Porto Velho, capital de Rondônia, amanheceu nesta quinta-feira (15) encoberta por uma intensa camada de fumaça e registrou a pior qualidade do ar entre as cidades brasileiras monitoradas pela plataforma internacional IQAir naquele momento. Por volta das 7h, o índice de poluição chegou a 125 pontos, classificação considerada prejudicial à saúde de grupos sensíveis, como crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.
Segundo especialistas, a fumaça que atinge a capital rondoniense é transportada pelos ventos a partir de incêndios florestais registrados no Amazonas. O fenômeno tem reduzido a visibilidade e provocado preocupação com a exposição da população a partículas poluentes.
O agravamento ocorre em meio ao aumento das queimadas na região amazônica e à estiagem que também afeta Porto Velho. A cidade enfrenta uma situação de emergência provocada pela seca, com mais de 22 mil pessoas atingidas, segundo a Defesa Civil Municipal.
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De acordo com a plataforma IQAir, Porto Velho registrou 125 pontos no Índice de Qualidade do Ar (IQA) na manhã desta quinta-feira. O resultado colocou a capital de Rondônia na pior posição do país entre as cidades acompanhadas pelo levantamento naquele horário.
O bairro Olaria, na região central, estava entre os pontos com maiores concentrações de poluição. Na comparação apresentada pela plataforma, Porto Velho ultrapassou Manaus, que também enfrenta dias de fumaça intensa.
A classificação de 125 pontos indica condições prejudiciais principalmente para grupos mais vulneráveis. Embora a situação represente maior risco para essas pessoas, a exposição prolongada à fumaça também pode causar desconforto e problemas respiratórios em indivíduos saudáveis.
Os índices de qualidade do ar variam ao longo do dia conforme as condições meteorológicas e a concentração de poluentes. Por isso, a posição de Porto Velho no levantamento representa o cenário registrado durante a manhã, e não necessariamente uma condição permanente.
Fumaça das queimadas no Amazonas chega a Rondônia
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) aponta que os ventos são responsáveis por transportar a fumaça produzida pelos incêndios florestais no Amazonas até Porto Velho.
O meteorologista Lucas Coelho explicou ao g1 que a direção dos ventos favorece a chegada dos poluentes à capital rondoniense.
“Se existem focos de queimadas pelo caminho nessa direção em que o vento vai passar e depois vai chegar até Rondônia, a dispersão desses poluentes acaba chegando também ao estado de Rondônia, o que coincide com o que a gente tem observado”, afirmou.
O deslocamento da fumaça demonstra que os efeitos das queimadas não ficam restritos às áreas diretamente atingidas pelo fogo. Dependendo das condições atmosféricas, os poluentes podem percorrer grandes distâncias e comprometer a qualidade do ar em outras cidades.
Imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), citadas pela Prefeitura de Porto Velho, também mostram o deslocamento da fumaça em direção a Rondônia.
Amazonas registra aumento de 271% nos focos de incêndio
O avanço das queimadas no Amazonas ajuda a explicar a intensificação da fumaça na região.
Dados do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), mostram que o estado registrou 1.380 focos de incêndio nos primeiros dez dias de outubro de 2026.
O número representa um aumento de aproximadamente 271% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 372 focos.
A estiagem prolongada favorece a propagação das chamas. Com menos chuvas, a vegetação perde umidade e se torna mais vulnerável ao fogo.
Segundo o Inmet, a combinação de temperaturas elevadas, baixa umidade e ausência de precipitações significativas cria condições favoráveis à continuidade dos incêndios.
Partículas finas da fumaça representam risco à saúde
O principal poluente identificado pela IQAir em Porto Velho é o material particulado fino, conhecido como PM2.5.
Essas partículas possuem diâmetro inferior a 2,5 micrômetros e conseguem penetrar profundamente nos pulmões. Parte delas pode alcançar a corrente sanguínea, aumentando os riscos à saúde, especialmente durante exposições prolongadas.
Na medição divulgada nesta quinta-feira, a concentração de PM2.5 chegou a 45,3 microgramas por metro cúbico de ar.
O valor corresponde a aproximadamente nove vezes a referência anual de 5 microgramas por metro cúbico estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A comparação utiliza o parâmetro anual da organização e não deve ser confundida com o limite recomendado para exposição em um único dia.
Entre os sintomas associados à exposição à fumaça estão irritação nos olhos, ardência na garganta, tosse, dificuldade para respirar e agravamento de doenças como asma e bronquite.
Pessoas com doenças cardiovasculares também podem apresentar maior vulnerabilidade aos efeitos da poluição atmosférica.
Como se proteger da fumaça em Porto Velho?
Diante da piora na qualidade do ar, a Prefeitura de Porto Velho orienta os moradores a adotarem medidas para reduzir a exposição aos poluentes.
Entre as principais recomendações estão:
- Evitar exercícios físicos intensos ao ar livre durante os períodos de maior concentração de fumaça;
- Reduzir o tempo de permanência em ambientes externos quando o ar estiver muito poluído;
- Manter a hidratação ao longo do dia;
- Fechar portas e janelas quando houver entrada intensa de fumaça;
- Dar atenção especial a crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares;
- Procurar atendimento médico em caso de falta de ar, piora de sintomas respiratórios ou desconforto persistente.
Quando for necessário permanecer em ambientes externos com concentração elevada de partículas, máscaras do tipo PFF2 ou N95, corretamente ajustadas ao rosto, podem ajudar a reduzir a inalação de material particulado fino.
Seca do rio Madeira agrava situação em Porto Velho
Além da fumaça, Porto Velho enfrenta os impactos da estiagem, que tem provocado a redução do nível do rio Madeira.
Nesta quinta-feira, o rio registrou a marca de 2,45 metros, aproximadamente um metro abaixo do esperado para esta época do ano, conforme informações divulgadas na cobertura local.
A redução do nível da água afeta principalmente comunidades que dependem do transporte fluvial para deslocamentos, abastecimento e acesso a serviços essenciais.
Segundo a Defesa Civil Municipal, mais de 22 mil pessoas são atingidas pelos efeitos da seca. A situação levou o município a declarar emergência.
A combinação de estiagem e fumaça amplia os desafios enfrentados pela população. Enquanto a seca prejudica o abastecimento e a navegação, a poluição atmosférica aumenta os riscos de problemas respiratórios.
Quando a fumaça deve diminuir em Porto Velho?
A melhora da qualidade do ar dependerá principalmente da redução dos incêndios florestais, das mudanças na direção dos ventos e da ocorrência de chuvas capazes de favorecer a dispersão dos poluentes.
Como a fumaça chega de outras áreas da Amazônia, o controle dos focos de incêndio no Amazonas também é importante para diminuir a concentração de partículas sobre Porto Velho.
Enquanto as condições permanecerem desfavoráveis, os índices de poluição poderão apresentar oscilações ao longo dos próximos dias.
A orientação é acompanhar os comunicados da Prefeitura de Porto Velho, da Defesa Civil e dos órgãos de monitoramento ambiental, especialmente antes de realizar atividades prolongadas ao ar livre.