Após ficar atrás de Flávio no 1º turno, Lula assume culpa por resultado e desaprovação

Durante sabatina no Jornal Nacional, presidente reconheceu dificuldades para comunicar as ações do governo e afirmou que não pode transferir a responsabilidade pelo desempenho nas urnas
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assumiu, nesta quinta-feira (15), a responsabilidade pelo resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, no qual terminou atrás de Flávio Bolsonaro (PL), e pela desaprovação de seu governo. Durante sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo, o candidato à reeleição afirmou que não pode atribuir a terceiros as dificuldades enfrentadas pela gestão e pela campanha.

“Eu acho que tudo é responsabilidade minha. Eu sou o governo, então se eu não consegui ser compreendido pela sociedade brasileira sobre o governo que fiz, eu não posso ficar jogando a culpa em ninguém”, declarou Lula.

O presidente reconheceu que houve falhas na comunicação das ações de seu terceiro mandato e relacionou essa dificuldade ao desempenho eleitoral.

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Lula assume responsabilidade por resultado eleitoral e desaprovação

Ao ser questionado sobre a avaliação do governo e o resultado das urnas, Lula afirmou que a responsabilidade pelos acertos e erros da administração deve recair sobre o presidente da República.

“Eu tenho que jogar a culpa em mim, porque se quando as coisas dão certo, sou eu que ganho. Quando elas não dão certo, sou eu que perco. Então, a responsabilidade é toda minha”, afirmou.

A declaração foi dada em um momento de revisão da estratégia eleitoral do PT. Depois de terminar o primeiro turno na segunda colocação, Lula passou a enfrentar cobranças de aliados por mudanças na comunicação e por maior aproximação com os eleitores que não apoiaram sua candidatura em 4 de outubro.

 

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula

Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.268 votos no primeiro turno, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Lula obteve 53.879.538 votos, correspondentes a 45,16%.

A diferença foi de 2.224.730 votos, ou 1,87 ponto percentual. Como nenhum candidato alcançou mais da metade dos votos válidos, a eleição será decidida no segundo turno, marcado para 25 de outubro.

O resultado levou a campanha petista a discutir ajustes na estratégia adotada na primeira etapa da disputa, incluindo a comunicação das realizações do governo e a organização das atividades eleitorais.

 

Presidente reconheceu problemas na organização da campanha

A autocrítica feita durante a entrevista ocorre depois de Lula ter reconhecido, em reunião com integrantes do PT, que sua campanha ficou abaixo do esperado.

No dia 7 de outubro, o presidente afirmou que a campanha de 2026 foi a menos organizada de que participou desde 1989, ano em que disputou pela primeira vez a Presidência da República.

Na ocasião, Lula avaliou que a equipe poderia ter feito mais durante o primeiro turno. A declaração provocou discussões internas sobre a necessidade de reorganizar a atuação do partido e ampliar o alcance das mensagens dirigidas aos eleitores.

 

Lula diz que governo teve dificuldade para explicar suas ações

Durante a sabatina, o presidente também atribuiu parte das dificuldades eleitorais à maneira como as ações de seu terceiro mandato foram apresentadas à população.

Lula afirmou que os eleitores que o apoiaram em 2022 tinham como referência os resultados de seus primeiros governos, especialmente o período encerrado em 2010. Segundo ele, o cenário encontrado ao retornar à Presidência, em 2023, era diferente.

O petista sustentou que sua gestão precisou dedicar os primeiros anos à recuperação da estrutura administrativa e de políticas públicas. Essa avaliação foi apresentada pelo próprio presidente para explicar por que, em sua visão, parte das realizações não foi percebida pelos eleitores.

Lula também lamentou não ter conseguido comunicar melhor as medidas adotadas e reconheceu que, independentemente das entregas realizadas, a população continua cobrando novas ações do governo.

 

Desaprovação do governo entra no debate eleitoral

A avaliação da administração federal também tem sido acompanhada pelas campanhas. Pesquisa PoderData/Aya divulgada em 13 de outubro apontou que 50% dos entrevistados desaprovavam o trabalho de Lula, enquanto 44% aprovavam. Outros 6% não souberam responder.

O levantamento também mediu as intenções de voto para o segundo turno, mas os indicadores representam perguntas diferentes. Os resultados não demonstram, isoladamente, que a desaprovação seja a causa direta do desempenho eleitoral do presidente.

Na entrevista, Lula assumiu a responsabilidade política pela percepção dos eleitores sobre seu governo, sem atribuir o resultado a integrantes específicos da equipe ou da campanha.

 

Segundo turno será realizado em 25 de outubro

Lula e Flávio Bolsonaro voltam a disputar a Presidência em 25 de outubro. A campanha entra na reta final com debates, entrevistas e atividades voltadas à apresentação de propostas e à conquista de votos.

As declarações de Lula no Jornal Nacional representam mais um reconhecimento público das dificuldades enfrentadas no primeiro turno. O presidente terá de conciliar a defesa das ações de seu governo com a apresentação de propostas para um eventual novo mandato.

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