A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acusou o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de tentar conquistar votos de trabalhadores ao demonstrar apoio ao fim da escala 6×1, enquanto, segundo ela, pretende substituir a medida pela chamada PEC das Horas Trabalhadas. A declaração foi dada nesta sexta-feira (16/10), em frente ao plenário do Senado, após a promulgação da emenda constitucional que prevê a redução gradual da jornada semanal e garante dois dias de descanso remunerado.
A deputada afirmou que a mudança de posição de Flávio e de aliados seria uma estratégia para atrair eleitores antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. Na avaliação da parlamentar, a proposta defendida pelo grupo do senador poderia permitir a retomada da escala 6×1.
LEIA MAIS
Lula celebra fim da escala 6×1: “É uma conquista do povo brasileiro”
Erika diz que Flávio quer substituir a PEC por outra proposta
Durante a entrevista, a deputada afirmou que Flávio Bolsonaro não teria intenção de preservar a emenda promulgada e que as declarações sobre possíveis mudanças no texto esconderiam, segundo ela, uma tentativa de enfraquecer a conquista dos trabalhadores.
“Flávio Bolsonaro está dizendo que vai mudar pontos porque ele não tem a coragem de dizer que ele vai enterrar e destruir a PEC”, declarou.
Erika também afirmou que o senador e seus aliados foram contrários ao avanço da proposta durante a tramitação no Congresso e mudaram o discurso diante da repercussão do tema entre os trabalhadores.
“A extrema direita, os aliados do Flávio Bolsonaro, não querem o fim da escala 6×1. O que eles defendem aqui nesta casa e defenderam lá na Casa ao Lado, que é a nossa casa, a Câmara, é a PEC das Horas Trabalhadas”, disse.
A deputada argumentou que a proposta alternativa, baseada na negociação entre empregado e empregador, poderia comprometer os efeitos da mudança aprovada pelo Congresso. Ela também acusou o grupo político de tentar conquistar votos para, depois das eleições, retomar a discussão sobre a jornada de trabalho em outros termos.
A crítica ocorre após Flávio Bolsonaro votar a favor do fim da escala 6×1 no Senado, apesar de posições anteriores contrárias à proposta. O PL, por sua vez, já indicou que pretende apresentar em 2027 a PEC das Horas Trabalhadas, uma alternativa defendida por integrantes do partido.
Confira a declaração da deputada
Deputada cita eleição e pede atenção dos trabalhadores
Erika afirmou que o eleitorado precisa acompanhar o histórico de posicionamentos dos candidatos e as propostas que eles defendem para o mercado de trabalho.
“O que eles querem é enganar o trabalhador para ver se o trabalhador vai nas urnas no dia 25, dá o voto neles para que no dia seguinte eles enterrem essa conquista”, declarou.
A parlamentar também contestou a possibilidade de mudanças na emenda após a eleição. Para ela, o objetivo do senador seria substituir a medida promulgada pela proposta de flexibilização das relações de trabalho.
As declarações foram feitas no dia em que o Congresso Nacional promulgou a Emenda Constitucional 141/2026. O texto prevê a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial, e a adoção de dois dias de descanso por semana. A transição começa em 60 dias, com a jornada reduzida para 42 horas semanais; após mais 12 meses, o limite passa a ser de 40 horas.
Erika chama promulgação de conquista histórica
Além das críticas a Flávio Bolsonaro, a deputada celebrou a promulgação e afirmou que a redução da jornada representa mais tempo de descanso, convivência familiar e qualidade de vida para os trabalhadores.
“Quando nós estamos falando num dia de descanso, mas também é mais um dia de vida, porque é tempo de vida e é tempo de vida remunerado, é tempo de vida sem redução salarial”, afirmou.
Erika também relacionou a mudança à saúde dos trabalhadores e à prevenção de acidentes e afastamentos provocados por jornadas extenuantes. Segundo ela, a conquista foi resultado da mobilização de trabalhadores, movimentos sociais e parlamentares.
A deputada ainda destacou o papel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na articulação política para que a proposta avançasse no Congresso.