Câmara de Santos retira homenagem a Eduarda Campopiano após protestos contra deputada eleita

Vereador do PL arquivou proposta que parabenizaria a parlamentar pelos quase 2 milhões de votos recebidos; declarações sobre feminicídio motivaram manifestações.
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A Câmara Municipal de Santos, no litoral de São Paulo, retirou de pauta uma proposta de homenagem à deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL), após manifestações contrárias à iniciativa. O requerimento, apresentado pelo vereador Sérgio Santana (PL), seria votado na quinta-feira (15), mas foi retirado pelo próprio autor no início da sessão e posteriormente arquivado.

A proposta previa o envio de votos de congratulações à parlamentar, que recebeu 1.956.238 votos nas eleições de 2026 e se tornou a deputada estadual mais votada de São Paulo. A homenagem, entretanto, provocou críticas de vereadores e mobilizou manifestantes, que lotaram as galerias da Câmara para protestar contra declarações feitas por Campopiano durante a campanha eleitoral.

Entre os motivos da manifestação estão posicionamentos da deputada eleita sobre feminicídio e diferenças de comportamento entre homens e mulheres. Campopiano já declarou que o feminicídio não existe e que homens seriam naturalmente mais agressivos. As falas foram criticadas por parlamentares de oposição, que questionaram a homenagem.

Conheça a polêmica Eduarda Campopiano, deputada eleita com quase dois milhões de votos

Protestos lotaram galerias da Câmara de Santos

A manifestação foi organizada após vereadores de partidos como PT e PSOL se posicionarem contra a homenagem. O protesto reuniu pessoas nas galerias da Câmara Municipal, que tem capacidade para 116 espectadores.

Durante a sessão, manifestantes exibiram cartazes contrários à proposta e reagiram a discursos de parlamentares favoráveis à deputada eleita.

O vereador Benedito Furtado (PSB) chegou a anunciar aos presentes que o requerimento havia sido retirado da pauta, na tentativa de reduzir a tensão no plenário.

“Só para vocês entenderem, o requerimento polêmico que vocês estão aguardando, o autor retirou, ele não está mais pauta.”

A vereadora Débora Camilo (PSOL), também eleita deputada estadual em 2026, foi uma das críticas à homenagem. Nas redes sociais, ela associou as declarações de Campopiano à visão de setores da direita sobre os direitos das mulheres.

“Eduarda expõe o verdadeiro pensamento da extrema direita sobre as mulheres.”

Vereador do PL explica retirada da homenagem

O requerimento havia sido apresentado por Sérgio Santana na semana anterior. No documento, o vereador defendia que a votação expressiva de Campopiano representava o reconhecimento dos eleitores paulistas e um resultado importante para a Baixada Santista.

A parlamentar, atualmente vereadora de Praia Grande, foi eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com quase 2 milhões de votos.

Inicialmente, Santana havia indicado que manteria a proposta, apesar das manifestações contrárias.

No entanto, durante a sessão de quinta-feira, decidiu retirar o requerimento antes que ele fosse discutido e votado.

Questionado sobre a decisão, o vereador afirmou que o arquivamento ocorreu devido à necessidade de discutir outras matérias legislativas, sem atribuir diretamente a medida aos protestos.

“Tínhamos outros projetos importantes a serem discutidos, como ia levar muito tempo, resolvi arquivar.”

A Câmara Municipal confirmou que a proposta foi retirada a pedido do autor e posteriormente arquivada.

Declarações de Eduarda Campopiano motivaram críticas

A resistência à homenagem está relacionada principalmente às declarações públicas de Campopiano sobre feminismo, violência contra mulheres e questões de gênero.

A deputada eleita se apresenta nas redes sociais como conservadora e antifeminista, utilizando a expressão “maior inimiga das feministas de São Paulo” para definir seu posicionamento político.

Durante sua trajetória, ela também se manifestou contra o aborto e as cotas raciais, além de fazer declarações sobre feminicídio que provocaram críticas de adversários políticos.

O feminicídio é um crime previsto na legislação brasileira e caracteriza o assassinato de uma mulher por razões relacionadas à sua condição de gênero. Desde 2024, a legislação estabelece pena de 20 a 40 anos de prisão para esse crime.

As declarações de Campopiano foram lembradas durante as discussões sobre a homenagem e utilizadas por vereadores contrários à proposta para justificar a mobilização.

Deputada eleita recebeu quase 2 milhões de votos

Aos 23 anos, Eduarda Campopiano conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo após receber 1.956.238 votos nas eleições de outubro.

O resultado corresponde a aproximadamente 8,39% dos votos válidos para deputado estadual e representa a segunda maior votação nominal da história da Alesp, atrás de Janaina Paschoal, que recebeu mais de 2 milhões de votos em 2018.

Campopiano iniciou sua trajetória eleitoral em 2024, quando foi eleita vereadora de Praia Grande, no litoral paulista, aos 21 anos.

Com forte presença nas redes sociais, ampliou sua projeção política e conquistou uma votação expressiva na disputa estadual de 2026.

Ela assumirá o mandato na Assembleia Legislativa em 2027.

Homenagem foi arquivada e precisará de nova proposta

Com a retirada do requerimento, a Câmara de Santos não realizará a homenagem prevista à deputada estadual eleita.

Segundo a Câmara Municipal, o documento foi arquivado, e uma eventual retomada da proposta dependerá da apresentação de um novo requerimento.

Até o momento, não há informação sobre uma nova tentativa de homenagear Campopiano no Legislativo santista.

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