Edição 2026 bateu recorde de inscrições e de participantes mulheres – além de ter alcançado o maior volume de cafés 90+ pontos da história do concurso
Durante décadas, o Robusta ficou à sombra do arábica no Brasil, usado em blends e longe das prateleiras de cafés especiais. Essa percepção está mudando, e parte da virada vem da Amazônia. Nesta quarta-feira (14), em Cacoal (RO), a Rituais Cafés Especiais, do Grupo 3corações, premiou os melhores cafés da 8ª edição do Concurso Tribos. O campeão, Manasses Oykoeter Suruí, da comunidade Paiter Suruí, alcançou 91,11 pontos, muito acima da marca de 80 pontos que define um café especial. A edição deste ano recebeu 150 amostras, batendo o recorde não só de inscrições, mas também na quantidade de mulheres indígenas inscritas e alcançando o maior volume de cafés 90+ pontos da história do concurso.
Agricultura brasileira movimenta a economia e fortalece a produção nacional
A premiação ressalta o ciclo sustentável do Projeto Tribos, que, desde 2019, conecta quem produz a quem consome e busca dar protagonismo e oportunidades aos produtores. O projeto, alinhado aos pilares de protagonismo do indígena, produção de cafés de qualidade e proteção da floresta, reverte 100% do lucro às comunidades indígenas e, atualmente, reúne 169 famílias de 35 aldeias e sete etnias, com impacto em cerca de 2.000 indígenas.
“O Concurso Tribos não premia apenas xícaras extraordinárias, ele celebra a autonomia, a dedicação e o orgulho dos produtores indígenas que transformaram suas comunidades através da cafeicultura na Amazônia. Chegar ao patamar de 90+ pontos prova que, quando unimos empreendedorismo, conhecimento e um ciclo sustentável, não há limites para a prosperidade fruto do Robusta Amazônico”, ressalta Patricia Carvalho, Líder do Projeto Tribos no Grupo 3corações.
Cultivado nas matas de Rondônia, o Robusta Amazônico vencedor do concurso apresentou na xícara um raro café com notas de jasmim, chá verde, cacau, doce de leite e ameixa em caldas, com especiarias, caramelo e chocolate branco – além de corpo cremoso, acidez agradável e refrescante, com finalização persistente e doce.

Parcerias e manejo adequado alçaram o Robusta ao topo
Nas Terras Indígenas Sete de Setembro e Rio Branco, o Robusta foi plantado há décadas, mas, por muito tempo, permaneceu sem o manejo adequado na comunidade. Um novo capítulo dessa história começou em 2019 com o Grupo 3corações e o Projeto Tribos. A parceria se tornou o principal divisor de águas na relação das comunidades com o café e os indígenas passaram a receber melhores condições de infraestrutura, parcerias, reconhecimento, acesso à capacitação técnica, inovação e, junto aos saberes locais, a transformação chegou ao topo com raros cafés especiais valorizados. Reflexo do sucesso da iniciativa, o Projeto Tribos já recebeu o prêmio de melhor café canéfora do mundo, com 100 pontos na edição de 2024.
“O Projeto Tribos representa muito bem os diferenciais da Rituais Cafés Especiais – nossa marca premium dentro do Grupo 3corações – que tem como essência unir cafés especiais de qualidade excepcional, com origem e cadeia sustentável, a um alcance nacional, através de nossa estrutura. Temos muito orgulho de fomentar projetos como este, que valorizam a diversidade e excelência brasileira”, destaca Anderson Spada, Head de Marketing do Grupo 3corações.
O projeto conta com parceria de Funai, Cooperativas indígenas (Coopaiter, Garah Itxá. Coopsur e Coopirb), Embrapa, Emater-RO, AGRICAFÉ, Semagri, AGROCAF, Armazém de Café Cacoal, Cafeama e Câmara Setorial do Café de Rondônia. Desde o 1º ano de ação, a compra integral da safra das comunidades parceiras soma mais de 730 toneladas.

O Concurso
A programação reuniu três competições: o Concurso Tribos, que avalia o máximo potencial de qualidade alcançada na safra do café; a Copa Barista, criada a partir do entendimento das necessidades das próprias comunidades, para incentivar a sucessão familiar e envolver os jovens na cafeicultura, formando-os como baristas; e a Copa Harmonizações, continuidade dessa formação, que desafia os baristas a criarem receitas com o Robusta Amazônico. Juntas, elas estimulam a busca por qualidade a cada safra e mobilizam diferentes gerações em torno do café.

A cerimônia de premiação contou com a presença de mais de 600 indígenas[C(4.1], representando as 169 famílias que fazem parte do Projeto Tribos, além de suas lideranças, parceiros da iniciativa, especialistas e com abertura do presidente do Grupo 3corações, Pedro Lima, e do cacique geral Almir Suruí. A avaliação do Top 10 foi conduzida pelo head judge Silvio Leite, uma das maiores autoridades de cafés especiais do mundo.
A premiação para os dez finalistas somou mais de R$ 130 mil, garantindo a compra das sacas com valorização e remunerando financeiramente os vencedores. O campeão teve as sacas adquiridas por R$ 5.000 cada, valor cerca de cinco vezes maior que a média do café commodity nesta safra (R$ 900 por saca) e cerca de duas vezes o praticado entre cafés especiais já valorizados no mercado. Além dessa valorização na compra, os três primeiros colocados receberam um prêmio extra em dinheiro: o campeão levou R$ 25.000; o segundo colocado, que teve as sacas compradas a R$ 4.500 cada, recebeu R$ 15.000; e o terceiro, com sacas a R$ 4.000, recebeu R$ 10.000. Do 4º ao 10º lugar, as sacas foram compradas a R$ 3.000 cada, com prêmios extras de R$ 5.000 (4º), R$ 4.000 (5º) e R$ 1.500 (6º ao 10º). Além do Top 10, todos os indígenas que enviaram suas amostras e cumpriram o regulamento terão seus cafés comercializados de forma personalizada na linha Rituais.
“É uma grande alegria para mim e para a minha família, porque é o resultado de um trabalho que fazemos desde o plantio até a colheita, até chegar à xícara. A iniciativa do Grupo 3corações tem nos motivado bastante a trabalhar na cafeicultura, porque nos mostra que podemos fazer um produto de qualidade”, aponta o campeão Manasses Oykoeter Suruí.
Em 2026, o concurso passou a contar com a chancela da BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais) que, junto ao Head Judge Silvio Leite e ao time de juízes recebeu as amostras e operacionalizou o resultado do concurso. Desde a primeira edição, em 2019, o Concurso Tribos já adquiriu mais de 1.200 sacas de raros microlotes. O projeto busca o máximo potencial de qualidade, mas a parceria de Rituais com os indígenas é completa: a marca garante a compra de 100% da safra, com valorização (ágio) de acordo com a qualidade alcançada.
Do preparo à criação: Copa Barista e Copa Harmonizações
A Copa Barista foi criada a partir da troca entre os coordenadores do Projeto Tribos e as lideranças indígenas, visando profissionalizar os jovens como baristas, e assim podendo capacitá-los para uma nova carreira na cadeia do café, possibilitando que atuem de forma completa e com maior conhecimento. Ao todo, já são 56 jovens indígenas formados nas duas edições, que terão a oportunidade de ampliar sua profissionalização no universo do café.

Já a Copa Harmonizações é a continuidade dessa formação. Diante do engajamento da primeira turma, quem competiu na Copa Barista no ano passado voltou em 2026 com o desafio de criar receitas autorais com o Robusta Amazônico. A competição teve dois ganhadores: Thomas Oypagawaromb Flegler Suruí, de 19 anos, com o drink Aurora Tropical, que combina café coado, suco de laranja, xarope de maçã verde e água com gás; e Pamasoe Sameiwai E Waled Ibikayed Estéfane Suruí, de 24 anos, que apresentou o drink Pamasoe, feito com café, suco de coco, xarope de pêssego, água tônica e limão. “É um nome em Tupi-Mondé e está relacionado ao sentido de ‘nosso saber’ ou ‘nossa sabedoria’. Acho que combina bastante com o drink porque é um nome meu também”, conta o barista.

Top 10 do Concurso Tribos 2026
1º – Manasses Oykoeter Suruí – 91,11 pontos
2º – Joel Oyyeter Suruí – 90,68 pontos
3º – Goemanhama Rifate Suruí – 90,57 pontos
4º – Iremar Suruí – 90,29 pontos
5º – Denilson Suruí – 90,07 pontos
6º – Eleno Suruí – 89,86 pontos
7º – Maria Kawangawa Cinta Larga Suruí – 89,86 pontos
8º – Motira Labiway Suruí – 89,71 pontos
9º – Wilson Suruí – 89,68 pontos
10º – Ferrari Suruí – 89,61 pontos