Dono de clínica clandestina é preso após idoso ser achado enterrado

Proprietário de clínica ilegal é detido após descoberta macabra em Embu-Guaçu, com investigações apontando para mais vítimas.
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Márcio Oliveira Nunes, dono de uma clínica clandestina para idosos em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo, foi preso nesta semana por homicídio e estelionato após o corpo de Francisco Faustino, idoso desaparecido, ser encontrado enterrado nos fundos do imóvel onde funcionava o estabelecimento.

A Polícia Civil agora tenta mapear outras possíveis vítimas e o alcance do esquema de fraudes contra aposentadorias.

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O que aconteceu com o idoso encontrado em cova no asilo?

Francisco Faustino, idoso que estava sob os cuidados da clínica mantida por Márcio, foi localizado morto e enterrado nos fundos da propriedade em Embu-Guaçu, após desaparecer sem explicações dadas à família.

O corpo foi achado durante buscas policiais na área, realizadas a partir de denúncias sobre o funcionamento irregular da unidade e o sumiço do paciente.

Os investigadores tratam o caso como homicídio e trabalham para esclarecer as circunstâncias da morte, o período em que Francisco ficou desaparecido e se houve tentativa de ocultar provas.

O local funcionava sem licença adequada e com pacientes em condições consideradas precárias pelos agentes.

Por que o dono do asilo foi preso?

Márcio Oliveira Nunes foi preso porque é apontado pela polícia como responsável pela morte de ao menos um idoso, pela ocultação de cadáver e por um esquema de estelionato envolvendo as aposentadorias dos pacientes.

Além do corpo de Francisco Faustino enterrado no quintal, ele é investigado pela morte de outro interno, Juliano, cadeirante com esquizofrenia.

Juliano havia sido declarado morto por infarto pelo próprio Márcio, mas seu corpo acabou encontrado enrolado em uma coberta, em uma área isolada, o que levantou suspeitas sobre a real causa da morte.

A partir desses casos, a investigação passou a tratar Márcio como suspeito de homicídio e de operação de clínicas sem qualquer autorização sanitária.

Como o esquema funcionava

De acordo com a apuração policial, Márcio operava uma rede de imóveis alugados usados como clínicas de fachada, sem licença, trocando com frequência os idosos entre as casas para dificultar a fiscalização e afastar a atenção de familiares.

As transferências constantes também serviriam para mascarar desaparecimentos e óbitos dentro do grupo de pacientes.

Os investigadores apontam que o dono da clínica se apropriava das aposentadorias dos internos e usava os benefícios para contratar empréstimos consignados em nome dos idosos.

Os valores ficariam sob seu controle, enquanto as vítimas, muitas vezes com saúde fragilizada ou sem acompanhamento próximo da família, não tinham condições de reagir.

Um policial que participou das diligências descreveu o investigado como alguém com grande capacidade de persuasão:

“Ele se vestia bem, ele fala muito bem”, afirmou o investigador.

Também destacou que essa postura ajudava a transmitir confiança a parentes e possíveis parceiros.

“Ele tem sempre uma saída, uma resposta”, completou.

Como denunciar maus-tratos contra idosos em asilos?

Denúncias de maus-tratos, abandono ou suspeita de clínica clandestina podem ser feitas de forma anônima aos canais oficiais.

A família ou vizinhos podem procurar a delegacia mais próxima, o Ministério Público, a Defensoria Pública ou o Conselho Municipal do Idoso, além da vigilância sanitária da cidade, que é responsável por fiscalizar as instituições.

Também é possível usar canais nacionais, como o Disque 100, serviço de direitos humanos do governo federal, que recebe queixas de violência contra pessoas idosas, crianças, mulheres e outros grupos vulneráveis.

Ao denunciar, é importante informar endereço, nomes, fotos e qualquer documento que comprove a suspeita.

Entenda o contexto

O caso expõe uma faceta extrema da vulnerabilidade de pessoas com idade de idoso — a partir de 60 anos, como define o Estatuto do Idoso — quando são colocadas em instituições privadas sem fiscalização adequada.

Em clínicas clandestinas, sem registro na vigilância sanitária e sem profissionais habilitados, faltam controle público, transparência e canais formais para reclamações.

Ao mesmo tempo, o episódio se soma a outras ocorrências recentes na Grande São Paulo, em meio a uma semana marcada por problemas graves na região, como o temporal que provocou mais de 900 km de trânsito na capital e alagamentos em vias importantes.

A pressão sobre serviços públicos, inclusive de saúde e assistência social, ajuda a empurrar famílias para soluções improvisadas e, muitas vezes, perigosas.

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