Russell Brand começa a ser julgado por crimes sexuais contra seis mulheres

Ex-marido de Katy Perry nega as acusações de estupro e agressão sexual; julgamento acontece em Londres.
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Russell Brand, ator e comediante britânico de 51 anos e ex-marido da cantora Katy Perry, começou a ser julgado nesta quarta-feira (14) no Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, acusado de uma série de crimes sexuais contra seis mulheres, em um processo que pode redefinir a forma como o Reino Unido lida com denúncias de abuso envolvendo celebridades.

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Quais são as acusações feitas contra Russell Brand pelos promotores britânicos?

Russell Brand responde a três acusações de estupro, três de agressão sexual e uma de importunação sexual, envolvendo seis mulheres, por atos que teriam ocorrido entre 1999 e 2009, período em que sua carreira saía do stand-up para a TV e o cinema em Hollywood.

Ao abrir o julgamento, a promotora Riel Karmy-Jones descreveu Brand como alguém que usava fama, charme e carisma para satisfazer o que chamou de apetite sexual fora de controle. “Seu desejo, seu forte desejo por algum tipo de contato sexual, era indiscriminado e voraz”, afirmou a promotora diante dos jurados.

Segundo a acusação, o padrão de comportamento incluía desde estupros em quartos de hotel até agressões em banheiros de bares, instalações da MTV Europe e escritórios de empresas de mídia, além de abuso anal contra uma fã e pressão sexual sobre uma funcionária do Channel 4. “Ele era implacável, calculista, manipulador e, segundo a acusação, era um predador sexual”, disse Karmy-Jones.

Em um dos episódios descritos, a primeira denunciante afirma ter sido estuprada por Brand em um quarto de hotel após um show em que ele se apresentava paralelamente a um evento político. Em outros relatos, mulheres dizem ter sido puxadas à força para cubículos de banheiro, agredidas em ambiente de trabalho ou submetidas a atos não consentidos depois de encontros inicialmente consensuais.

Como Russell Brand respondeu às acusações de predador sexual?

Russell Brand nega todas as acusações e afirma nunca ter se envolvido em atividades sexuais sem consentimento. Interrogado no curso da investigação, ele disse não se lembrar dos incidentes específicos relatados pelas seis mulheres, mas reconheceu que manteve relações sexuais em banheiros durante festas.

Ao chegar hoje ao Tribunal da Coroa de Southwark, cercado por forte presença de imprensa, Brand adotou um tom cauteloso, mas tentou demonstrar confiança no processo. “Hoje me sinto abençoado. É claro que estou preocupado, mas tenho esperança de que esse processo leve a bons resultados para todos os envolvidos”, declarou o ator.

A defesa deve argumentar que as relações foram consensuais e que a reconstrução dos episódios tantos anos depois é frágil, abrindo espaço para disputa sobre memória, contexto e poder de figuras públicas. Brand também busca conter danos à própria imagem, ligada a filmes como “Morte no Nilo” (no qual atuou) e ao personagem Aldous Snow, e a um passado de vida noturna intensa que ele mesmo explorou em palco e entrevistas.

Entenda o contexto

O julgamento de Russell Brand ocorre em um momento de maior pressão social por responsabilização de figuras públicas acusadas de violência sexual no Reino Unido e em outros países. As denúncias das seis mulheres cobrem uma década em que o comediante passou de apresentações em clubes a atrações de TV, cinema e grandes eventos, aproximando-se do auge da fama internacional.

O caso é acompanhado de perto por organizações de defesa dos direitos das mulheres e por setores da indústria do entretenimento, que veem no processo um possível divisor de águas para a forma como emissoras, produtoras e plataformas lidam com queixas internas e externas de abuso. Se Brand for condenado, especialistas avaliam que o julgamento pode encorajar novas denúncias contra outras celebridades e intensificar a cobrança por mecanismos de prevenção, acolhimento e investigação rápida dentro do setor.

Por outro lado, uma eventual absolvição tende a alimentar o debate sobre a dificuldade de provar crimes sexuais após muitos anos, especialmente quando dependem majoritariamente de relatos de memória, e sobre o equilíbrio entre presunção de inocência e o direito das vítimas de serem ouvidas.

Para as seis mulheres que decidiram depor, o processo representa a chance de ver suas versões examinadas em juízo, ainda que à custa de reviver traumas. O tribunal deve ouvir testemunhas, analisar provas e avaliar o histórico do ator nas próximas semanas. Depois do julgamento, ainda é possível que haja recursos, o que prolongaria os efeitos do caso na vida das vítimas, na carreira de Brand e na própria indústria de entretenimento britânica.

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