendidos.
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Mensagens obtidas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro revelaram como funcionava um esquema de aliciamento e exploração sexual de crianças e adolescentes na capital fluminense. As conversas mostram suspeitos negociando o contato com vítimas, oferecendo dinheiro e presentes e organizando encontros. Quatro pessoas foram indiciadas pela Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (Dcav), que investiga crimes de estupro de vulnerável, exploração sexual e produção de material de abuso sexual infantojuvenil.

Apontado pelos investigadores como responsável pelo esquema, o professor universitário e advogado Cordovil Antônio Nogueira Martins está preso desde março de 2026. No sábado (10), a polícia prendeu outros dois investigados, enquanto uma terceira suspeita permanecia foragida. Segundo a investigação, o grupo atuava com divisão de tarefas para recrutar vítimas, organizar deslocamentos e facilitar os abusos.

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Mensagens revelam como crianças e adolescentes eram aliciados

As conversas analisadas pela polícia mostram a forma como os investigados tratavam o recrutamento das vítimas. Em uma mensagem enviada em novembro de 2022, o professor teria solicitado a uma das integrantes do grupo: “Arruma a novinha, mais ou menos zero quilômetro, e a gente vai sair”.

Na mesma troca de mensagens, a mulher afirmou ter enviado fotografias de duas adolescentes, de 14 e 15 anos. Para os investigadores, o conteúdo demonstra que os suspeitos negociavam encontros com menores de idade.

Outros diálogos indicam que os envolvidos utilizavam dinheiro, aparelhos celulares e presentes como forma de atrair as vítimas e facilitar a aproximação.

As mensagens foram obtidas durante a investigação e integram o conjunto de elementos reunidos pela Polícia Civil para esclarecer a atuação do grupo.

Polícia identifica divisão de tarefas entre investigados

Segundo a Dcav, o esquema apresentava uma estrutura organizada, com funções específicas atribuídas aos participantes.

Cordovil Antônio Nogueira Martins é apontado como o principal responsável pelos abusos, pelo pagamento de valores e pela produção de registros envolvendo as vítimas.

Outras duas mulheres investigadas teriam atuado no recrutamento de crianças e adolescentes e na organização dos encontros.

Luiz Alberto Martins Sobrinho, de 68 anos, também é investigado por participação no aliciamento e nos abusos. De acordo com a polícia, ele recebia transferências financeiras para transportar vítimas até a residência do professor.

As investigações apontam que crianças e adolescentes eram levados à casa do advogado, no Grajaú, na Zona Norte do Rio, utilizando veículos particulares ou transporte por aplicativo.

Crianças de 10 anos aparecem nas investigações

Entre os elementos analisados pela polícia estão conversas relacionadas a uma criança de apenas 10 anos. Os investigadores identificaram mensagens sobre a organização de um encontro e a compra de um telefone celular como contrapartida.

De acordo com a investigação, os suspeitos se aproveitavam da vulnerabilidade social das vítimas para oferecer benefícios materiais e estabelecer relações de dependência.

O professor também teria utilizado sua atuação em um projeto social ligado ao ambiente universitário para se aproximar de crianças e adolescentes.

As autoridades apuram ainda suspeitas de que responsáveis por algumas vítimas tenham participado da exploração em troca de vantagens financeiras.

Dois investigados foram presos no sábado

Agentes da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima prenderam, no sábado (10), Luiz Alberto Martins Sobrinho, na Gávea, Zona Sul do Rio, e uma mulher investigada por participação no recrutamento de vítimas, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

As prisões foram realizadas por determinação da Justiça, no âmbito do processo que apura a atuação do grupo.

Uma terceira suspeita, também investigada por aliciamento, continuava sendo procurada pelas autoridades até a última atualização das informações divulgadas.

O professor apontado como responsável pelo esquema permanece preso preventivamente e responde a processo na Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da Capital.

Mais de 8 mil arquivos foram encontrados

Durante as investigações, a polícia encontrou mais de 8 mil arquivos com conteúdo de abuso sexual infantojuvenil no aparelho celular atribuído ao professor.

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro, o volume de material apreendido levanta a possibilidade de que o número de vítimas seja maior do que o inicialmente identificado.

Os investigadores também apuram a produção e o compartilhamento de imagens envolvendo crianças e adolescentes.

O Ministério Público solicitou à Justiça a fixação de indenização mínima de R$ 500 mil para cada vítima identificada no processo.

Defesa afirma que aguarda acesso integral ao processo

A defesa de Cordovil Antônio Nogueira Martins informou que ainda não teve acesso integral aos autos do procedimento.

Em manifestação divulgada à imprensa, os advogados Raphaella Estrella, Flavio Biolchini e Felipe Braga afirmaram que só irão se pronunciar publicamente após a análise completa do material.

As acusações continuam submetidas à análise da Justiça. O indiciamento representa uma conclusão da investigação policial sobre a existência de indícios de participação nos crimes, mas não equivale a uma condenação definitiva.

Investigação busca identificar outras vítimas

A Polícia Civil continua analisando mensagens, registros financeiros e materiais apreendidos para identificar possíveis novas vítimas e esclarecer a participação de cada investigado.

O caso é acompanhado pela Justiça do Rio de Janeiro e pelo Ministério Público, que atua na responsabilização dos envolvidos e na proteção das crianças e adolescentes.

Informações sobre suspeitas de exploração sexual infantil podem ser encaminhadas ao Disque 100, canal nacional de denúncias de violações de direitos humanos.

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