O cantor Netinho, um dos nomes mais conhecidos do axé music brasileiro, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em um hospital de Salvador, na Bahia. Dono de sucessos como “Milla”, “A Vida é Festa”, “Beijo na Boca” e “Pra Te Ter Aqui”, o artista marcou a música brasileira, especialmente durante os anos 1990, quando suas canções conquistaram rádios, programas de televisão e carnavais em diferentes regiões do país.
Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin, tipo de câncer que afeta o sistema linfático. O diagnóstico foi divulgado em março de 2025, após uma internação no Hospital Aliança Star, em Salvador. Durante o tratamento, o cantor compartilhou atualizações sobre sua saúde nas redes sociais. Em 2026, a doença voltou a se manifestar, exigindo novas sessões de quimioterapia.
Em setembro, a equipe do artista informou que ele havia sido internado novamente e se afastaria temporariamente das redes sociais para concentrar suas energias no tratamento. A morte encerra uma trajetória de décadas dedicada à música, com apresentações no Brasil e no exterior e um repertório que ajudou a popularizar o axé para além da Bahia.
Morre aos 60 anos Netinho, um dos principais nomes do axé music
De “Milla” a “A Vida é Festa”: os sucessos que marcaram gerações
A carreira de Netinho foi construída com músicas que se tornaram presença constante em festas, micaretas e carnavais. Seu maior sucesso, “Milla”, ganhou projeção nacional em 1996, com o álbum “Netinho ao Vivo!”, gravado em Aracaju, Sergipe. A canção se transformou em um dos grandes símbolos do axé dos anos 1990 e ajudou a consolidar o artista entre os principais nomes do gênero.
O disco alcançou a marca de milhões de cópias vendidas, ampliando a popularidade do cantor. “Milla” também ganhou versões em outros idiomas e permaneceu associada à trajetória de Netinho mesmo décadas depois do lançamento.
Antes de conquistar o país com a carreira solo, o músico já acumulava sucessos à frente da Banda Beijo. Entre eles estavam “Beijo na Boca”, “A Vida é Festa”, “Barracos” e “Estrela Primeira”, músicas que contribuíram para a expansão do axé durante o crescimento das micaretas pelo Brasil.
“A Vida é Festa”, lançada na fase da Banda Beijo, também ganhou espaço na televisão ao integrar a trilha sonora da novela “Mulheres de Areia”. A exposição ajudou a apresentar o trabalho do artista a públicos que ainda não acompanhavam o carnaval baiano.
Na carreira solo, Netinho ampliou o repertório com “Menina”, “Total”, “Capricho dos Deuses”, “Fim de Semana”, “Preciso de Você” e “Pra Te Ter Aqui”. Esta última também ganhou destaque na televisão ao integrar a trilha sonora da novela “Corpo Dourado”.
Outras gravações, como “Menina Linda”, “Jeito Diferente”, “Gostoso Demais”, “Você É Linda” e “Quase de Manhã”, fizeram parte de seus álbuns e coletâneas. O repertório combinava músicas dançantes, características do axé, com canções românticas que ampliaram seu público.
Da Banda Beijo à carreira solo
Nascido Ernesto de Souza Andrade Júnior, em 12 de julho de 1966, na cidade de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, Netinho mudou-se ainda criança para Salvador. Aos 14 anos, ganhou o primeiro violão da mãe e começou a desenvolver seu interesse pela música.
Antes de se tornar conhecido nacionalmente, chegou a estudar Engenharia Civil e se apresentava em bares, interpretando músicas de MPB e bossa nova. A carreira profissional ganhou força no fim dos anos 1980, quando assumiu os vocais da Banda Beijo.
Com o grupo, participou da expansão do axé music, estilo que misturava diferentes ritmos da música baiana e conquistava espaço em outras regiões do país. O sucesso das apresentações e das gravações abriu caminho para sua carreira solo, iniciada em 1993.
Seu primeiro álbum individual, “Um Beijo pra Você”, trouxe músicas como “Menina”, “Total” e “Capricho dos Deuses”. O trabalho conquistou disco de platina no Brasil e ampliou a presença do cantor no mercado musical.
Nos anos seguintes, Netinho lançou novos discos, realizou turnês e levou o axé a apresentações internacionais. Também investiu na produção musical e participou de projetos voltados à valorização de artistas baianos.
Problemas de saúde interromperam apresentações
A trajetória do cantor também foi marcada por problemas de saúde. Em 2013, Netinho sofreu complicações graves, incluindo acidentes vasculares cerebrais, que provocaram dificuldades físicas e comprometeram temporariamente sua voz.
O quadro exigiu um longo período de recuperação e afastou o artista dos palcos, inclusive do Carnaval de Salvador, onde havia construído parte importante de sua carreira.
Depois de retomar gradualmente as apresentações, Netinho voltou a enfrentar problemas de saúde em 2025, quando recebeu o diagnóstico de linfoma não Hodgkin.
Em 2026, após a identificação do retorno da doença, o cantor passou por novas sessões de quimioterapia. Em agosto, chegou a informar que o tratamento previa 16 sessões, seguidas de um transplante autólogo de medula óssea, procedimento que utiliza células do próprio paciente.
No fim de setembro, a equipe comunicou uma nova internação em Salvador e o afastamento das redes sociais.
O legado de Netinho para o axé brasileiro
Com uma discografia que atravessa mais de três décadas, Netinho participou de um período de grande expansão da música baiana no mercado nacional. Ao lado de outros artistas e grupos do gênero, ajudou a transformar canções associadas ao carnaval em sucessos de rádio e televisão.
Sua trajetória também ficou marcada pela passagem da Banda Beijo à carreira solo, pelas apresentações em grandes eventos e pela popularidade de músicas que continuam presentes em festas e repertórios dedicados ao axé dos anos 1990.
Entre os maiores sucessos de sua carreira estão “Milla”, “A Vida é Festa”, “Beijo na Boca”, “Menina”, “Total”, “Capricho dos Deuses”, “Fim de Semana”, “Pra Te Ter Aqui”, “Preciso de Você”, “Estrela Primeira” e “Barracos”.
A morte do cantor representa a perda de uma das vozes que contribuíram para levar o axé music da Bahia ao restante do Brasil.